Anathema e Paradise Lost se apresentam em setembro em Porto Alegre

Acredite: um passeio pelo vale perdido da melancolia pode ser divertido. No mínimo, uma experiência interessante de reflexão. É o que as bandas Anathema e Paradise Lost, dois dos maiores representantes do gothic/doom, irão promover em 7 de setembro, às 20h, no Opinião (José do Patrocínio, 834). Na dobradinha trevosa, os grupos farão uma viagem por suas vastas e languidas discografias. O Anathema trabalha na divulgação do belo e intuitivo Distant Satellites (2014). Já o Paradise Lost traz na bagagem a turnê do consistente e recém-lançando The Plague Within.

ANATHEMA

Embora vivamos em uma era na qual a superficialidade e a gratificação instantânea reinam supremas, o mundo da música ainda está apto para celebrar aqueles que honram antigos e tradicionais valores de criatividade. Formado em 1990, o Anathema vive sob um legado que transcende modas. É uma banda que persegue incansavelmente a perfeição das composições, sempre atentando para suas raízes, mas com um olho em novos horizontes.

Ainda que inicialmente rotulados como pioneiros de um subgênero inteiro, o doom/gothic metal, o grupo tem dedicado sua carreira a fazer músicas que desafiam a descrição fácil. Progressivo e focado em quebrar paradigmas de estilos, o conjunto de Liverpool (Inglaterra) tem firme e constantemente se desenvolvido. Ainda nos anos 1990, abraçou tons “Floydianos” em um tempo no qual isso estava longe de ser tendência. Desde então, passou a ser uma das bandas de rock mais aclamadas do Reino Unido. Suas canções prezam pela melancolia, melodia e atmosfera arrepiante, estabelecendo-os orgulhosamente para além de seus pares. O incremento cada vez maior de elementos progressivos, ainda na última década do século passado, conduziu a banda à notoriedade. O Anathema tornava-se vanguarda de um movimento musical nebuloso e, cada vez mais, adorado por sua obra.

Discos da fase intermediária da carreira, como Judgement (1999), A Fine Day To Exit (2001) e A Natural Disaster (2003) reforçam a versatilidade do grupo. Porém, é We’re Here Because We’re Here – mixado pelo mago do progressivo moderno Steven Wilson (Opeth, King Crimson, Jethro Tull, Yes, Orphaned Land, entre outros) – que estabeleceu o sexteto como força única no cenário musical.  O avanço sonoro foi consolidado com Weather Systems (2012), mais um passo ousado que firmou o nome da banda entre os mais importantes da era contemporânea. O disco seguinte – e mais recente até então – é Distant Satellites (2014).

Esse décimo trabalho de estúdio é mais um glorioso e meticuloso capítulo na carreira do Anathema. “Felizmente, para nós, as canções continuam fluindo. Não somos compositores conscientes, mas, sim, pessoas que deixam a música nos conduzir para sairmos um pouco do caminho. É tanto sobre sair do rumo tradicional quanto sobre controlar a música”, revela Daniel Cavanagh (guitarra e teclado).

Além do guitarrista e tecladista, a formação atual conta com Vincent  Cavanagh (vocal, guitarra e teclado), John Douglas (percussão), Lee Douglas (voz), Jamie Cavanagh (baixo) e Daniel Cardoso (bateria).

PARADISE LOST

É raro uma banda ter efeito tão duradouro dentro do cenário musical em que atua. Desde sua formação em Halifax (Inglaterra), em 1988, o Paradise Lost tem prosperado em eterna escuridão e caminhado por lugares onde os raios de sol raramente ameaçam quebrar as nuvens negras e os pesadelos duram uma eternidade.

O curso de sua evolução sonora se espalhou pela musicalidade dark, fazendo alguns similares parecerem pálidos se comparados ao pioneiro grupo gótico. Seria justo dizer que, sem o Paradise Lost, muitas das bandas que transitam por sonoridades melancólicas nem existiriam – o segundo álbum dos ingleses Gothic (1991) ainda é apontado como marco zero do gothic metal. Com o quinto disco Draconian Times (1995), o conjunto conquistou o sucesso internacional. Ao mesmo tempo, continuava a construir seu próprio caminho e explorar elementos eletrônicos e até sinfônicos. Durante as comemorações de seus 25 anos, o PL se apresentou no Metal Hammer’s Golden Gods, cerimônia da revista britânica Metal Hammer, e recebeu o prêmio ‘Inspiração’ por sua contribuição para música pesada.

