Comunidade Nin-Jitsu arrebenta em festival no Recife

Revigorante. Foi como o vocalista Mano Changes, da Comunidade Nin-Jitsu, resumiu a bombástica apresentação do grupo gaúcho, que encerrou o Rec-Beat na madrugada de hoje no Cais da Alfândega, no Recife Antigo. Com 15 anos de carreira consolidada no Sul, foi a primeira vez que eles tocaram não só na cidade, mas no Nordeste. Melhor estreia não se previa para essa banda pioneira no Brasil na mistura de funk ao estilo carioca com rock pesado e rap.

Mano, Fredi Endres (guitarra e programações eletrônicas), Nando Endres (baixo) e Gibão Bertolucci (bateria) suaram muito a camisa, mas com canções de alto poder de combustão, letras cheias de bom humor e safadeza sexual, em outro sentido nem precisavam se esforçar muito para se dar bem com a galera do gargarejo que berrava junto com eles em coro ensandecido músicas como Detetive, Atividade na Laje, a fusão de Come As You Are, do Nirvana, com Rap da Felicidade, de Cidinho e Doca, e principalmente Ah! Eu Tô Sem Erva, no grande final.

Como disse Mano, eles estavam ali para trazer diversão, com tesão de tocar e ainda tendo a honra de ser o head-liner de todo o festival.

— O melhor elogio que a gente recebeu foi quando disseram que a gente é uma banda de show, não de disco —, disse o vocalista no camarim, visivelmente satisfeito com o resultado do show, bem como todos da banda.

Foi uma das apostas mais certeiras de Antônio Gutierrez (o Guti), mentor e diretor do Rec-Beat, que sabia do potencial festivo do pancadão sonoro da banda.

A ótima qualidade dos equipamentos de som do Rec-Beat propicia às bandas botarem mais pressão nos shows. Isso faz muita diferença, como já se viu em shows de Lucas Santtana, Renegado e a dupla belga Madensuyu, no ano passado, e este ano com Baiana System, Guizado, Thalma de Freitas, Criolina e Comunidade Nin-Jistsu.

Thalma, aliás, surpreendeu a todos com seu novo projeto solo, puxado para o rock. Como o quarteto gaúcho, ela é uma artista de palco e fez questão de desmentir que esteja gravando disco. Não é o que interessa para a atriz-cantora, que impressiona pela magnética atuação. Um dos melhores momentos de todo o festival foi sua interpretação de Dê Um Rolê, clássico dos Novos Baianos, na noite de terça. Além de canções recentes como Água (Kassin), Thalma incluiu outras pérolas dos anos 70: O Caminho do Bem (Tim Maia), Alfomega (Caetano Veloso) e Grilos (Erasmo Carlos), que caíram muito bem em sua voz potente.

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