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Entrevista com a Banda Dublê
por Rock Gaúcho.com em 15/11/2007
Portal do Rock Gaúcho - Como surgiu o nome da banda?
Banda Dublê - Nós fizemos uns três shows, mais ou menos, sem ter um nome. Na verdade, nenhum de nós tinha a pretensão de que a banda durasse mais de um show. Nós tínhamos nos juntado para fazer um som na festa de um amigo, em um bar. Depois, fomos convidados para outra festa, um mês depois, e pensamos: “pra que um nome, se não vamos mais tocar juntos”. E assim foi até que estávamos tocando demais para uma banda sem nome. Dublê foi o menos pior que conseguimos. Mesmo assim, tivemos que tirar a extensão “De Corpo”, que vinha depois, na sugestão inicial.
Portal do Rock Gaúcho - Quem são os integrantes da Dublê?
Banda Dublê - Gugu, Gino, Salsicha, Bozó e Tavinho. Muito prazer!
Portal do Rock Gaúcho - Perguntar as influências musicais de vocês daria um livro, pois vocês tocam quase todos os ritmos e sons. Mas há algo que vocês não tocariam de jeito algum?
Banda Dublê - Nossa, é difícil dizer algo que não tocaríamos de jeito nenhum. No começo da banda não tocávamos muita coisa por princípios. Na verdade, quase nem montamos a banda justamente por causa dos nossos princípios, já que todos os membros originais vinham de bandas de rock pesado. Mas com o passar do tempo, bem devagar, fomos descobrindo pequenas sutilezas nos outros estilos que não tínhamos no heavy metal, e gostamos disso. Mas, voltando à pergunta, nesses doze anos de história, só teve uma música que não tocamos por achá-la incrivelmente detestável. Aquela música do Mamute que tinha aids. Isso é demais até pra nós, eh, eh...
Portal do Rock Gaúcho - Há alguns anos, vocês lançaram um CD de inéditas. Há planos de lançar um segundo álbum no futuro?
Banda Dublê - Aquele foi um disco bem difícil de ser feito. Não estávamos muito maduros para um trabalho daquele porte. Acho que hoje temos uma consciência bem mais estruturada do que é a Dublê e do que gostamos de fazer. Hoje em dia, seria algo bem mais fácil para nós fazer um disco. Embora esse seja um projeto meio secundário no momento...
Portal do Rock Gaúcho - Qual a ligação da banda com a Internet?
Banda Dublê - A maior possível. Temos o nosso site e as comunidades no Orkut, que são nosso feedback com o público que nos assiste. Muitas bandas não se importam, mas nós gostamos de moldar nosso som a partir do que as pessoas esperam (ou do que elas não esperam, mas gostam depois que ouvem, eh, eh).
Portal do Rock Gaúcho - Qual a importância do Orkut e outros meios de interação com os fãs?
Banda Dublê - Acho que um site oficial é apenas isso, um instrumento institucionalizado, para que as pessoas saibam da agenda da banda e tenham outras informações. Mas um site sempre foi uma forma mais fria, de apenas uma via, para a comunicação com o público. Com o Orkut é diferente, você recebe um scrap e vê o rosto da pessoa que o está mandando, vê o que está acontecendo na vida dela (se quiser), do que ela gosta, do que não gosta. O que antes, em um e-mail via site, era apenas um nome passa a ser um indivíduo. E nos damos conta que, mesmo que em um nível muito pequeno, afetamos a vida daquelas pessoas a ponto de elas entrarem em contato conosco. E isso é uma responsabilidade muito grande.
Portal do Rock Gaúcho - Atualmente, com o avanço da tecnologia, já é possível uma banda alcançar o sucesso e divulgação do seu trabalho sem a necessidade de uma gravadora ou um selo famoso? Que vantagens e desvantagens, na sua opinião, é encontrado neste processo de gravação independente?