Este ano, a banda coloca no mercado o 14º trabalho, The Plague Within, que traz características de diferentes fases da carreira, inclusive, retomando forte influência do death metal que marcou o início da carreira. Isso, sem deixar de fora o lado sombrio do gótico/doom. O novo trabalho é uma coleção de composições que surpreenderá os fãs. É um miasma monocromático de hinos mórbidos edificantes e de melancolia, revelando uma dor que nasce da própria condição humana e de suas mentes frágeis que lutam para lidar com um mundo dominado por demônios.

“É fácil considerar faixas como ‘No Hope in Sight’ algo completamente negativo. Mas, não é necessariamente assim. Isso depende de o quão confortável você está consigo mesmo. É uma perspectiva desagradável, mas, ironicamente, conforme vou ficando mais velho, estou menos preocupado com a morte. Em alguns dias livres preenchidos por notícias ruins, mal-entendidos, mentiras e mortes sem sentido no mundo, eu poderia apenas dar boas-vindas a isso”, revela o vocalista Nick Holmes.

Produzido por Jaime Gomez Arellano (Ghost, Ulver, Cathedral) no estúdio londrino Orgone Studios, o disco é carregado de poderosos riffs que combinam perfeitamente com a euforia agridoce do vocal de Nick, que transita por belas melodias e rosnados assustadores. É um registro orgânico que contempla as atribulações da luta solitária na escuridão, mas que caminha por um novo terreno excitante e genuíno. “Como de costume, quando começamos a compor, partimos do zero. Depois de 14 discos pode ser complicado saber por onde começar, mas, mesmo que seja uma memória distante, a melhor opção é pensar naquilo que curtíamos quando adolescentes”, explica o vocalista.

É a paixão pelo que faz que elevou o Paradise Lost para os mais altos escalões do som pesado. Com uma formação duradoura e estável – algo raro atualmente – a criatividade apresenta-se de forma coletiva. É uma dedicação mútua para criar algo que não sucumbirá ao tempo. A busca constante por independência criativa pode muito bem ser o segredo do sucesso do grupo que, hoje, além de Nick, conta ainda com Greg Mackintosh (guitarra), Aaron Aedy (guitarra), Steve Edmondson (baixo) e Adrian Erlandsson (bateria).

O Paradise Lost é uma banda que se sacrifica pela música, sangra e sofre por sua arte de maneira que faz alguns artistas modernos se envergonhar. Saindo do caminho tradicional para evitar fórmulas prontas do passado, o conjunto escolheu a estrada menos viajada para se aventurar. Certamente, algo para se orgulhar.

ANATHEMA e PARADISE LOST
Local: Opinião (Rua José do Patrocínio, 834)
Classificação etária: 14 anos
Quando: 7 de setembro (feriado), segunda-feira, 20h

Cronograma
19h – abertura da casa
20h – PARADISE LOST
22h – ANATHEMA

Ingressos
Primeiro lote: R$ 99,00
Segundo lote: R$ 120,00
Terceiro lote: R$ 140,00

HotPass: R$ 40,00
– O HotPass dá direito a entrar 30min antes de a casa abrir para os demais clientes. Quem adquirir o passaporte deve estar na entrada do Opinião às 18h (sem necessidade de entrar na fila) para ter acesso liberado às 18h30min.
– A compra do HotPass não vale como ingresso para o show.

Pontos de venda:
Online: www.ticketbrasil.com.br (em até 12x no cartão)

Lojas
Sem taxa de conveniência: Youcom – Bourbon Wallig, 3º piso. Fone: (51) 2118-1186.

Com taxa de conveniência de R$3,00:
Youcom – Bourbon Ipiranga, 1º piso. Fone: (51) 3204-5210.
Youcom – Shopping Praia de Belas, 3º piso. Fone: (51) 3206-5530;
Youcom – Barra Shopping, térreo. Fone: (51) 3206-5423.
Multisom – Andradas Rua dos Andradas, 1001 | loja 01/02. Fone: (51) 3931-5283.
Multisom – Shopping Canoas (AV. Guilherme Schell, 6750), loja 69/70 | Centro. Fone: (51) 3941-6211.
Multisom – São Leopoldo (Rua Primeiro de Março, 821), loja 204 | Centro. Fone: (51) 3952-1310.
Multisom – Novo Hamburgo (Av. Nações Unidas, 2001), loja 1002 e 1003 | Centro. Fone: (51) 3951-2212.

– A organização do evento não se responsabiliza por ingressos comprados fora do site e pontos de venda oficiais.
– Será expressamente proibida a entrada de câmeras fotográficas profissionais e semiprofissionais, bem como filmadoras de qualquer tipo.

Informações
Abstratti Produtora
(51) 3026-3602
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