Como Viver de Música? Como fazer pra divulgar o seu Trabalho?

Conversando com Vários Músicos, Produtores e Diversos Artistas pelo Rio Grande do Sul, a preocupação é sempre a mesma, Como Viver de Música? Como fazer pra divulgar o seu Trabalho? A META 53 do Plano Nacional de Cultura diz que 4,5% de participação do Setor Cultural no PIB deveria ser investido na Cultura, mas a realidade ainda é BEM LONGE DISSO. Alternativas foram encontradas,  bons exemplos de como fazer seu trabalho aparecer por iniciativa própria. Vamos a eles:

A BANDA QUE FEZ FINANCIAMENTO COLETIVO PARA GRAVAR UM DISCO

Financiamento Coletivo, ou Crowdfunding, é a arrecadação de dinheiro através de várias fontes de financiamento, onde pessoas compram “cotas” de seu projeto (Disco, Tour, DVD, etc… ) e podem ou não ganhar benefícios de acordo com o valor contribuído, no exemplo de disco gravado ( R$10,00 –Cd / R$20,00-Cd e Camiseta / R$30,00- Cd, Camiseta, Adesivo.  R$100,00-Todos os itens anteriores mais o nome na lista de agradecimentos do disco. etc…)

Flanders 72

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Crédito: Divulgação

Viram exemplos de Financiamento coletivo, que rolam no Brasil e Exterior, e resolveram tentar o projeto para gravar seu disco “Dummyland”, durante meses podemos acompanhar na Internet o esforço e a divulgação da banda para conseguir o feito, que superou as expectativas, mas a banda conta aqui como tudo rolou:

1. Quando surgiu a idéia do Financiamento Coletivo? Quando fizeram (data )e pra que trabalho foi?
Tivemos essa ideia do financiamento coletivo pois vimos várias bandas daqui e da gringa fazendo e dando certo, Já estávamos gravando nosso segundo disco Dummyland, sucessor do South American Punk Rockers de 2011, quando resolvemos apostar nisso.

Além de, claro, conseguir a grana para lançar o disco, isso seria um baita teste de popularidade, ver se a galera apostava na gente mesmo! Para o vídeo da campanha, tivemos o grande apoio do Duda Calvin e o Rafael Malenotti, que ajudaram a dar credibilidade para o projeto. Somos muito gratos aos dois!

2. Alcançaram a meta proposta?
Queriamos R$3.500 para bancar o restante das gravações, mas no final conseguimos mais de R$4.000, o que nos surpreendeu muito e nos encheu de gás para terminar o disco!

3. Como foi a experiência de fazer uma ação destas? Ajudou a captar e também a divulgar mais a banda? Já que é um evento de praticamente postagens diárias.
Foi muito positivo! Foi legal ver a galera vestindo a camiseta da banda, batalhando junto com a gente pra divulgar ao máximo! Eu ficava quase 24h por dia divulgando, atualizando e também ensinando os apoiadores como proceder.

4. A Internet é a principal fonte de divulgação das bandas hoje em dia. A Flanders faz alguma outra ação fora o meio digital? Qual? (se faz) Qual o resultado?
Olha, acho que nossa divulgação é toda na internet mesmo, de vez em quando rola alguma matéria em jornais, revistas ou um som que toca na rádio, mas é a internet nossa principal ferramenta.Organizamos um festival numa praça no bairro onde eu nasci, na Feitoria em São Leopoldo, mas pelo prazer de fazer um som com a gurizada, tu mesmo já participou em uma edição que foi muito legal!

5. Qual o próximo projeto da banda? Pensam em outra experiência com financiamento coletivo?
Claro! Nosso próximo projeto é uma tour fora do Brasil que estamos analisando ainda e também gravar nosso terceiro disco no final do ano.

