Conexão Vivo MG encerra com pop inteligente do Apanhador Só

Domingo no parque: enquanto o coletivo Família da Rua, que realiza batalhas de MCs embaixo de um viaduto em Belo Horizonte, apresentava, à partir das 15h, seu rap em um dos palcos do Conexão Vivo, o restante do Parque Municipal era tomado por famílias e crianças que aproveitavam um dos tradicionais pontos de lazer da cidade, fosse na roda gigante do parquinho ou em pequenos barcos a remo de um dos lagos. Esta é uma das características positivas do Conexão Vivo. Ao longo de três finais de semana, o festival ocupa diversos pontos da cidade, extrapolando a barreira musical e criando laços com a população.

Além do rap do Família de Rua, o domingo (20) teve dois grandes destaques musicais. Fechando a noite, os paulistanos do Bixiga 70 mostraram porque são um dos principais nomes da crescente cena de afrobeat brasileira. Com um naipe de sopros afiado e uma cozinha precisa e com o suingue necessário, eles até comandaram um trenzinho no meio do público. Pena que o público não fosse maior. Ao final da apresentação, eles ainda dedicaram a música Balboa da Silva ao rapper Emicida, que fora detido na mesma Belo Horizonte no domingo anterior (13), por desacato à autoridade, durante um show.

Já o Apanhador Só mostrou porque é a melhor banda da cena de rock gaúcha atual. Prestes a lançar um compacto produzido por Curumin (Paraquedas), o quarteto exibe, a cada nova apresentação um show mais maduro. As boas canções da estreia homônima ganham peso graças à habilidade do baterista Martin Estevez, um dos melhores da sua geração. Mas, mais do que isso, a banda se sente completamente à vontade para brincar e mudar os arranjos originais das músicas.

O expediente foi amplamente utilizado no EP Acústico-Sucateiro, lançado em 2011, em que eles tocavam com panelas, sacos plásticos e toda sorte de instrumentos diferentes. Não que o show traga as bugigangas ao palco, mas a experiência parece ter trazido frescor à ótimas composições sentimentais de Alexandre Kumpinski. De tempos em tempos, aparece uma banda fazendo pop inteligente pronto para as massas no cenário independente. Cada vez mais parece ser a chance e a vez do Apanhador Só.

Antes do Bixiga 70, os paulistanos do Garotas Suecas fizeram um show morno, mas competente, com sua conhecida mistura de jovem guarda e soul que incluiu até uma cover (desnecessária) de Não Vou Ficar, de Tim Maia, idêntica à versão de Roberto Carlos. O ponto alto do show foi quando a tecladista Irina Neblina assumiu o vocal na bonita Sunday Night Blues.

Mesmo se caracterizando pela qualidade da curadoria, o Conexão Vivo ainda viu alguns shows fracos no domingo. A paulista Aeromoças e Tenistas Russas é mais uma banda a fazer rock instrumental, mas sem personalidade. Já os baiano d’O Círculo reúnem tudo que de pior foi feito no pop rock dos últimos 20 anos no Brasil com letras pseuso poéticas que não funcionam. Também da Bahia, a cantora Manuela Rodrigues se perdeu nas inúmeras covers – de Natiruts a Tom Zé, passando por Rita Lee – e seus agudos exagerados. Ainda assim, comemorando 12 anos em sua terra natal e sem medo de ousar, o Conexão Vivo provou que é um dos principais eventos de aposta na nova música brasileira.

A etapa mineira do Conexão Vivo continua no sábado (26) e no domingo (27), na Praça do Papa, também em Belo Horizonte, com shows como Volver, Dibigode, Metaleiras da Amazônia e Orkestra Rumpilezz.

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