Blog Remix: a produção musical do Rio Grande do Sul é muito maior, mais rica e interessante que aquela exportada

Pra mim, não foi preciso muito mais que um ano. Um ano para sacar que a produção musica de Porto Alegre _ e do Rio Grande do Sul _ é muito maior, mais rica e interessante que aquela exportada. Que o recorte que atravessa o Mampituba e chega até o resto do país é só isso mesmo, um recorte _ e, como tal, não retrata o todo. Mais: é um recorte muito pequeno esse, reducionista e preguiçoso.

Mas só fica nele quem quer. Só continua a acreditar que tudo é derivativo do mesmo caldo primordial ralo quem não clica além do play. Eu chamei, então, uma galera para provar que a música _ o rock, vá _ feito no RS vai muito, mas muito além do ié-ié-ié habitual.

Lembrando que é só uma amostragem _ muita gente boa ficou de fora, mas a caixa de comentários tem o mesmo peso que o post, por isso, sintam-se a vontade para naufragá-la.

A pergunta é simples e parte do seguinte pressuposto: se não existe mais cena, e sim pessoas fazendo música, do que essa música é feita?

Conheci o Buffalo Tom quando apareceram no programa My So Called Life (Minha Vida De Cão aqui no Brasil). Eles tocaram um trecho de Late At Night… e aquilo era tudo que eu tinha. E não era nem a música inteira. Eu nem sabia como era o início da musica, ou o segundo verso. E eu repetia aquilo, over and over and over… daí que encomendei o CD (errado né, porque não tinha como descobrir de qual CD era aquela música, não sabia nem o nome da musica!). E encomendei todos os CDs… e um pouco daí que me veio esse negócio de ir atrás de bandas diferentes, ouvir um CD totalmente desconhecido, importar discos, etc.

Buffalo Tom é o jeito que a música é, naturalmente, com aquela guitarra, aquele baixo e aquela batera. É simplesmente o jeito natural que um arranjo deve ser.

Até hoje eu escrevo minhas músicas em G D C, com o ocasional capo na terceira. E não consigo imaginar uma música sem backings. Escrevo a música, e o Chris Colbourn já vem cantando o backing ou o refrão junto na minha cabeça.

Gabi Lima, a Gru

O It’s All Red é a soma de 3 vertentes que nos interessam muito: o metalcore (de onde vêm os elementos mais marcantes do nosso som, como breakdowns, levadas hardcore e riff melódicos), o death metal da Flórida e Europa dos anos 90 e o rock “pós-alternativo” americano com pé no pop, que nasceu no fim do grunge.

Dentre as influências que contribuíram muito pra que a gente seja o que é estão os australianos do Parkway Drive, os americanos do Killswitch Engage (lugar comum quando se fala em influências para uma banda de metalcore), do All That Remains e It Dies Today, os suecos do In Flames e Soilwork, algumas bandas mais mainstream do cenário rock, como Live, Matchbox Twenty, Vertical Horizon, Our Lady Peace e Sevendust e até gente “indie” como o Butch Walker.

Luis Fernando Volkweis Filho, da Its All Red

Não teve uma banda que tenha me inspirado a montar a Worldengine especificamente. A idéia na época era poder desenvolver um som que não tivesse amarras nem estilo sonoro fixo. Mas com o passar do tempo, teve uma banda sim que se tornou referência do patamar de qualidade e criatividade que eu gostaria de atingir: Porcupine Tree. Especialmente pela capacidade do Steven Wilson de compor de maneira simples em termos de harmonias, mas incrivelmente complexa no trabalho de textura e produção.

No caso da Urso, teve uma banda sim que inspirou bastante, que foi o Pelican, e sua afinação dropped C, bem grave. Eu já planejava ter uma banda de post-rock ou post metal fazia tempo, e o Pelican meio que serviu de fio condutor para os membros do grupo encontrarem um lugar comum em suas influências.

Valmor Pedretti Jr., da Worldengine e Urso

Se tem um disco e banda que realmente influenciam os cinco cabras da Véspera é o Pearl Jam com o disco Ten. O disco se torna importante tanto pela função histórica (lançado na contra corrente da música feita na época. Muito mais preocupada com o cabelo, roupas e repetir o que zilhões de bandas já tinham feito…) quanto pela estética do álbum como um todo. Músicas guiadas por riffs fortes e inesperados, grandes melodias de voz e letras marcantes.  A produção e timbres do Ten têm influenciado diretamente na gravação do primeiro disco da Véspera.

Vino Ferrari, da Véspera

Eu era uma menina bem fofinha e serelepe até o Kurt Cobain aparecer na minha TV em mil novecentos e bolinhas.

O Nirvana tinha toda a energia que eu, na pré adolescência, queria soar/expressar: espontaneidade, sinceridade, raiva, tensão e tantas outras coisas viscerais que me tornaram fã incondicional até hoje.

