Entrevista exclusiva com LETHAL SENSE

Lethal Sense / Divulgação

Hoje conversaremos com um dos principais nomes do Metal Extremo gaúcho e um dos primeiros a se intitularem ‘Rotten Death Metal’, o LETHAL SENSE. Com mais de 20 anos de carreira e uma discografia de peso, o grupo fala um pouco mais sobre sua história, atuais e futuros projetos e muito mais, confira agora:

Primeiramente, muito obrigado por esta entrevista, é muito gratificante poder estar falando com uma banda tão rica historicamente falando. Vamos lá, faça uma breve biografia do LETHAL SENSE, como e quando começou? E fale um pouco da atual formação.
Marciano: Olá! Primeiramente queremos agradecer pela oportunidade de falar um pouco sobre o Lethal Sense.

No final de 1997 eu (Marciano) e os irmãos Dutra (D.D e Ander) encerrávamos as atividades na banda Methysa, a segunda banda de metal da história da nossa cidade, e não queríamos parar de fazer o som que era o combustível que impulsionava nossas vidas. Então, em janeiro de 1998, depois de conversarmos com alguns amigos e fazermos alguns ensaios sem compromisso algum, decidimos tornar o negócio sério e chamamos o Miro, que nos acompanhava há anos para fazer o vocal.

No início de 1999, lançamos a demo tape “Morbid State”, com cinco sons gravados de forma bem tosca. No ano de 2000, chamamos nosso irmão e guitarrista Tissão, que era um cara que nos acompanhava desde 1994 e inclusive ajudou a escolher o nome da banda em um domingo típico da serra gaúcha, regado a muito vinho. Com esta formação começamos a compor os sons que mais tarde estariam na demo “Succulent Rests Of Human Flesh”. Para esta demo, investimos em equipamentos para gravação em nossa própria sala de ensaio (que existe até os dias atuais). Logo após as gravações, Tissão deixa a banda, mas continua ao nosso lado até hoje.

Em 2002, trabalhamos no lançamento do nosso primeiro EP, intitulado “Crushed Brains”, onde a temática abordou desde canibalismo, sangue, violência, até a mutilação de corpos. Este trabalho foi o mais Splatter da banda, e graças a esta demo este rótulo perdura até os dias atuais.

Já em 2004 o grupo passa por mais uma mudança em sua formação, onde o Anderson deixa a banda e em seu lugar entra Carlos Zanella, que trabalhou na gravação do EP “Lethal”, lançado oficialmente em 2006. Até 2010 a banda trabalha em alguns sons, mas antes de gravar outro álbum, o então baixista Marciano também deixa o Lethal Sense, substituído por Gustavo Rodrigues, e com este line-up é registrado o EP “The Trip”, que chegou às mãos do público no ano de 2012.

Em 2016, já com Luci na guitarra e Toxina no baixo, é lançado o CD “Toxic Zombie”, onde são gravados 10 sons, mas apenas cinco músicas são lançadas. Em 2017, Miro, Marciano, Anderson e Douglas, os quatro integrantes fundadores, unem forças novamente com o intuito de resgatar a essência Lethal que originou o grupo.

As bandas de Metal Extremo estão se espalhando com grande força por todo o país, tendo representantes em todas as regiões. Vocês sendo uma banda daqui do Rio Grande do Sul, como veem esse crescimento nesta região? E quais os principais nomes gaúchos da atualidade para vocês?
Marciano: O crescimento é constante, sempre que uma banda surge é certo que outras virão inspiradas em seus antecessores, é claro que a proporção é cada vez menor, pois as tendências e influências musicais vão mudando ao longo do tempo, mas aqui na região temos muito mais bandas do que antigamente, com mais qualidade e profissionalismo. Não é novidade para ninguém que nos conhece, nosso maior ícone por aqui é o Sarcastic, não só por que o som deles é extremamente original, tosco, podre, violento e que ao ouvir dá uma sensação de prazer absoluto, até indescritível, mas principalmente por que nos apoiaram desde o início, nos deram oportunidades que não temos até hoje, com 20 anos de banda. Nos dias atuais temos várias bandas dando os primeiros passos nos RS, Infected Sphere e Evilcult são bons exemplos, mas temos algumas bandas já antigas, que sabemos do seu potencial e que mais cedo ou mais tarde serão influências para muita gente: BloodWorks, Harmony Fault, Ossos, Rotten Penetration, Carniça, etc.

Vocês se sentem como uma referência no meio para outras bandas que admiram o trabalho de vocês?
Marciano: Sim, para quem admira nosso trabalho é certo que somos referência. Talvez para a maioria dos bangers, o extremo e o brutal seja a fórmula mágica do metal, mas talvez para quem gosta de um som mais cru e tosco esta seja a ideia de Death Metal.

