Cerco, O

ONDE TUDO COMEÇOU Tudo começou em Porto Alegre. O jovem baterista Marcelo Presser juntamente com o não tão menino Eduardo Cescani resolvem, depois de algumas apresentações caseiras, formar uma banda. Começam a ensaiar algumas músicas próprias em alguns estúdios de Porto Alegre. “Éramos o exército de dois soldados sós”, lembra Eduardo. “Sempre sonhei com a idéia de tocar em uma banda. A gente não passou de algumas apresentações familiares. Era o momento de cair na estrada mesmo”, revela Marcelo. POWER TRIO E A PRIMEIRA APRESENÇÃO O Colégio Piratini organizou uma semana comemorativa em homenagem ao seu aniversário. Alguns estudantes resolveram fazer um happening musical. Os dois “soldados” esbarraram no baixista Guilherme Moraes e decidiram participar da festa. Foram a última banda a tocar para um público de não mais de dez alunos. “O Guilherme tocou muito, que acabou com o show”, se diverte Marcelo. O fato é que logo na segunda música a caixa do baixo estourou fazendo com que o show acabasse mais cedo (aliás, bem mais cedo). O QUARTO ELEMENTO Na semana seguinte um colega do Eduardo, da Escola de Criação, o guitarrista Juliano Gutheil começa a ensaiar com a banda. “O Juliano tocava com os Altofalantes e já tinha um CD gravado. Nos conhecemos na Escola de Criação. Já tínhamos tocado juntos sem compromisso. É o cara de mais estrada”, conta Eduardo. Com a entrada de mais um guitarrista “o cerco” foi fechado. O CERCO Antes mesmo da banda estar formada já havia uma pesquisa de nomes. “Tínhamos pesquisado mais de 250 nomes para banda. Por falta de opção ficamos com O CERCO”, revela Eduardo. Na verdade o nome O CERCO tem um significado de ação; operação militar de cercar algo ou uma cidade. Segundo Eduardo o que também contribuiu para a escolha do nome: “É a idéia de força e de unidade. Fazer o cerco aos inimigos, a maldade humana, a mentira…”. “Quando criei a logomarca da banda pensei em algo que passasse ação, força, ameaça e um pouco de medo”, completa Juliano. O ESTILO DE MÚSICA Sempre que se apresenta uma banda logo vem a pergunta: qual o estilo musical? Talvez essa seja a grande porta de entrada de algumas bandas no show-business. Hard-Core, Emo, Pop, Heavy Metal, Punk, Progressivo todos estão ligados ao rock. “Eu nunca consegui conceituar o gênero do nosso som. A gente faz rock”, conta Marcelo. “Eu tive uma banda de Metal e outra de Punk(…) no final das contas o que prevalece é o rock”, explica Juliano. “Não faremos da música um apartheid. O rock é uma imensa variedade de estilos desenvolvidos”, completa Eduardo. Com uma sonoridade mais pesada e uma pegada de atitude as músicas próprias do O CERCO passam por vários gêneros do rock. As letras não poderiam ser diferentes. Refletem a realidade humana. Falam sobre comportamento humano, violência urbana, questões sociais e crise do sistema. As composições não servem de respostas para nada mas, são apenas perguntas que andam um tanto esquecidas. “Nossas músicas querem dizer algo ao público. Não queremos levantar a bandeira da rebeldia dando tiro pra tudo que é lado. As letras são a nossa válvula de escape para a angústia que vivemos. Não queremos falar apenas da namorada que traiu o namorado. Queremos falar sobre alguns problemas sociais que nos incomodam mesmo, queremos refletir sobre o comportamento humano (…) fé e esperança em dias melhores, violência e solidão são temas que gostamos de falar. Hoje em dia é muito fácil fazer sucesso (…) basta usar uma gravatinha no pescoço, vestir um bermudão folgado, colocar uma distorção na guitarra e ficar chorando pela namorada perdida (…)”, diz Eduardo. A banda faz questão de mostrar suas influências musicais como diz Juliano. “Foo Figthers, Audioslave, Red Hot Chili Peppers, Jet, além dos clássicos Beatles, Stones, Led Zeppelin, The Who e por aí vai”. “Acho que a gente não tem muito esse cacoete e até mesmo qualidade, de imitar as grandes bandas”, completa Eduardo. “Nosso estilo é próprio mesmo. Utilizamos dos vários gêneros de rock. Não entramos nessas de rótulos”, finaliza Guilherme. O PRIMEIRO FESTIVAL Depois de alguns ensaios surgiu o primeiro festival para O CERCO participar. O ritmo da banda era outro. As músicas próprias apareciam com força nos ensaios da banda. Festival dos Pampas seria o primeiro desafio dos quatro soldados do rock. Acertada a participação da banda no Bar Dissonante. Foi a primeira vez que a banda se sobe num palco. Para um público mais alternativo O CERCO não faz feio. Mesmo com os problemas técnicos na última música (estourando a caixa de guitarra) chega em 1º lugar empatado com outra banda (que tocava a cinco anos juntos) e classifica-se para a grande final no Bar Opinião. No mesmo palco onde pisaram bandas como Sepultura, Paralamas do Sucesso, O Rappa, Barão Vermelho, Titãs, entre outros, O CERCO, toca no Bar Opinião. E, mais uma vez, os guris não fizeram feio. Das 20 bandas que participaram O CERCO chega em 2º lugar. “O Festival dos Pampas teve a inscrição de 92 bandas, nas fases classificatórias (…) a maioria das bandas tinham mais de dois anos de estrada (…) nós entramos sem nenhuma esperança (…) queríamos é fazer um bom show. No final chegamos em 2º lugar(…)”, declara Juliano. “Tínhamos a informação de que não iríamos ganhar nada. Ficamos esperando o resultado do Festival por curiosidade. Para nossa surpresa o apresentador chamou O CERCO para receber o prêmio de 2º lugar. Eu olhei para o Eduardo e disse: ele falou O CERCO?”, conta Marcelo. “A gente quase não acreditou quando eles nos chamaram(…)”, diz Guilherme. O FUTURO Com força total a banda O CERCO planeja um 2006 de muito trabalho. Ensaios, festivais e apresentações em Porto Alegre e no interior do Estado estão na agenda desses soldados do rock. “Queremos tocar e mostrar o nosso trabalho”, revela Juliano. Está na mira da banda o lançamento, ainda neste ano do primeiro CD DEMO. “Músicas próprias é o que mais temos. Algumas inclusive já pré-produzidas”, conta Marcelo. A banda O CERCO quer se diferenciar da multidão, quer buscar o seu espaço na música. Sempre em frente e na direção do sol. “O importante é que adoramos aquilo que a gente faz”, revela Guilherme. “Nós acreditamos no sonho e sabemos muito bem o que queremos. Não estamos na estrada para pedir força de fulano ou beltrano. Queremos mostrar o nosso trabalho fazendo música”, finaliza Eduardo. A banda O CERCO é formada por Eduardo Cescani (voz e guitarra), Marcelo Presser (bateria), Guilherme Moraes (baixo), Juliano Gutheil (guitarra e vocal).

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