Abril Pro Rock consagra Wander Wildner

Saiu na FOLHA DE SAO PAULO de terça-feira, 15 de abril de 2008. Abril pro Rock consagra Wildner e pianista jovem Em sua 16ª edição, o Abril pro Rock conseguiu equilibrar bem a vocação de plataforma do alternativo nacional com a necessidade de atrair um público que, na maioria das vezes, demanda mais do mesmo.E quem foi atrás do novo Brasil nos dois dias do festival (sexta e sábado), no Chevrolet Hall, saiu com grandes memórias, ambas do sábado: a ousadia do pianista pernambucano Vítor Araújo, 18, e a catarse do veterano Wander Wildner – a quem talvez ainda faltasse alguma consagração.O garoto de background erudito deu a Paranoid Android, do Radiohead, ares de Debussy e Bach, acento de jazz a Chico Buarque,e algumas lições às muitas bandas ainda verdes, ou meramente imitativas, do festival. Araújo mostrou personalidade e discurso próprio e enfrentou sem medo as dificuldades sonoras do palco 2, percebidas em outros shows, mas realmente cruéis com o piano solo.Mesmo assim, foi em transe que centenas de pessoas se apinharam perto das caixas de som para vê-lo transitar, em estado de hipnose,pelo frevo e por Villa-Lobos. Virou o momento único, a imagem a ser trazida do Recife.Por sua vez, Wildner, reforçado por gaita (acordeon, segundo os gaúchos) e metais convidados, desfilou no palco 1 seu punk-brega descarado e acabou tendo a melhor resposta de público do sábado.O simpático toque frevo de Eu Tenho uma Camiseta Escrita Eu te Amo ganhou a noite para o gaúcho, que fez possivelmente o grande show de sua carreira.Na noite de Lobão, Céu e Datsuns (Nova Zelândia), os gaúchos do Superguidis exibiram, com raça e paixão, um powerpop que merece ser ouvido mais vezes e fizeram o melhor show em língua pátria dos palcos secundários, tomados por anglófonos -o que não é crítica quando há gente antenada e precisa, como os pernambucanos do Sweet Fanny Adams, mas uma constatação.Na noite de sexta, que teve New York Dolls (ótimo) e Bad Brains (nem tanto), os destaques do novo Brasil foram The Sinks (RN) e Vamoz (PE). Os potiguares têm peso e melodia, entre o stoner, o Nirvana e o Weezer e deram (bom) refrão em inglês a quem precisa. O Vamoz, extremamente dinâmico nas guitarras, honrou a ebulição rock que sempre se espera do Recife. * O jornalista MÁRVIO DOS ANJOS viajou a convite da organização do Abril pro Rock E, no site Senhor F: Wander Wildner, um artista (de verdade) e seu tempo O eterno beatnik e mais recifense de todos os gaúchos, Wander Wildner, fez o melhor show do Abril Pro Rock. Em pouco mais de 30 minutos, mostrou sua alma de artista verdadeiro, sintonizado com seu tempo, que desafia, provoca e surpreende o público. Quando todos esperavam o punk reto do jogo ganho, ele introduziu sanfona, rabeca e sopros em suas baladas sangrentas, cantou samba-jóia e botou todo mundo para dançar frevo.Uma postura que, por exemplo, entusiasmou o radialista português Henrique Amaro, do programa Portugália, da RTP, que assistia ao show.Misturando punk & frevo & climas portenhos, WW deu uma aula de como é possível incorporar o novo, o universal, sem abandonar as origens históricas regionais e do próprio festival.Ao lado dele, amigos-músicos de grande competência e sensibilidade, como Jimi Joe (guitarra), Arthur de Faria (sanfona e teclados) e Geórgia (baixo), complementaram o clima afetivo que sintonizou palco e platéia. Alguns momentos, como nas músicas Bebendo Vinho, Um Bom Motivo (música da banda Stuart), Mantra das Possibilidades e Eu Não Consigo Ser Alegre o Tempo Inteiro, elevaram o grau da emoção.Em resumo, um show histórico que deu uma nova dimensão ao músico Wander Wildner, agora definitivamente mais do que apenas o ex-vocalista dos Replicantes.Um mestre da independência, do compromisso com a arte acima de tudo, Wander Wildner ainda ganhou um reconhecimento extra no show dos conterrâneos Superguidis, também um dos melhores e mais surpreendentes do festival. Na segunda música, Lucas Pocamacha dedicou o show ao Wander, nosso pai, que assistia os guris nas primeiras filas. * Fernando Rosa é editor de Senhor F. Maiores informações, clique aqui.

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