Frank Jorge e Júlio Reny no Garagem Hermética

Nesta quarta-feira, 23, a partir das 22h, o Garagem Hermética (Rua Barros Cassal, 386), em Porto Alegre/RS, recebe duas lendas vivas do rock gaúcho: Frank Jorge e Júlio Reny. Ambos mostram o melhor de seu trabalho solo: Frank Jorge & Banda e Júlio Reny & Os Irish Boys.

Ingressos no local a R$ 20,00. Os CDs e Livros de Frank Jorge e Júlio Reny estarão à venda no show.

Crocâncias ao Cubo: Frank Jorge Volume 3 (Por Jimi Joe)

Frank Jorge Volume 3 é mais uma boa safra de canções colhidas pelo pândego compositor e multiinstrumentista gaúcho no campo e lavoura da existência durante os cinco anos que separam este seu novo disco do precedente Vida de Verdade.

Praticidade e concisão são palavras chave no novo trabalho de Frank Jorge, mais de 20 anos dedicados ao rock. Qual um Paul McCartney redivivo, ele toca praticamente todos os instrumentos desse Volume 3, deixando baterias e percussões a cargo de Iuri Freiberger, co-produtor do disco junto com Rafael Ramos. As influências jovemguardianas/beatlemaníacas/sessentistas se espalham pelo disco como um todo.

Da arte da capa retrô-futurista que nos deixa vislumbrar um Frank Jorge trasmutado em George Jetson à enxutez das 12 canções – como num bom disco do Roberto ou dos Beatles – que raramente ultrapassam os 3 minutos dos clássicos singles dos anos 60, Volume 3 exibe um Frank Jorge capaz de lapidar canções que ao mesmo tempo em que mesclam influências musicais das mais variadas, abordam liricamente, temas como a maldita mania da “melhor banda do mundo essa semana” até uma insólita canção em que Frank lamenta ter demitido um amigo.

Os antológicos órgãos Hammond salpicados por Frank pelas faixas desse Volume 3 são reminiscentes dos 60 mas estão mais para uma releitura à la Inspiral Carpets do que exatamente para Lafayette.

Em Elvis, que apropriadamente abre o disco, Frank alfineta a necessidade contemporânea de se ouvir um som novo a cada dia. Obsessão Anos 60 vai um pouco além do que o título anuncia e foca outras décadas, sempre com um espírito ácido e autocrítico, numa espécie de mea culpa desse revivalismo todo. Há canções de amor de todo tipo, algumas enviesadas e irônicas como A Historiadora. Em Eu Demiti Um Amigo, Frank deixa fluir tudo que aprendeu com Reginaldo Rossi e seus pares.

E, maravilha das maravilhas, o encarte com as letras ainda traz comentários tipicamente frankjorgianos sobre as mesmas. Todas reunidas, as canções de Volume 3 somam pouco mais de 33 minutos, que podem ser relacionados às 33 rotações e um terço dos LPs em vinil. O que pode parecer avareza ou sonegação de material musical, no entanto, se comprova como um disco na medida certa. Quando soam as últimas notas de Se Você Ainda Me Quiser, a vontade é de virar o disco no prato e tocar o lado A pra rodar novamente. Ou melhor, dar o replay no CD. De qualquer maneira, novamente aqui pontos para Frank Jorge que nesse Volume 3 coloca em prática o aforismo do escritor e musicólogo britânico Arthur Jacobs: “tudo é música, revista e ouvida pelos únicos olhos e ouvidos possíveis: os olhos e ouvidos do presente”.

Ah, sim: Volume 3 marca a estréia de Frank pela Monstro Discos. E está à venda nas boas lojas do ramo.

Júlio Reny & Os Irish Boys

Considerado um precursor do rock gaúcho, Julio Reny vem marcando a cena sulista com sua poesia e estilo particular de composição, desde o clássico underground Último Verão de 1983.

No decorrer daquela década, sua banda Expresso Oriente foi um verdadeiro celeiro de músicos por onde passaram, entre outros, Frank Jorge, Edu K e Jimi Joe.

No final dos anos 90, o compositor reapareceu sob a capa de country man com os Cowboys Espirituais, e ao lado de Márcio Petracco (ex-TNT) estouraram o hit Jovem Cowboy nas rádios do sul e sudeste do país.

Com 9 álbuns de estúdio lançados, tendo liderado bandas legendárias como Cowboys Espirituais e Expresso Oriente; Júlio Reny que no ano passado retornou a carreira solo com o elogiado “A primavera do Gato Amarelo”, promete para esta noite uma retrospectiva com suas canções que falam de “Amor e Morte”, consolam garotas em “Não chores Lola”, levando os ouvintes aos seus desertos imaginários com “Expresso Oriente” e “Café Marrakesh”, falando para jovens e “Old” meninas que o “Mundo é maior que teu quarto” ou confessando seus desejos pessoais nos versos da mais recente “Linda Menina”.

E como bom “rato de estúdio” como o bardo do rock gaúcho se define, Julio Reny está em estúdio gravando com sua banda “Os Irish Boys” o seu novo álbum com 15 canções inéditas, fruto do seu último e turbulento ano de vida.

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