Artistas aprendem a usar a Internet para mostrar seu trabalho

Quando a rede social musical Last.fm anunciou, em março, que passaria a cobrar de quem quisesse ouvir as 7 milhões de faixas disponíveis na rádio online, houve chiadeira de internautas, e a estratégia foi postergada por tempo indefinido. É que novos hábitos surgiram da forma como a música invadiu a web, por vias legais ou não. – As pessoas estão um pouco mal-acostumadas, sabem que encontrarão música na rede. A qualquer tentativa de cobrar, migram para outra fonte que ofereça de forma gratuita e/ou melhor – opina o professor de comunicação da PUCRS André Pase. A cada mês, 6 milhões de brasileiros escutam canções só na rede social MySpace, segundo o diretor-geral do serviço no país, Emerson Calegaretti. Há 5 milhões de bandas com perfil no site – 170 mil nacionais. – Artistas e gravadoras estão buscando maneiras inteligentes para não só promover melhor o seu trabalho como também gerar novas receitas em torno de shows, publicidade, conteúdo para celular, etc. – afirma. O cantor gaúcho Nei Lisboa, 50 anos, optou por oferecer ele mesmo todas as suas músicas, gratuitamente, no seu site (www.neilisboa.com.br). O internauta só precisa baixar um programa (chamado de Webvitrola) para ouvi-las via streaming. Com a plataforma, Nei pretende também oferecer trechos de shows e até vídeos caseiros, feitos em seu computador. A ideia é divulgar o trabalho, avisar sobre apresentações e até soltar trechos de músicas que está compondo para um novo disco, obtendo, assim, retorno da audiência. O artista chega a pagar taxas ao Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) para garantir que tudo fique dentro da legalidade. Só não oferece as faixas para download devido aos direitos das gravadoras: – Vários discos meus voltaram ao catálogo por causa do MP3. Ele alcança um público maior e inusitado. Estou buscando um caminho como todo mundo está. Querer enquadrar quem baixa música é fora da realidade, além de ser de mau gosto. Além das canções, uma edição especial pode ser um diferencial para atrair o consumidor para a compra, diz Pase, da PUCRS. Outro exemplo são as faixas para o game Guitar Hero, em que há valor agregado: – Coloca não só a música, mas a chance de a pessoa se sentir uma estrela do rock. Para o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Disco, Paulo Rosa, a música digital, via internet e telefonia móvel, está se tornando um dos principais canais de distribuição, mas irá conviver com os formatos físicos tradicionais como CDs e DVDs. Que o diga a analista de desenvolvimento web Tatiane Vargas: – Até hoje não paguei por música na internet. O que faço é ouvir online em serviços gratuitos ou mesmo baixar. Mas, se realmente gostar, vou à loja e compro o CD. Também é verdade que, em outros paí­ses, há mais variedade de lojas virtuais e de catálogos. E que é muito mais fácil baixar uma música da web do que arriscar a usar do cartão de crédito em sites de compras. – É impossível negar que muitos não querem pagar. Mas há uma parcela que quer. A melhor maneira de combater a pirataria é oferecer alternativas de consumo legais – conclui o diretor de novos negócios da Sony Music Brasil, Cláudio Vargas.

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