Gig Rock coloca na vitrina a boa safra de bandas independentes

por GUSTAVO BRIGATTI Nem bem a quinta edição do Gig Rock começou e parece que o Porão do Beco ficou pequeno. Não pelo público presente, suficiente apenas para preencher os ângulos retos, sofás e balcões do número 963 da Avenida Independência, em Porto Alegre. Mas pelo alto volume com que público e bandas comungavam a simples vontade de estar ali, repartindo e curtindo boas canções, num espaço físico e ideológico exclusivo para a criatividade, o profissionalismo e a diversão. E nem seria preciso dizer que o mote do Gig Rock era servir de vitrine para uma cena local de bandas independentes. A massa ali presente enlouquecia visível e legitimamente com cada uma das bandas que subia a garagem de concreto encravada nas paredes negras, grafitadas e espelhadas da casa. Cantava junto, batia palmas, acompanhava o tamborilar da bateria com os pés, jogava os cabelos para todo lado. No andar de cima, computadores conectados à internet ofereciam acesso grátis e ilimitado e tornaram-se ponto disputado entre um show e outro. Todos equipados com Linux, claro, programa precursor da navegação digital gratuita e independente. Mal comparando, era o mesmo que as bandas ali estavam dispostas a fazer: dividir com o público o que tinham de melhor a preços módicos ou mesmo de graça. Inclusive – ou principalmente – via web. Todas, sem exceção, possuem suas páginas em redes sociais, compartilhadores de arquivos de áudio e vídeo. Mas no térreo a reverberação se fazia ao vivo, visceral e quente. Nada de covers ou versões. Apenas letras e melodias originais, pulsantes e férteis, premissa básica do Gig Rock. Nem os clássicos, esperados e insistentes pedidos de toca Raul surtiram efeito, mas ajudavam a disfarçar a idade dos convidados, divididos entre os adeptos do All Star combinado com terninhos pretos ou saltos de verniz e generosas camadas de lápis e sombra – no caso da platéia feminina. O aconchego de bandas essencialmente roqueiras em sua formação, mas distintas em proposta e postura, emplacou com as garotas do Planondas comandando o show com invejável disposição ao terno e sônico debut do Poliéster, do veterano Frank Jorge, ao legítimo rock gaúcho dos Cartolas. Tudo cantado do começo ao fim, como se fossem inquilinos de trilha sonora de novela. Não que alguma das mais de 40 bandas que passaram – e passarão – pelo palco do Beco durante os 10 dias de festival estejam de fato empenhadas em ser tema de novela. A independência para elas chegou cedo e ensinou aquilo tudo que seus predecessores apenas tiveram o desprazer de amargar. Logo, se levado em conta o primeiro final de semana do Gig Rock, ninguém ali pareceu disposto a abrir mão de suas distorções e palavrões. Nem o público, seu maior dependente. O 5º Gig Rock segue até domingo, com shows diários às 22h no Porão do Beco. Sábado e domingo há debates, no mesmo local, às 17h.

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