6. Site/face/twitter da banda.
O site ta em manutenção.. hehehe
Facebook: www.facebook.com/flanders72
Twitter: www.twitter.com/flanders72
Bandcamp: www.flanders72.bandcamp.com

Dingo Bells

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Crédito: Danilo Christidis

1. Apresentem a banda.
A Dingo Bells é uma banda formada por 3 amigos de infância que cresceram fazendo música juntos. Ao longo dos últimos dez anos, lançamos um EP de seis músicas, 3 videoclipes, abrimos o show do Television, do Ringo Starr, tocamos no Japão e em festivais pelo Brasil. Atualmente, estamos gravando nosso primeiro disco, viabilizado pelo público através do financiamento coletivo.

2. Quando surgiu a idéia do Financiamento Coletivo? Qual é o trabalho, como vai fuincionar a gravação e a prensagem? Previsão de datas?
A ideia do financiamento coletivo surgiu em outubro do ano passado (2013), quando começamos a fazer o planejamento para a produção do nosso primeiro disco e vimos que poderia ser uma boa iniciativa de aproximação com o publico e de viabilização do projeto, que é custoso. Nosso disco terá 11 músicas inéditas e se chamará “Maravilhas da Vida Moderna”. Atualmente estamos no meio do processo de gravação, que começou no início de março desse ano. Gravamos uma parte dos instrumentos em um sítio em Viamão e o restante estamos gravando no Estúdio 12, do Marcelo Fruet, que é o produtor musical do álbum. Ele será lançado em CD em um encarte com formato especial, de 23cmx23cm, com 4 capas intercambiáveis. A previsão de lançamento é para o segundo semestre de 2014.

3. Alcançaram a meta proposta?
Sim, ao final da campanha atingimos 120% da meta inicial, que era de R$ 20.000,00. Ao todo, foram quase 300 apoiadores cadastrados no site.

4. Como foi a experiência de fazer uma ação destas? Ajudou a captar e também a divulgar mais a banda? Já que é um evento de praticamente postagens diárias.
Foi uma experiência muito positiva, definitivamente. O ‘crowdfunding’ exige que a banda produza conteúdo de imagem e som constantemente para alimentar as redes sociais e para manter o público interessado. Dessa forma, a banda precisa estar pensando em ações o tempo todo, o que acaba aproximando e despertando o interesse das pessoas.

5. A Internet é a principal fonte de divulgação das bandas hoje em dia. A Dingo Bells faz alguma outra ação fora o meio digital? Qual? (se faz) Qual o resultado?
Durante a campanha, vimos que as ações na rua e que o contato direto com as pessoas ainda tem um poder maior que o mundo virtual, que também é indispensável. Fizemos shows em galerias de arte, na Redenção, em algumas festas, montamos uma intensa agenda de imprensa para que o projeto chegasse às pessoas das mais diferentes formas e ainda colamos cartazes e distribuimos flyers em diversos pontos da cidade.

6. Qual o próximo projeto da banda? Pensam em outra experiência com financiamento coletivo?
No momento, estamos focados na gravação do disco e na entrega das recompensas do financiamento coletivo. No entanto, a experiência foi tão positiva que certamente no futuro devemos propor algum outro projeto desse tipo.

7. Qual a maior dificuldade enfrentada hoje no Cenário Musical pra Dingo Bells?
A maior dificuldade hoje está na circulação. Encontrar lugares que priorizem a música autoral, que tenham a estrutura necessária para shows e que consigam remunerar as pessoas envolvidas. O Brasil é um país muito grande e circular com um show com toda a equipe que ele demanda é caro. Como a cultura de consumo de música autoral aqui é fraca, a circulação é muito difícil hoje em dia.

8. Site/face/twitter da banda
www.dingobells.com.br
www.facebook.com/dingobellsoficial
www.twitter.com/dingobells
[email protected]

A BANDA QUE FOI PRA RUA TOCAR A SUA MÚSICA

Conjunto Bluegrass

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Crédito: Ricardo Lage

Cida Pimentel é a Produtora do Conjunto Bluegrass, que certamente você já deve ter visto os Rapazes em ação se já  passou numa Sexta-Feira  pela Esquina Democrática ou Domingo pela Redenção, eles são autônomos, produziram seu show e seu disco e conseguiram as liberações necessárias para poder levar a sua arte pra rua.

