Apanhador Só aposta nos novos caminhos de distribuição da música para lançar seu surpreendente LP de estreia

O nome cruza J. D. Salinger e Caetano Veloso e o som vai da psicodelia ao xaxado – é melhor não tentar rotular o som da banda gaúcha Apanhador Só. O primeiro disco do grupo, homônimo, já está disponível na internet e nas lojas.

O ato de lançar um álbum parece extravagante nos dias de hoje, em que o consumo de música passa cada vez mais pelos computadores e cada vez menos pelas lojas de discos. Mas é um movimento coerente com a trajetória da Apanhador Só, surgida em 2006 – ano em que lançou virtual e fisicamente o EP Embrulho pra Levar. Claro que a trupe lançou mão da internet para divulgar suas músicas durante todo esse período, e isso não mudou agora – o álbum pode ser baixado de graça no site www.apanhadorso.com, na íntegra ou com as 13 faixas separadas. Curioso é que, segundo a banda, o número de downloads do disco inteiro é bem maior que o das músicas individuais – sinal de que o disco de estreia realmente trouxe novas perspectivas.

– É como se a banda subisse um degrau. Um álbum gera, de alguma forma, uma mudança na tua credibilidade junto a público, imprensa, festivais – analisa o vocalista e guitarrista Alexandre Kumpinski. – E a gente cresceu muito como banda gravando o disco.

Kumpinski, Felipe Zancanaro (guitarra), Fernão Agra (baixo) e Martin Estevez (bateria) também estão divulgando seu CD com apresentações em cidades como São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba – praças que a Apanhador Só já visitou.

– Sair da tua cidade para fazer show é essencial. É importante saber que em São Paulo as coisas também não são fáceis, apesar de lá ainda existirem mais oportunidades pra uma banda crescer do que aqui. Também é importante saber que a cena de rock independente no Rio é muito mais fraca e desorganizada que a de Porto Alegre – compara Kumpinski.

O disco teve financiamento do Fundo Municipal de cultura da capital gaúcha.– A maior parte da galera (das bandas) trabalha pra se sustentar e leva a banda em paralelo. O mercado hoje está lindo por essa liberdade que tu tens. Por outro lado, está difícil, porque não está se sustentando economicamente. Ninguém está ficando rico com música, não os independentes. Quero acreditar que algum dia teremos um mercado mais sólido à disposição – analisa Kumpinski.

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