Entrevistas

Entrevista com a banda Megadrivers

por Rock Gaúcho.com em 15/05/2009

 Megadrivers: Mateus Berg e o seu liquidificador cerebral

As camisas de flanela ainda não viraram esfregões. Pelo menos não com o pessoal da Megadrivers, banda grunge de Porto Alegre que, desde 2004, mantém viva a essência do estilo imortalizado por Nirvana e Mudhoney nos anos 90. Com a formação 'power trio', tendo Matheus Momó na batera, Poly E. no baixo e Mateus Berg na voz e guitarra, a banda já gravou um EP com 4 canções bastante distorcidas em 2006 e, atualmente, batalha a gravação de um disco completo. Enfim, três porto-alegrenses determinados, que se conheceram e deram os primeiros acordes no bairro Jardim Itu na capital gaúcha. Acreditando fielmente no seu estilo e no seu som eles estão aí pra provar que, de acorde dissonante em acorde dissonante, o Grunge Rock 'can't never die'. Confira o bate-papo com o Mateus Berg, da Megadrivers:

Edu - Vamos começar pelas coisas domésticas. Como é ter a namorada na banda, ela briga contigo se tu desafina ou erra um acorde?
Mateus - É legal, pois além de tudo ouvimos música juntos, estamos a maior parte do tempo na mesma sintonia... É bem mais acessível. Rola bronca quando eu começo a avacalhar no estúdio, mas nesse caso é mais uma coisa de colega de banda, a Poly não é muito ditadora. Outra coisa legal é que nunca estou sozinho em festas.

Edu - Pra ti o que é mais importante na banda, as letras ou o instrumental?
Mateus - Acho que é importante o conjunto. Gosto de dizer que eu faço poemas musicados, mas na real é tudo loucura em meu liquidificador cerebral.

Edu - Cá entre nós, o grunge existe mesmo ou foi inventado pelos jornalistas?
Mateus - Acho que existe sim, apesar de não ter certeza, hehehe! O grunge pra mim é barulheira, diversão, algo Punk. As pessoas tendem a dizer que é uma coisa triste. Nada a ver. O termo grunge é bem antigo, em um disco do Johnny Burnette n' the Rock and Roll Trio (dos anos 50) está escrito que o som da guitarra é “grungy” ou seja, sujo. Simplesmente se refere ao som da guitarra! Essa palavra se associou ao som de Seattle, nem preciso dizer o motivo... Agora, é inegável que a mídia inventa muitas lendas sobre isso tudo.

Edu - Como é ser grunge no Rio Mod do Sul?
Mateus - Não vejo sinceridade nessa modinha mod. Mas não quero ofender ninguém! Tem gente pra caramba por aqui que se identifica com o grunge. O problema é que toda a cena rockeira daqui está sendo derrubada faz alguns anos.Tudo pela burrice de políticos que querem tornar Porto Alegre uma cidade morta, não incentivando e até mesmo fechando casas de shows, apostando em uma falsa política de combate às drogas e distúrbios. Só não lembram que fazendo isso, acabam por travar a liberdade de expressão e estagnar a cultura. E essa estagnação é pra todo rock daqui não só o grunge. Não é sincero dizer que se vive numa cidade rockeira se não se tem casas para concertos de rock, apenas lugares de MODa com festinhas sem graça e sem energia alguma.

Edu - Quais os ídolos da Megadrivers?
Mateus - Por mim, posso falar em gente como Alice Cohen, Kurt Cobain, Maurits C. Escher, Jackson Pollock, Charles Bukowski, Leon Tolstoi. É difícil falar sobre isso, todos nós somos envolvidos com as mais diversas artes, e pra mim é injusto listar. Mas enfim, apesar de talvez responderem de forma diferente da minha, acho que o Momó e a Poly devem pensar de forma semelhante à minha nesse quesito.

Edu - Como tá o esquema pra gravar o CD, já tem nome, músicas definidas, etc?
Mateus - Nós estamos no momento correndo atrás dos subsídios para gravar o álbum. Já temos as musicas e a arte do encarte. O nome está definido e será uma música que puxará o título, mas ainda não vou revelar pra vocês qual é. Ainda não! Estamos também planejando um intercâmbio com nossos amigos da banda MONAURAL, de São Paulo, um projeto que proporcionará uma tour em conjunto por diversas cidades do Brasil. Convido o pessoal também pra conferir o novo visual do nosso http://www.myspace.com/megadrivers e se manter ligado por lá para as prévias do novo disco e datas de concertos.

Edu - E os shows, o que tem rolado?
Mateus - Agora dia 9 de maio tem um inusitado encontro da MEGADRIVERS com os vampirescos DAMN LASER VAMPIRES no MUTANTES BAR em Porto Alegre, ao que tudo promete ser uma noite bombástica! Depois, se tudo seguir o cronograma, vamos concluir o disco e cumprir datas no interior, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e um pulo à Recife e João Pessoa no final do ano. Espero que todos vocês apareçam!

Conheça o trabalho da Megadrivers: http://www.myspace.com/megadrivers