Fresno salta da rede

por LUÍS BISSIGO Exemplo definitivo de sucesso na internet, a banda gaúcha Fresno agora disputa seu lugar além dos computadores. O quarto disco do grupo, Redenção, tem lançamento nacional pelo selo Arsenal Music e rompe com a sonoridade hardcore que fez a fama do quarteto em nove anos de trajetória. A próxima apresentação em Porto Alegre será no evento Atlântida Festival, no dia 1º de maio. Redenção confirma uma tendência dos últimos três anos, em que o cenário sulista aparece como fonte para algumas apostas do mercado pop brasileiro. Nomes como Cachorro Grande, Reação em Cadeia, Armandinho e Papas da Língua tiveram trabalhos lançados no centro do país e experimentaram platéias de outras regiões, quase sempre com sucesso. No caso da Fresno, a investida no mainstream é conseqüência de uma intensa atividade no meio underground. Com cerca de 30 mil cópias vendidas de seus três primeiros álbuns, lançados de forma independente, o quarteto coleciona números mais expressivos na internet, desde sempre seu principal canal de comunicação com o público. A comunidade oficial no Orkut, por exemplo, passou de 150 mil integrantes – uma turma que já fez o clipe de Quebre as Correntes rodar quase um milhão de vezes no YouTube e o single Polo tocar quase 120 mil vezes no MySpace. A adoração virtual deu à Fresno a chance de tocar para platéias de diferentes Estados, ao ponto de a trupe se mudar para São Paulo em 2006. – Já experimentamos diferentes graus de sucesso há muito tempo – explica o vocalista Lucas Silveira. – A gente já tocou no Brasil inteiro, agora é hora de nos apresentar para um público que não iria nos ouvir no underground nem na internet. O que começou como brincadeira de estudante de Ensino Médio no colégio Pastor Dohms, em 1999, chegou ao grande público no ano passado. Foi quando a Fresno participou do projeto MTV Ao Vivo 5 Bandas de Rock, dividindo a cena com NXZero, Forfun, Hateen e Moptop. Daí veio o interesse do produtor Rick Bonadio, capitão do selo Arsenal e responsável por sucessos que vão de Mamonas Assassinas a CPM 22, que contratou o quarteto – completo por Gustavo Mantovani (guitarra), Pedro Cupertino (bateria) e Rodrigo Tavares (baixo e voz) – para gravar o disco que chega às lojas agora. Famosa por combinar guitarras aceleradas e letras românticas, a Fresno agora soa diferente, suavizada, em canções permeadas de teclados. Lucas admite que a intenção é desvincular-se do rótulo emo – termo que originalmente designava um estilo musical, o hardcore melódico, e hoje engloba uma tendência de visual e de comportamento de boa parte do público adolescente. – Emo é xingamento, hoje em dia – reclama Lucas. – Em 1999, ninguém sabia o que era emo. Ali por 2002, surgiu o rótulo, e eu até gostava. Mas, quando emo virou um cabelo, uma roupa, um olho pintado, acabou pejorativo. Redenção faz parte da nossa vontade de sermos maiores que isso. Se o som mudou, as letras mantêm o tom confessional e o astral dor-de-cotovelo. – Falar desse sentimento assume uma função para o público na medida em que as pessoas se identificam e tomam aquele discurso para si. Se isso não é uma mensagem legítima, não sei o que é – diz o letrista.

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