Apanhador Só faz shows em São Paulo

Dona de um dos discos mais elogiados do ano, a banda Apanhador Só foge à regra. Além de fazer música pop inteligente, com produção esmerada – artigo raro, tanto nas gravadoras quanto no mundo independente –, o quarteto de Porto Alegre se desvencilha do rock gaúcho para se identificar com o que de melhor tem sido feito no cenário musical brasileiro. O grupo é uma das atrações nesta quinta-feira (14) do festival Frente Fria, em São Paulo, no Sesc Consolação, e na sexta, na Livraria da Esquina.

A história da banda começou há quatro anos, quando tudo aconteceu muito rápido. Depois do lançamento do EP Embrulho pra Levar e uma vitória no Festival Trama Universitário, eles se viram abrindo shows de Maria Rita no Rio e na capital paulista para milhares de pessoas. Apesar do burburinho na imprensa local e do entusiasmo, a bolha murchou rapidamente. Foi meio doído, lembra o vocalista e guitarrista Alexandre Kumpinski, em entrevista ao iG. A gente teve um pico de emoção, mas éramos muito novos, nem tínhamos material para trabalhar. Atos isolados normalmente não te levam a lugar nenhum e voltamos à nossa realidade.

De lá para cá, o grupo foi contemplado com a verba de um fundo da Prefeitura de Porto Alegre e se dedicou às gravações do álbum do estreia, que duraram mais de um ano. Foi mais longo do que a gente imaginava e queria, mas aconteceram alguns imprevistos e todo mundo trabalha ou estuda além da banda, conta Alexandre.

Com produção de Marcelo Fruet, o trabalho acabou tirando vantagem da demora – os arranjos ficaram fluídos, lapidados e a criatividade veio à tona através de instrumentos pouco usuais: pato de borracha, grelha de churrasco e furadeira são exemplos de uma lista que, ao invés de causar estranhamento, se integra ao som que o Apanhador Só almeja. No final de tudo, a gente percebe que foi bom ter demorado, para amadurecer. Na mixagem, no verão de 2010, entendíamos muito mais o disco do que quando ele foi gravado.

Bem, e que som é esse? Rock gaúcho definitivamente não é. Ninguém sabe explicar direito, mas todo mundo compreende que o rock gaúcho se tornou um gênero, um gênero no qual a gente não se insere. Já a mistura de rock com música brasileira não é nenhuma novidade, tanto que as comparações da banda com Los Hermanos são insistentes, talvez até demais. O vocalista entende que o grupo de Marcelo Camelo e Rodrigo Amarante é um marco moderno por ter reavivado essa tendência, mas se perde em meio a uma esquizofrenia que aglutina rock com guitarras, samba, eletrônica e Clube da Esquina.

Na ponta da língua, nomes como Pélico, Bazar Pamplona, Banda Gentileza e Lucas Santtana revelam uma identificação com o atual mundo indie e que sugerem, de fato, uma cena. As influências, no entanto, de um grupo que no início da carreira tocava covers de Beatles e Chico Buarque em versão power trio são díspares demais. É música popular com espírito aventureiro, como eles se apresentam. Para resolver o problema servem os ensaios, onde Alexandre, principal compositor, apresenta as versões iniciais das canções, e também os colaboradores – no total, dez parceiros participam do disco, os mais frequentes Ian Ramil (filho de Vitor e sobrinho de Kleiton & Kledir) e o poeta Diego Grando.

Liberado na íntegra no site oficial, o álbum homônimo acumula até agora 7,5 mil downloads desde abril, e a média permanece estável com o passar das semanas. Ainda sediado em Porto Alegre, o Apanhador Só lança em breve seu primeiro clipe, gravado ao vivo no Teatro Renascença, na capital gaúcha, e vai continuar viajando pelo resto do país para divulgar a estreia – até agora, já foram duas miniturnês. Sozinhos, eles não estão.

Serviço – Apanhador Só em São Paulo

Sesc Consolação, Festival Frente Fria
Quinta-feira (15), às 19h30
Rua Dr. Vila Nova, 245, Vila Buarque
Entrada franca
Telefone: (11) 3234-3000

Festa Confraria Pop
Sexta-feira, a partir das 23h
Livraria da Esquina
Shows de Apanhador Só e Nevilton
Ingressos: R$ 15
Telefone: (11) 3392-3089
Apanhador Só faz shows em São Paulo

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