Banda gaúcha Chimarruts lança seu quinto disco, Só pra Brilhar

Nos anos 2000, bandas gaúchas como Papas da Língua, Reação em Cadeia, Fresno e Cachorro Grande conquistaram exposição nacional depois da consagração nos palcos do Sul. A representante regueira dessa turma é a Chimarruts, que agora apresenta seu quinto álbum, Só pra Brilhar, no ano em que completa 10 anos de estrada.

Sucesso no Estado desde o disco de estreia, de 2002, a Chimarruts é hoje nome consolidado no cenário do reggae brasileiro. Uma reputação construída aos poucos, mas afirmada com mais força desde 2007, ano em que o octeto lançou o disco Ao Vivo, gravado em Curitiba – comprovando a popularidade da trupe fora do Rio Grande. Com o hit Versos Simples disseminado pelas rádios do Sudeste, a banda intensificou os shows em outros Estados. Especialmente no interior de São Paulo, território de festivais e eventos voltados ao reggae – gênero em que a banda foi a vencedora na última edição do VMB da MTV.

– Mas não temos tocado só para os regueiros – adverte o vocalista Rafa Machado. – Conseguimos transitar entre outros públicos também. Andamos tocando em eventos com Exaltasamba e Belo, por exemplo.

Rafa lembra que o surgimento do grupo coincidiu com uma onda de popularização do reggae, no início da década passada.

– Quando começamos, todo mundo da minha idade ouvia reggae. O Legend (coletânea de Bob Marley) tinha sido relançado, eu ouvia em fita cassete. Hoje, é bem menos. Muitas bandas não seguiram, o reggae é um pouco mais underground agora. Nós conseguimos ficar – comemora o vocalista de 29 anos.

Completa por Tati Portela (voz), Sander Fróis (guitarra e violão), Nê (flauta, harmônica e sax), Diego Dutra (bateria), Emerson Alemão (baixo), Rodrigo Maciel (guitarra) e Vini Marques (percussão), a banda se prepara para estrear o show do novo álbum em São Paulo, no Citibank Hall, no próximo dia 8. A concorrida agenda deverá reservar uma data para Porto Alegre, onde moram os integrantes, a partir de setembro.

Rafa admite que, de estudante que tem uma banda, transformou-se em músico profissional. Mas jura que isso não mudou muito a personalidade dele, nem dos colegas de grupo.

– Quando começamos, eu era colega de colégio do Emerson. Hoje somos profissionais, mas pessoalmente somos os mesmos. Isso é o que a gente tenta disfarçar na hora do marketing – ri o cantor.

Chimarruts: da raiz ao suingue

O reggae é um dos gêneros musicais que atrai paixões mais extremadas – uns o têm quase como uma religião, outros o rejeitam logo aos primeiros acordes de guitarra no contratempo. Este Só pra Brilhar, que a Chimarruts acaba de lançar, parece querer suingar entre um terreno e outro – e muitas vezes consegue –, unindo a influência jamaicana às propriedades melódicas da canção popular.

Não que essa seja uma receita inédita, muito menos uma proposta explosiva. O clima do disco, aliás, está bem mais para uma tarde ensolarada na praia do que para uma noite enfumaçada na danceteria. É na direção do sol e das ondas que caminha o primeiro single, Do Lado de Cá – que tem entre seus autores um nome promissor da música de Porto Alegre, a cantora e compositora Gisele De Santi, também presente na criação de outras duas canções, Pergunto à Lua e Outono.

As releituras são Meu Erro, dos Paralamas, e Dia Especial, do Cidadão Quem – a primeira, com guitarra do autor Duca Leindecker, é a que funciona melhor. Entre oportunas intervenções do naipe de metais, o disco passa também pelo ska, mais suingado (Luz e Vida) ou mais roqueiro (Presente de Deus). Sem um refrão mais marcante – como a banda já fez em sucessos como Iemanjá e Chapéu de Palha –, Só pra Brilhar pode não despertar emoções mais intensas, mas também está longe de ser uma audição incômoda.

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