Após cinco anos, RPM volta ao Rio Grande com nova formação e clássicos da carreira

Banda se apresentou na festa Balão Mágico, em Novo Hamburgo / XEM & BETAELY

O RPM é uma banda que sofreu muito com seus hiatos. Foram pelo menos quatro pausas na carreira (contando a formação de 1992): anos 80, anos 90, 2004 e 2017. Tanto é que, mesmo com 36 anos de estrada, conta com apenas seis álbuns lançados (fora alguns EPs e singles). Tudo isso mostra como, mesmo com o sucesso comercial e de crítica, o grupo pouco conseguiu render junto.

Atualmente a banda está com uma conjuntura diferente: dos quatro membros originais, um deles faleceu recentemente. O baterista P.A. nos deixou aos 61 anos. Outros dois membros da banda (Luiz Schiavon e Fernando Deluqui) tocam o RPM com dois novos membros (Kiko Zara e Dioy Pallone). Enquanto isso, Paulo Ricardo está partindo para uma turnê comemorativa do álbum Rádio Pirata.

Até aqui você compreende o status quo de uma das maiores bandas dos anos 80. Agora vamos para o que interessa. Em 24 de agosto, após cinco anos da turnê Elektra no Rio Grande do Sul, o RPM voltou ao estado – desta vez em Novo Hamburgo – para apresentar a nova turnê da banda, que já conta com dois singles (‘Escravo da Estrada’ e ‘Ah, Onde Está Você’) e está trabalhando em mais quatro canções.

Uma coisa precisa ser destacada: a naturalidade de todos é muito importante e a presença de palco deles também. O show foi repleto de homenagens, seja a amigos como Ultraje a Rigor, Ney Matogrosso e Lobão; como também ao saudoso P.A. Além disso, teve um setlist intenso, que contemplou músicas de todos os álbuns (com exceção do Elektra, que sempre contava com ‘Dois Olhos Verdes’ e ‘Muito Tudo’).

A naturalidade que eu citei anteriormente é um dos pontos altos. Dioy Pallone e Fernando Deluqui dançam pelo palco e dividem os vocais como se tivessem feito isso a vida toda. Luiz Schiavon segue sendo o maestro disso tudo e o novo baterista também é muito bom, apesar de o sentimento de saudade do P.A. ainda ser muito grande para todos que estão no palco.

No quesito homenagem ao passado da banda e divisão dos vocais, está tudo muito bom. Me surpreendeu muito ouvir o Fernando Deluqui cantando ‘London, London’ e a versão para shows de ‘Escravo da Estrada’ ficou bem legal (apesar de eu preferir o outro single lançado). Agora as apresentações e solos dos músicos ocorrem dentro dela e não em ‘Rádio Pirata’, como na última turnê.

Como muitos puderam ver, o show tem 01h30 de duração e não houve bis (talvez por existir uma festa após a apresentação), mas isso é muito bom. Com exceção de duas ou três músicas que podem ter feito falta – sempre terá alguma que a gente queria ouvir e não teve (no meu caso foram ‘Muito Tudo’, ‘Rainha’ e ‘Partners’) –, o setlist tem um saldo positivo.

Tecnicamente, as luzes e o som estavam muito bons (apesar de que um bom teste só ocorrerá em espaços que estejam acostumados com eventos deste porte) e houve apenas um problema técnico na bateria antes do show começar. As vozes também estavam muito boas e o talento de Dioy como vocalista é de se parabenizar (ainda mais pela responsabilidade de substituir um dos fundadores da banda).

Porém, o que me deixou feliz é que tem espaço para que as novas músicas (eles anunciaram recentemente que estão gravando mais quatro) entrem naturalmente nas apresentações ao vivo. O show pode ganhar mais 10 ou 20 minutos ou ainda serem retirados alguns covers para que a gente conheça mais do novo RPM. Tudo isso mostra a liberdade que a banda está tendo neste atual momento.

por Guilherme Wunder

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