Quais as melhores e mais latentes lembranças do início da banda Lethal Sense, em 1998?
Marciano: Com certeza as dificuldades de se manter uma banda de metal na época. Não era apenas uma questão de escolher um estilo e segui-lo, mas sim, de ter uma filosofia de vida, onde tudo o que fugia ao normal era taxado de estranho ou inconveniente pela sociedade em geral. Era difícil, mas eram as melhores coisas, saber que tudo que fazíamos era contra o que toda a massa achava conveniente. Hoje, se você tem uma banda de metal, usa uma camiseta de banda, tem cabelo comprido e tatuagem, pode conseguir um emprego normal, pode conviver com as pessoas naturalmente e terá o respeito de todos, pois esta característica estética, até os sertanejos tem (risos). Antigamente você era visto como marginal, seguidor do demônio e por aí vai, essa era melhor parte (RISOS).

Explique como se deu a volta dos quatro integrantes fundadores, Miro, Marciano, Anderson e Douglas?
Marciano: Mais ou menos em 2016, eu e o Anderson, movidos mais uma vez pela essência magica da região (diga-se, vinho tinto), falamos sobre um possível show de 20 anos da banda, no qual gostaríamos de participar, fazendo alguns sons. Depois disso, ouvimos o álbum gravado em 2016 e percebemos que aquilo não era de fato o Lethal Sense. Conversando com o Miro e o D.D. e chegamos à conclusão que somente nós quatro poderíamos reencontrar a essência podre que originou a banda.

Equipamentos e investimentos em geral para uma banda de underground no Brasil são grandes obstáculos, maiores do que no resto do mundo, e nesse momento de decadência no mercado fonográfico não possível se quer cobrir os gastos de gravação com a venda de CDs (salvo raras exceções) o que impulsiona o LETHAL SENSE a seguir com a suas atividades há 20 anos mesmo diante de tantas adversidades?
Marciano: Realmente nos dias atuais as mídias físicas estão cada vez mais sendo deixadas de lado, é muito mais fácil ter acesso aos artistas através do download, até mesmo pago, assinaturas de streaming de músicas e por aí vai. Não somente nós, mas todos que fazem músicas estão propensos a mais cedo ou mais tarde migrar para este tipo de mídia. Porém, o Lethal Sense nunca teve o objetivo de ganhar dinheiro com a música, o intuito único e exclusivo sempre foi fazer um som que gostamos para nossa diversão e isto torna a música mais natural, sendo que desta forma conquistamos vários fãs que nos acompanham fielmente, este reconhecimento é o que nos impulsiona a continuar firmes.

Quais as principais influências para vocês no mundo da música?
Marciano: Sempre ouvimos coisas alheias, cada um vem de uma formação musical diferente antes da formarmos a banda, rock, blues, metal e por aí vai. Mas durante o período em que estamos tocando juntos temos praticamente os mesmos gostos musicais, Slayer, Cannibal Corpse, Carcass e Napalm Death são bons exemplos de influências que temos, mas não dedicamos nosso tempo a ouvir somente isso. Ouvimos diversos estilos de música, temos um pensamento em comum de que se a música é boa é para ser ouvida, independente do estilo musical.

Como estão os projetos para um futuro álbum? Já possuem material preparado para ele?
Marciano: Após o retorno desta formação em agosto de 2017, começamos a trabalhar em um repertório para shows e assim buscar um entrosamento maior, então focamos nas músicas antigas, além de resgatar um pouco a divulgação do nome Lethal Sense. Agora, a partir do segundo semestre, deixamos as apresentações ao vivo de lado e estamos mergulhados exclusivamente nos novos sons e nos próximos meses muitas novidades serão apresentadas.

E depois deste trabalho lançado, a banda pretende, enfim, chegar ao velho continente com uma turnê?
Marciano: Com certeza, já tivemos inúmeras propostas para que isto acontecesse, inclusive na América Latina, porém, algo sempre acabou dando errado. Todos temos nossos compromissos particulares, infelizmente não vivemos da música, fazemos por amor e por teimosia, e isso muitas vezes dificulta as negociações para uma possível turnê. Porém, quando retornamos com esta formação concordamos que está mais do que na hora de mostrarmos ao mundo do que somos capazes, com um bom material e um bom planejamento com certeza acenaremos para nossos irmãos lá do outro lado do planeta.

Agradecemos demais pela entrevista, e o espaço é de vocês para sua mensagem aos nossos leitores.
Marciano: Nós que agradecemos pelo espaço, não somente dado a nós, mas a todos que já o tiveram ou que o terão. Ao público queremos dizer que continuem ouvindo metal, não importa o estilo, ajudem as bandas comparecendo aos eventos, adquirindo material, divulgando os sons que curtem, não deixem o metal estrar em estado moribundo, pois só temos coisas boas dentro da cena, e nunca esqueçam que a união e o respeito entre todos é o que mais importa. Valeu aí!!

Lethal Sense é:
Miro – vocalista
Anderson – guitarrista
Marciano – baixista
Douglas – baterista

Contato para shows: [email protected]
Contato para assessoria de imprensa: www.sanguefrioproducoes.com/contato

Sites relacionados:
https://www.facebook.com/lethalsenseband/
http://lethalsense.com/
https://lethalsense.bandcamp.com/
https://sanguefrioproducoes.com/bandas/LethalSense/54

por Sangue Frio Produções

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