E foi pela tara por Nirvana que logo cheguei à documentários como o Hype! e o Year Punk Broke que me apresentou bandas como Sonic Youth e Dinosaur Jr. (duas das principais influências da Loomer), TAD, Melvins, Mudhoney (principais influências da Hangovers), Babes in toyland, Hole e L7 (influências da Chickelets e da minha 1ª banda, extinta há anos, Madame Porque). Daí pra frente o tempo foi me apresentando os Pixies, Superchunk, Lemonheads (motivos pelos quais toco com a Gabi Lima na Gru) e tantos outros que me transformaram nessa “maníaca compulsiva” por bandas e entusiasta do que se chama de cultura underground.

Digamos que numa geração de pais que trabalham o dia todo, o Kurt Cobain foi minha “babá”.

Liege Milk, da Loomer e mais trocentas boas bandas

Eu comecei a tocar depois que ouvi Nirvana! Sou mais uma cria dos anos 90. Meu irmão comprou um violão bem na época do acústico do Nirvana e foi vendo Kurt Cobain fazendo seus acordes de potência que eu percebi que era aquilo que eu queria fazer: criar músicas que me ajudassem a dizer o que eu precisava. A principal influência da extinta Girlish (1995-2008) foi essa: a simplicidade do grunge com alguma coisa de surf music (amo as guitarrinhas cheias de chorus do Spy vs. Spy). Depois disso enveredei pro Pixies, Sonic Youth, Fugazi, Yo la Tengo e Low, as principais influências da Transmission (pelo menos da minha parte). Agora, na Badhoneys, estamos misturando a agressividade do grunge (não consigo fugir das minhas origens – nem quero!) com as linhas melódicas dos anos 80 (nosso baixista é fã incondicional do Peter Hook). O mais legal é isso, a mistura de influências e estilos de cada integrante, que ajudam a criar um som único com nuances do que já existiu. E obrigada, Kurt Cobain!

Giana Cognato, da Badhoneys e Transmission

Assim ó: desde piá eu sempre estive às voltas com música, devido ao meu irmão mais velho e seu bom gosto. O Kiss foi a primeira banda que me fez realmente querer tocar. Queria poder ser baterista dos caras e tocar em cima de um canhão. Porém, várias outras na seqüência me fizeram realmente ter vontade de correr atrás desde pequeno: Kiss, Iron, Beatles, Ramones, Sabbath, Led, Miles Davis, Metallica (sim… dos bons tempos), enfim.

Agora, três coisas realmente me impactaram para nunca mais voltar atrás nessa lance de “tocar e ter bandas”: a primeira é John Bonham. Ponto. A segunda foi o Kyuss; fiquei besta ouvindo o cd Blues For The Red Sun no repeat sem me mexer na frente do som pensando “preciso ter uma banda tão poderosa ou perfeita quanto essa um dia!”. A terceira é o fato de eu ter a benção de tocar só com gente boa, legal e amiga. Não consigo me imaginar tocando no “automático”, precisa ser divertido e precisa haver uma troca. Sempre tive isso nas minhas bandas, projetos e brincadeiras musicais.

Álcio Villalobos, da MESS

A Sargento Malagueta tem inúmeras influências de diversos estilos, mas se é para citar um só nome, com certeza esse nome é Jimi Hendrix. A influência do blues e do jazz no rock, a improvisação a formação de power-trio. Quando a gente escuta o Jimi Hendrix Experience a gente pensa: ” Cara, esse é o som. É isso o que gente tem que fazer!”

Fredi, da Sargento Malagueta

Hoje em dia se confunde muito influência com soar parecido, né? Acho que as principais influências da Campbell Trio vem dos escritos de gente como Noam Chomsky, Theodor Adorno, Herbert Marcuse, Michel Foucaut, Errico Malatesta, Hakim Bey, Max Horkheimer, Naomi Klein, Norman Finkelstein, Pierre Bourdieu, Raul Vaneigem, etc; da literatura de gente como Eduardo Galeano (que aparece no disco em um sample, recitando Pájaros Prohibidos), José Saramago (que foi homenageado em uma música), Henry Miller (que aparece em uma citação durante o disco), Anaïs Nin, George Orwell, Kobo Abe, etc: do cinema de Ingmar Bergman, Andrei Tarkovsky, Chris Marker, Theo Angelopoulos, Béla Tarr, Costa-gavras, Gillo Pontecorvo, Pier Paolo Pasolini, etc; da música de gente como John Coltrane, Milton Nascimento, Ornette Coleman, Charles Mingus, Thelonious Monk, Sun Ra, Moondog, Christian Scott, DJ Shadow, Public Enemy, The Roots, Gil Scott-Heron, Bob Dylan, Girl Talk, Radiohead, José Gonzalez, e, mais específicamente, dentro do punk o Policy of Three, Shotmaker, Torches to Rome, 16 Bullets, Fugazi, Jawbox, Ink & Dagger, The Microphones, Please Inform the Captain This is a Hijack, Navio Forge, Minor Threat, Bad Brains, Baader Brains, Swing Kids, Nation of Ulysses, Yage, etc; e todo o tipo de expressão artística original, criativa, de Escher a Banksy. É muita gente! Haha, mas todos eles tem em comum a busca pela liberdade, criativa e real, a ânsia de mover as coisas pra frente, evoluir, não se repetir, de se comunicar nos níveis mais elevados pra que se diminua as distancias entre nós, entre cada ilha. Essa necessidade de ser livre pra viver e criar, de se comunicar com o mundo e de andar pra frente, evoluir, é o que influência a Campbell Trio.