Banda Dublê - Acho que as vantagens superam as desvantagens (minha monografia de conclusão de curso foi justamente sobre isso, eh, eh). Hoje em dia, a tecnologia de gravação e divulgação estão muito acessíveis a qualquer músico. Pelo preço de gravação de três músicas em um grande estúdio, com várias horas, você pode comprar o equipamento básico pra fazer isso em casa. Essa facilidade propiciou o aparecimento de várias bandas que talvez não estivessem na mídia se não fizessem esse caminho (o Panic! At The Disco é um exemplo). Isso é ótimo, pois agora as bandas que contam apenas com o seu talento não são preteridas por bandas com padrinhos ou dinheiro para gravar e fazer jabá. Você grava a sua música em casa e a coloca na rede, e, no mesmo instante, alguém em Tokyo pode ouví-la e mostrar aos amigos de olhos puxados. Do dia para a noite você pode virar uma celebridade no Japão! Isso é maravilhoso! Com a tecnologia equilibrando o jogo, o talento é a única coisa que pode diferenciar uma banda da outra. Viva a revolução!
Por outro lado, normalmente em uma gravação feita em casa o som não fica com a mesma qualidade de um estúdio caro, pois lá eles têm pré-amplificadores, microfones de ponta e uma série de equipamentos que dificilmente uma banda pode ter em casa. Além disso, um técnico de som é sempre um técnico de som, e vai sempre saber tirar e acrescentar freqüências que fazem a diferença na hora da gravação. Por isso, as bandas precisam escolher de acordo com a sua necessidade... por enquanto.
Portal do Rock Gaúcho - Na opinião de vocês o MP3 é prejudicial ou um meio de divulgação?
Banda Dublê - Não acredito que o MP3 seja algo prejudicial, pois é um grande meio de divulgação do artista. Uma pesquisa feita no ano passado, nos Estados Unidos revelou que na mesma proporção em que os discos sofreram uma queda nas vendas por conta das músicas distribuídas de graça na internet, os shows andavam vendendo ingressos com nunca antes na história. É lógico! Mais pessoas conhecem o trabalho da banda, logo, a banda tem mais fãs! Além disso, no Brasil quem ganha com venda de discos, nesse sistema em que a gravadora fica com 99,9% do lucro das vendas, são artistas como Roberto Carlos, Ivete Sangalo e Calypso. E cobrando um cachê de 150 mil reais ou mais por show, será que eles deveriam mesmo estar interessados nisso? A distribuição de música via internet, gratuita, é uma realidade. As grandes corporações estão assustadas porque estão vendo seus impérios desmoronando. Em breve, os artistas não vão mais precisar deles. Pobres executivos sangue-sugas...
Portal do Rock Gaúcho - Qual o recado da banda para bandas que estão começando e querem buscar o sucesso, assim como vocês?
Banda Dublê - Não se preocupe com o que os outros dizem. Seja sempre você mesmo. Na grande maioria das vezes as críticas são de pessoas que não têm coragem de se expor e fazer o que você está fazendo. Mas, acima de tudo, divirta-se. É impossível construir uma carreira sem gostar do que você faz. Por último, faça cada show como se fosse o último, não porque pode haver um dono de gravadora assistindo, mas porque se alguém se dispôs a parar e ver você tocar, mesmo que seja uma pessoa apenas em meio a um estádio vazio, ela merece nada menos que 110% de você! É o nosso lema: Um milhão ou uma barata!
Portal do Rock Gaúcho - Os fãs que quiserem entrar em contato diretamente com a banda podem fazê-lo como?
Banda Dublê - www.bandaduble.com.br tem nossos e-mails e nossa comunidade oficial no Orkut, além de vídeos e mp3 das músicas. E quando entrarem na nossa comunidade, podem nos adicionar, pois todos que gostam do nosso trabalho são nossos amigos.
Portal do Rock Gaúcho - Como é a receptividade do público, nos shows, em relação às músicas?
Banda Dublê - Até agora têm sido bem legal. Estamos a doze anos moldando o show, se ainda não estivesse agradando, acho que teríamos partido para outras carreiras, eh, eh...
Portal do Rock Gaúcho - Há planos para lançar um CD ou DVD ao vivo da banda?
Banda Dublê - Queríamos lançar um dvd, mas sempre que filmamos alguma coisa não agüentamos e colocamos na internet. Então, estamos fazendo um tipo de novela eterna na rede, em que os capítulos são os vídeos que estamos disponibilizando. Já estamos com vários! E o bom é que o público também contribui com alguns capítulos.
Portal do Rock Gaúcho - Gostaria de deixar alguma mensagem para o pessoal que visita o site?
Banda Dublê - Obrigado por lerem esta entrevista e passarem esses instantes de leitura com a banda Dublê. Espero poder ver todos em breve, em algum show! Abraço!
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