Charles Master lança segundo CD solo

por GABRIEL BRUST Charles Master tinha um cachorro que não lhe obedecia. Ele era como o dono, só fazia o que queria. A dupla tomou rumos diferentes e, em seu segundo disco solo, o cantor manda avisar – aos fãs, aos ex-colegas de banda e até ao famigerado cachorro louco que o tornou conhecido – que não se contenta em viver das glórias do passado. Mas o passado, para Charles, permanece vivo como uma sombra que acalenta e, ao mesmo tempo, atormenta. Aos fãs, ele dedica a segunda canção do disco Ninguém é Perfeito, chamada Andam Espalhando Por Aí Que Eu Não Sou Mais Eu. O cantor explica: – A galera cobra muito aqueles sucessos das antigas. Querem que eu faça Cachorro Louco de novo. Mas a gente nunca é igual a um ano atrás. Aquelas músicas faziam parte de outro momento da minha vida. Para os ex-colegas do TNT, Charles tem o discurso – afiado – na ponta da língua: – Os caras que tocavam comigo estão aí lotando o Opinião com as minhas músicas do passado, e eu estou fazendo coisa nova. O recado, neste caso, tem endereço certo: a banda Tenente Cascavel, formada por ex-integrantes do TNT e do Cascavelletes que se reuniram para celebrar os anos 80. Foi este apego ao passado, segundo Charles, que selou o fim definitivo do TNT, após o retorno com o disco TNT Ao Vivo (2003). O disco seguinte, Um Por Todos ou Todos Por Um (2005), realizado para cumprir contrato com a gravadora, deixou claro que, como nos anos 80, Charles olhava para um lado e o restante da banda para outro. – Talvez a nossa história não tenha dado certo porque eu trabalhava mais e os caras queriam ganhar o mesmo. Hoje, quando se fala em TNT, associam a Charles Master. Não me incomodo, porque eu mereço ser recompensado pela preocupação que eu tive na época. Pelos momentos que eu deixei de lado, de fazer uma festa ou algo mais pessoal, para ficar fazendo uma música que eu sabia que, quando gravasse, ia virar de todos – exorciza Charles. Se o passado pessoal permanece cheio de questões mal resolvidas, o presente artístico de Charles Master é de experimentação e realização. Sozinho, ele deixa transparecer seu lado mais pop, menos apegado à ortodoxia do rocknroll tão cobrada pelos fãs. Ninguém é Perfeito traz parcerias com o hip hop de Piá, em Na Minha, e com o reggae de Armandinho, em Outra Noite que se Vai. O disco ainda fecha com a tradicionalista Querência Amada, de Teixeirinha – Sou eclético e acho que, com esse trabalho, fiz do jeito que eu queria. A bagagem roqueira nunca vou deixar. Rock não é um andamento ou uma coisa que a gente tenha que impor. É comportamento – define.

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