Diego, do Campbell Trio e Tricot

Tortoise (banda americana de post-rock) – Por experimentar novas possibilidades e sonoridades; Franz Zappa / Miles Davis / Robert Fripp (guit.King Crimson) – Pela criatividade, ousadia e inquietude; Steve Reich / Philip Glass (compositores minimalistas) – Por construirem/desconstruirem/reconstruirem conceitos; Karlheinz Stockhausen / John Cage (compositores contemporâneos) – Por me ensinarem que o silêncio e todos os sons podem ter um significado musical, e que “Desde que o homem existe teve música, mas também os animais, os átomos e as estrelas fazem música.”(Stockhausen). Genesis (banda rock prog.) – Me fizeram querer ser músico. Influência desde a infância até hoje; Rush (banda rock prog.) – Exemplo de como um trio pode ser auto-suficiente e criativo; Jimi Hendrix – Pela visceralidade e intensidade, e por re-inventar a guitarra; David Gilmour (guit.Pink Floyd) / George Harrison (guit.Beatles) – Pela sensibilidade e simplicidade; Clube da Esquina – Inovação e poesia na música popular brasileira.

Carlos Ferreira, da Quarto Sensorial

Jimi Hendrix / Jaco Pastorius / Flea – Pela livre expressão através da música; Hermeto Pascoal (compositor brasileiro) – Por me ensinar que TUDO pode vir a ser um instrumento musical; João Gilberto (compositor brasileiro) – Por me ensinar que o simples é o que há de mais sofisticado; Ben Harper / Bob Marley – Use sua música para transimitir algo bom às pessoas; Herbie Hancock (pianista/compositor jazz) / Victor Wooten (baixista) – Por me ensinarem que para ser um músico melhor é preciso ser uma pessoa melhor; Miles Davis (trompetista/compositor jazz) – Por me ensinar que para tocar um instrumento é preciso ter atitude.

Bruno Vargas, baixista da Quarto Sensorial

Once upon a time… Estava eu em casa lá por 1987… provavelmente jogando video game… quando um primo mais velho chegou com 2 K7s gravados pra mim de presente. Um era o Master of Puppets, do Metallica e o outro era o Back in Black, do AC/DC. A partir daquele dia, nada mais foi igual. Fui estudar guitarra com o Luciano Reis, guitarrista da Viana Moog, anos depois. Quem não me conhece direito deve estar se perguntando: Pô.. mas a L.A.B. não é oitentista, synth pop, frufru eletrônico? Calma. Eu explico. Naquela época as coisas não eram assim por dizer, segmentadas. Antes disso, eu já tinha ouvido o Low-Life do New Order, B-52, Depeche Mode, (em vinil, claro.) etc… por intermédio de outro primo. Logo começaram as festinhas, e eu botava som pra gurizada. Só coisa fina, com 2 pratos fuleiros, um monte de vinis arranhados e K7s. Guardava todo dinheiro que ganhava pra comprar vinil. Comprei o Never Mind the Bollocks, do Sex Pistols, o London Calling, do Clash, o Singles, do Depeche, o Substance, OMD, PIL, Bomb the Bass, alguns Smiths, etc. Fui finalmente estudar guitarra. Óbvio, eu não tinha guitarra. Consegui um violão emprestado. Nessa época, saiu o Nevermind. Comprei ele em vinil, no dia que em chegou na loja. Aposentei e troquei todos os discos mais dançantes que eu tinha, por AC/DC, Metallica, todos do Slayer, Dead Kennedys, Circle Jerks, passando por Genesis, Mutantes, Atheist, Sadus, Cheiro de Vida… Comecei a escutar muito rock clássico, progressivo e peso. E tirar os discos inteiros. Tocava muitas horas por dia. Toquei em várias bandas. Guitarra e baixo, até então. Cantei em algumas. Há pouco tempo… em 2008, descobri os instrumentos virtuais. Vi que com um tecladinho e um computador, dava pra tocar com todos aqueles sintetizadores clássicos, Moog e afins, de Keith Emerson, Jon Lord, Pink Floyd a Brian Eno, Depeche Mode, Chemical Brothers… A coisa começou a ficar interessante. Até então, pra mim e para boa parte do mundo, sintetizadores eram inacessíveis e inatingíveis. Mas agora dava pra baixar na web e sair tocando. E ainda por cima, dava pra gravar! Assim nasceu a L.A.B., em 2009.

Danilo, da L.A.B.

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