Como proceder para ser um artista de rua Legalizado?
Cida: A pessoa Vai  no SEBRAE faz os procedimentos para abrir uma empresa como micro empreendedor, depois consegue os alvarás junto a prefeitura para colocar seu trabalho nas ruas, leva em torno de 15 dias as liberações.

Muita Gente Já Passou pelo Conjunto Bluegrass, qual a atual formação?
Marcio Petracco (bandolim) Heine Wentz (violino) Ricardo Sabadini (violão) José Baronio (baixo)

Vocês gravaram e estão vendendo seus discos de forma independente, como funciona?
Cida: Sim, vendemos nas nossas apresentações nas ruas, duas vezes por semana, o disco custa R$15,00 e em 5 anos já chegamos a 15.000 cópias vendidas.

Próximos Projetos?
Cida: A Banda está lançando o disco novo, que vai estar a venda nos shows, ou quem quiser contratar o show ou comprar o disco pelo facebook pode contatar diretamente .

Contatos.
www.facebook.com/BluegrassPOA ou www.facebook.com/cida.pimentel

O CARA QUE MONTOU UM BAR PARA TOCAR

Genesis Araújo, Banda ABSIRTO

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Crédito: Divulgação

Genesis Araújo tem uma banda, chamada ABSIRTO que luta ativamente pra fazer a cena musical acontecer em Portão, sem muitas opções de espaço para shows na cidade, resolveu montar o seu  próprio bar, que está se tornando um espaço de referência na região.

Como foi montar um bar em Portão?  
Bom, Portão sempre foi ,pelo menos a uns 5 anos atrás,uma cidade do Rock. De uns tempo pra cá isso foi se perdendo. A ideia de abrir o bar foi justamente pra unir o pessoal novamente, e ter onde fazer um som sem grandes custos. A experiência está sendo válida, aos poucos o pessoal vai conhecendo o espaço,Bandas mandando Material querendo tocar no bar. Quem sabe, Portão volte a ser um templo do Rock, e de eventos culturais dos mais diversos. É pra isso que estamos trabalhando.

Ajudou a divulgar mais teu som autoral?    
Na verdade minhas composições vieram a tona somente aqui em Portão, desde 5 anos atrás, época em que me mudei pra cá. Tive uma boa receptividade, então ali no Miró La Bodega, minhas músicas sempre foram bem recebidas, principalmente no meu trabalho SOLO. Não saio compondo a reveria, ao longo desses 15 anos tocando na noite, foram mais de 150 letras, sendo que só comecei a tocá-las nos 5 últimos, e diga-se de passagem, bem esporadicamente. Mas ter um bar, potencializa esse lance de “arriscar” o som autoral. Ser intérprete é tri, dar a tua intenção a música, mas conseguir arrancar aplausos e uma boa crítica com som autoral é muito mais foda.

Como um músico autoral consegue se defender no mercado hoje em dia?
Faça um single, um hits, uma única música que for, que emplaque, mídia visual, youtube e por aí vai. Acho que quem está sobrevivendo bem da música no Brasil em geral é assim, desde o Axé, ao Rock na Roll, claro que tem muito trabalho por trás disso,mas não tem mais aquela coisa de arriscar fazer um cd inteiro ,e colocar pra vender e “pum”, pronto. A pirataria é um troço esquisito, por exemplo: O CD do “Zé” estourou, tem músicas tocadas pelo Brasil inteiro, mas foram lá e piratearam o CD do “Zé”, o pessoal não vai comprar o disco original porque os impostos sobre a Mídia e aquisição desse CD custam caro pro consumidor. “ Pegar da internet “ é bem mais cômodo e barato. Por outro lado, isso obriga o artista a sair do estúdio e ir  fazer Shows, por isso a importância de fazer uma boa música, um bom vídeo e atingir o máximo de pessoas possível, para que seu último recurso seja bem sucedido, que nada mais é do que levar o consumidor da sua música, pros seus Shows ao vivo.  Os espaços estão aí, se destaca mais quem consegue parceiros e patrocinadores dispostos investir nesse ou naquele artista. Quem sofre mais com isso é o cenário Undergroud, ou bandas independentes, porque achar patrocínio, apoiadores e quem invista nessa cena é um pouco mais complicado, até mesmo pela realidade musical  e cultural do Brasil. Músicas relâmpago, estouram 3, 4 meses( quando muito ) é isso que investidor quer, retorno rápido, composições fracas de melodia e conteúdo, mas que venda. Enquanto o cenário Undergroud priva a qualidade Sonora e letras com conteúdo expressivo, poético e sociocultural. Se ta difícil pra alguém, com certeza a cena Undergroud ta um degrau “abaixo” para sobreviver no mercado atual.

