Brinquedo Velho

Uma simples palavra, um gesto ou um acontecimento corriqueiro podem desencadear na mente humana uma avalanche de recordações. Bem como o reencontro com objetos de valor afetivo, tal qual aquele passatempo antigo – um jogo, uma boneca, um carrinho… –, capaz de trazer de volta à lembrança o doce gosto de uma época inocente ao mesmo tempo em que faz recordar algumas lembranças amargas. É esse o sentimento que se tem ao ouvir Bom Dia Mundo, primeiro registro do quarteto santa-mariense Brinquedo Velho. São onze canções simples, entregues na forma de um rock básico e sincero envolto num apelo pop inteligente, reflexivo, melodioso e sem afetamento. O projeto conta com jovens veteranos da cena local que, antes de ser uma banda, são amigos de longa data: Jackson Oliveira(baixo), Abel Oliveira (bateria), Fred Rubim (voz e guitarra) e Angelo Possati (guitarra). Na verdade, a formação é quase uma gincana de família. Os irmãos Jackson e Abel, entre outras empreitadas musicais, formavam o núcleo central da saudosa Casa Verde, trio de musicalidade alternativa que mesclava punk rock bubble gum com um quê de melancolia e temática emocional. Já Fred foi um dos fundadores da Herói, banda de hardcore melódico que, mais tarde, também abrigou seu cunhado Angelo nas seis cordas. Apesar de o grupo colocar na rua só agora esse primeiro trabalho de estúdio, vale ressaltar que a brincadeira não é de hoje. Tanto que há composições ali feitas há uma década ou mais. O lado bom da demora é que a ideia parece ter amadurecido e ganhado corpo de gente grande antes de cair no mundo. O que se ouve da Brinquedo Velho é uma sonoridade agradável, carregada de forte herança das experiências – musicais e pessoais – outrora vividas por seus integrantes. A objetividade do instrumental é complementada por um senso despretensioso e bem aproveitado de melodia, que torna as canções cativantes. É uma musicalidade que remete a grandes nomes do punk rock melódico (Millencolin, Rancid, Bad Religion, Samiam e No Use For A Name, por exemplo), mas que também busca referências na obra de gente como Weezer, Nirvana e Pixies. A temática, em boa parte, passeia por amores mal resolvidos, solidão, feridas não cicatrizadas e fantasmas que teimam em não ir embora. Apesar da melancolia, o tom das composições parece sempre indicar uma saída iluminada para os males da alma e do coração. Afinal, o sofrimento também faz parte da busca pela felicidade. Dos 11 temas apresentados nesse álbum de estreia , três são releituras da finada Casa Verde (‘Casa Verde’, ‘ Amanheço’ e ‘Ninguém Te Quer’). Os demais são resultado de um longo processo de composição, produção e gravação que só agora vê a luz do sol. Mas que, mesmo tardiamente, chega para reluzir no horizonte como o amanhecer de um domingo qualquer – daqueles com direito a café da manhã feito pela mãe antes de sair para brincar.

Por Homero Pivotto Jr.

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