Canja Rave lança segundo disco festejando sucesso alcançado em países como EUA e Canadá

Três meses rodando entre EUA e Canadá (passando por duas dezenas de Estados em 60 apresentações), um disco produzido e lançado por lá, participações em festivais, clipe sendo gravado em Buenos Aires, premiações diversas e o Canja Rave está de volta a Porto Alegre. Mas por pouco tempo: dupla com vocação internacional, Paula Nozzari (bateria, percussão e teclas) e Chris Kochenborger (guitarras) só vieram avisar que estão de disco novo e partem para novo giro gringo.

Badango, o segundo trabalho autoral da banda, sintetiza corpo, alma e intenções da Canja. Foi gravado em Detroit, onde já é considerada “da casa” pela imprensa local, no estúdio do produtor Jim Diamond (responsável pelos primeiros discos dos White Stripes). Lá, utilizaram somente instrumentos e aparelhos analógicos das décadas de 1950, 60 e 70, garantindo a sujeira presente nas nove faixas registradas ao vivo e em fita magnética.

E tudo sempre num único take:

– Para Jim, repetir a mesma canção ou apenas um trecho dela inúmeras vezes com o intuito de corrigir pequenas imperfeições não faz o menor sentido, por isso, gravamos todo o disco em apenas cinco dias e a mixagem e masterização ele fez em apenas dois – relata Paula.

Mantida a crueza garageira, mantido também o espírito algo engraçadinho/nonsense que paira sobre a maioria das letras. É preciso abstrair rimas como “Respeitem o xerife de Xangri-Lá / Ele não vai te dar colher de chá” (Xerife de Xangri-Lá), “Vou rimar ão com ão / Fazer uso capião” (Badango) ou “Na montanha-russa, roda roda gira gira / Vive na gangorra, esfarela perde a linha” (Rodopia Milho) e o timbre entre Belchior e Louis Armstrong forçado por Chris.

O que obviamente não parece ser um problema para o mercado internacional. Desde meados de 2008, quando começaram a excursionar e acabaram por estabelecer singular relação com Detroit – capital dos protopunks Stooges e MC5, que inspiram a Canja – a dupla fez cinco turnês internacionais e tem uma sexta engatada. Nesse tempo, participaram dos festivais South By Southwest, Liverpool Sound City, DFest e Blowout.

– Não sei se somos mais aceitos lá fora, mas no Exterior temos tido mais oportunidades. Em alguns países podemos tocar todos os dias, o que infelizmente é impossível aqui no Brasil – lamenta Paula.

O sucesso é palpável: a primeira tiragem de Badango em CD (o trabalho inclui versões também em vinil e possibilidade de download via iTunes) esgotou-se rapidamente durante o giro pela América do Norte. Por aqui, a decolagem ainda não aconteceu da mesma maneira. Mas eles não se dão por vencidos.

– Continuremos na tentativa de consolidar a Canja Rave também no Brasil, mas sempre de malas prontas para onde as portas estiveram abertas – diz a baterista.

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