Quantas vezes tu toca em média por semana?
Ser Presidente de uma associação de Rock, Presidente do Conselho Cultural do Município de Portão, ter uma Produtora, ter um Bar  e ainda por cima ser músico, é foda. Estou tocando em Média de 2 a 3 vezes Por Semana,é o que consigo conciliar com o resto

Portão está mostrando, graças a luta de vocês, uma força com relação a música, tu nota isso nas cidades em volta?   
Nosso empenho, esforço e dedicação estão sendo recompensados. Estamos ganhando espaço e sendo reconhecidos por isso! Mas ainda é pouco, quero colocar Portão num patamar competitivo, quero que seja um ponto de referência para grandes Shows, e que Bandas independentes queiram vir fazer som aqui.

Em relação a outras cidades, Novo Hamburgo e São Leopoldo aqui no vale dos Sinos, vejo um grupo fechado, onde é difícil de entrar, virou quase que um  Cartel de Bandas com os Bares. Acho que isso é mais culpa das bandas do que propriamente dos donos de bar , geralmente são bandas que não vivem só de música, que tocam por diversão, cobram barato, e por consequência conquistam o “coração” dos empresários noturnos.  Eu já comprei muita briga com muita gente, por uma causa chamada “ ROCK AND ROLL” e nela engloba todos músicos e amantes da música que queiram mostrar o seu som e fazer música, sem “puxação” de tapete, apenas no talento e vontade de tocar.

É só acompanhar as críticas em geral e ver que isso não é implicância ou “rixa” de cidade, me baseio no processo em si, e não das pessoas que dificultam tal acesso. Mas alguém tem que começar uma mudança, uma revolução,consequentemente esses  são os mais criticados, é o que vem acontecendo comigo. Consegui um espaço em São Leopoldo, e vou levar bandas de toda a região pra tocar  num festival, que ainda por cima vem com uma campanha séria de arrecadação de AGASALHOS. O festival acontecerá dia 15/06 com 4 bandas e dia 27/06 com 3 Bandas.Enviei um projeto pra Prefeitura de N.H. para utilizar a Praça do Centro para um grande evento com bandas independentes, e recebi um “ gostamos do teu projeto,venha aqui pessoalmente falar conosco “. Então, já que as parcerias não surgem lá dentro das cidades, eu vou atrás, e graças ao meu e o nosso trabalho como Associação Rock de Portão, vamos levar mais música e mais cultura aí pela região do sinos. Um movimento do  ROCK SEM PANELAS, do ROCK PELO ROCK e com ações sociais.  Os Rockrs devem se organizar,  é isso que estamos tentando fazer como associação e também amantes do Rock e da boa música.

Projetos para o ano que vem?
Então, Nosso projeto é lançar EP’s, pra ganhar consequentemente mais espaço, sair das interpretações apenas, e ir pro autoral de Cabeça, fazer um vídeo bacana, trabalhar em cima de divulgação e esperar os contatos  para Shows. Enquanto isso eu como músico, faço meus  trabalho solo, de interpretação e autoral.

Mais Exemplos nas próximas Edições.

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