Edu Meirelles se prepara para lançar seu primeiro trabalho solo

Capa do EP "Na Linha Reta" / Divulgação

Um dos principais instrumentistas gaúchos, o baixista Edu Meirelles, se prepara para lançar seu primeiro trabalho solo. Com forte inspiração nas trilhas sonoras de filmes Blaxploitation, o álbum “Escambo” traz 11 composições de Edu acompanhado por um time de músicos que poderiam formar um verdadeiro All Stars da música do estado. O trabalho será lançado pela Loop Discos, e o primeiro single, “Na Linha Reta“, estará disponível em todas as plataformas segunda-feira. Para a campanha de divulgação, Edu irá reutilizar caixinhas de CDs usadas e devolvê-las para o público com uma cópia com o trabalho de estreia.

Cinema, desde o princípio foi imagem em movimento e som. Mesmo ainda quando imagem e som não dividiam o mesmo suporte físico, músicas já eram executadas ao vivo, acompanhando as imagens que eram projetadas nas primeiras salas de cinema. Desde então a música para cinema evoluiu, porém, sempre vivendo às sombras das histórias que ajudava a contar. Os maiores filmes da história são lembrados pelo enredo, diretores e atores. A trilha sonora nunca ganhou o mesmo status. Mas como para toda regra, sempre existem as exceções. Talvez você lembre de trilhas clássicas como Saturday Night Fever, um dos casos em que a trilha sonora é tão conhecida quanto o filme, mas nada se compara ao movimento cinematográfico conhecido como Blaxploitation. Blaxploitation foi um movimento cinematográfico marcado pela inclusão do negro americano na cadeia produtiva do audiovisual. Enquanto para alguns o pretexto era valorizar a comunidade afro americana, muitos encararam o movimento como uma exploração econômica da cultura negra.

Essa discussão dá muito pano pra manga e não é esse o tema desse texto. O que podemos afirmar é que o Blaxploitation deixou um legado de trilhas sonoras maravilhosas, que são muito mais legais do que os próprios filmes em que elas estavam inseridas. Por isso nós lembramos de Superfly, como um disco do Curtis Mayfield. Lembramos de Trouble Man como um disco de Marvin Gaye e não como um filme. O mesmo vale para Together Brothers de Barry White, Black Caesar de James Brown, Shaft de Isaac Hayes e muitos outros.

Edu Meirelles é um dos principais instrumentistas da cena gaúcha. Com seu baixo já dividiu estúdios e palcos com os principais nomes da música no estado, como Acústicos e Valvulados, Garotos da Rua, Solon Fishbone, Mutuca, Bebeco Garcia e Gustavo Telles e os Escolhidos. Atualmente, toca com Luciano Leães & The Big Chiefs, Fernando Noronha & Black Soul e Alemão Ronaldo, além de ter integrado a banda de Rock Instrumental de grande relevância no Brasil, a Pata de Elefante, com quem gravou e fez turnês por todo Brasil e também outros países da America do Sul. Em sua carreira, Edu participou de inúmero festivais no Brasil, destacando-se o Mississipi Delta Blues Festival (RS), o Bourbon Folk & Blues Ilhabela (SP), Lençois Jazz & Blues Festival (MA), Ibitipoca Blues Festival (MG), Festival Blues Londrina (PR). Fora do estado e do país, Edu também já tocou com nomes importantes do blues como Eddie C. Campbel (Chicago), Larry McCray (Arkansas), Dave Riley (Detroit) e, Tia Carrol (California), Whitney Shay (California), Willie Walker (Minnesota), entre outros. Como instrumentista, a carreira de Edu Meirelles sempre esteve fortemente conectada ao rock e blues. Mas os arranjos das trilhas do Blaxploitation nunca sairam da cabeça do músico.

Porém, antes disso, houve um caminho musical a ser percorrido. O Rap foi como Edu chegou até as trilhas de filmes. Grupos como Thaíde e Dj Hum e, principalmente, Racionais Mcs, que ao longo da carreira sampleou em seus discos Marvin Gaye, Curtis Myfield , James Brown, entre outros, era o que o jovem músico curtia. “Alguns anos mais tarde, com acesso a internet, eu descobri que se tratavam de samplers e tudo isso fazia parte de um movimento chamado Blaxploitation”, conta Edu. Quando chegou a hora de compor seu primeiro trabalho autoral, foi nessas fontes que o artista foi buscar suas referências.

“A descoberta de uma possibilidade de fazer música que me aproximasse das minhas raízes (mesmo que tão longínquas) foi o maior incentivo para começar a pensar no disco. O conceito do trabalho surgiu a partir da vontade de fazer um disco com as coisas que eu sempre gostei de ouvir, coisas que me influenciaram a vida toda. A partir daí, as composições começaram a vir a tona de forma natural, era uma coisa que já estava intrínseca em mim. Comecei a criar os temas em cima de cenas de filmes que eu havia assistido, cenas que eu inventava na cabeça, um personagem ou até mesmo uma situação que vivi ou testemunhei.”, comenta Edu.

“Escambo” é o título do álbum que será lançado pela Loop Discos e foi gravado no Estúdio IAPI, produzido por Vicente Guedes e mixado e masterizado no Estúdio Mubemol por Gilberto Ribeiro Jr. Acompanhando Edu nas gravações está um time de músicos que poderiam muito bem formar o RS All Stars: Ronie Martinez, Alexandre Papel Loureiro, Diego Silveira, Cristiano Bertolucci, Gabriel Guedes, Daniel Mossmann, Mauricio Nader, Leonardo Boff, Murilo Moura, Luciano Leães, Vicente Guedes, Felipe Santos, Diego Stolfo, Tonho Crocco, Julio Rizzo, Ronaldo Pereira, Alexandre Ferreira, Leandro Rodrigues, Bruno Nascimento, Joca Ribeiro, Rodrigo Siervo, Mateus Mapa e Julio Porto. O primeiro single do trabalho é “Na Linha Reta” e estará disponível em todas as plataformas a partir de segunda -feira, dia 28/08. Na sequência, dia 22/09 sai o álbum. Já o show de lançamento será dia 05/10 no Ocidente, dentro da programação do projeto de música instrumental “Boca fechada não entra mosca”.

Junto do lançamento digital, “Escambo” também ganhará versão física através de CD. Mas não é exatamente um CD padrão… Em parceria com a Loop Discos, Edu Meirelles lançará a campanha #ESCAMBODOEDU, que surgiu da vontade de reutilizar caixas acrílicas de CD abandonadas e transformá-las em um produto, novamente. Edu está arrecadando essas caixinhas de CD que serão utilizadas como o revestimento do seu trabalho de estreia, dando vida nova para as caixinhas de CDs esquecidas nas estantes dos seus fãs.

Nas palavras de Gustavo Telles, “Escambo tem uma concepção muito bem definida e é surpreendente!”. Com um groove sólido e esbanjando classe nos arranjos, Escambo é um disco fundamental. Seja para os amantes do funk clássico americano da década de 70, que buscam artistas contemporâneos que trabalham para preservar e levar adiante o estilo, ou, para os que buscam músicas com energia e swing para colocar nos seus playlists dançantes, Escambo é o disco perfeito.

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