Bidê ou Balde

É de conhecimento geral (ou pelo menos, do conhecimento de quem me conhece) o fato de que minhas bigornas (devidamente instaladas nas profundezas dos meus ouvidos) sempre vibraram com maior alegria pelos ritmos e melodias que emanam do lado mais NEGRO – e falo aqui de coisas como o dub, o rap e o jungle, e não do, digamos, doom metal ou de qualquer coisa vagamente gótica.

Todavia, bem como muitos contumazes apreciadores de cerveja, picanha ou limão eventualmente desenvolvem um improvável SWEET TOOTH, também possuo eu um QUINHÃOZINHO de meu coração sempre pronto para se comover com a estridência de guitarras ZURRANDO como cabritas, uma boa linha de baixo borbulhante e o TELECO-TECO contemporâneo e maroto obtido pelos melhores bateristas.

Em outras palavras: volta-e-meia, o bom e velho ROCK também me APRAZ.

Mas, para que me APRAZA (3ª pess. sing. pres. conj. de aprazer), esse ROCK precisa ter mais do que guitarras, baixo e bateria (e a resposta aqui não é sintetizadores, muito embora talvez pareça).

Esse ROCK precisa ter ALMA. Personalidade. Ser autêntico. Genuíno (por sinal, ótima palavra, genuíno).

Com tudo isso em mente, afirmo que mesmo contendo apenas cinco singelas musiquitas, este ótimo EP da Bidê ou Balde realmente me fez dar um EFUSIVO tchauzinho para a minha segunda-feira triste (todavia, não um adeus, posto que segundas-feiras sempre voltam; e normalmente são tristes). Está tudo ali: a batucada cheia de ROLADINHAS e deleixos GROOVE; o assobio metálico das guitarras, ora gorduchas e pesadas, ora agudas e esguias; as linhas de baixo extremamente safadas (visto que nem sempre é um baixo que as executa); e até os sintetizadores que, volto a alertar: não são a resposta, muito embora pareça.

O que mais aparece é justamente o que eu mais PREZO (e que é o mais PREZA, na minha humilde opinião): a ALMA.

Seja na fidelidade estética a um estilo muito peculiar (perceptível até mesmo na instrumental VVA Decomposto ou Tudo Funcionando Meio Jackson Five), nas letras encharcadas de uma ironia muito fina (Madonna e (Não existe lugar) Mais longe que o Japão) ou nos urros que parecem que vão ESTILHAÇAR a garganta do Carlinhos (principalmente em Me deixa desafinar), a Bidê ou Balde segue totalmente COERENTE ao seu som, aos seus princípios e ao seu JE NE SAIS QUOI.

Assim como em Tudo é Preza!, eu também quero que as canções modernas se tornem antigas no momento certo.

Todavia, por enquanto, elas ainda estão cheias das palavras certas.

Bidê ou Balde – Adeus, Segunda-Feira Triste – o release – por André Czarnobai, o Cardoso – que é ruivo.

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