iG Música entrevista Frank Jorge: Novo CD da Graforréia pode sair em 2009

Timbres importados da Jovem Guarda e sensibilidade e romantismo inspirados na tradição brega nacional são os pilares de Volume 3, novo trabalho de estúdio do gaúcho Frank Jorge. Ícone local e figura ímpar do rock nacional, formador das bandas Cascavelletes e Graforréia Xilarmônica, Jorge se colocou ao longo do tempo como estudioso da música popular brasileira e neste álbum volta a, reverente, dar sua contribuição à tradição de Roberto e Eramos. Ele chama de homenagem, mas você pode chamar de continuidade. Volume 3 é o terceiro álbum solo de sua carreira seguindo com o trabalho iniciado em Carteira Nacional de Apaixonado (lançado em 2000) e aprofundado em Vida de Verdade (de 2003). A sonoridade jovemguardista faz a ligação entre o trio: Tento compor e gravar minhas canções deixando transparecer minhas referências, diz. O álbum foi gravado no Rio de Janeiro em poucos dias (Tivemos umas cinco sessões para gravar o disco e gravamos!) com Rafael Ramos cuidando da produção. O estúdio profissional possibilitou o uso de um órgão Hammond, marca registrada do pop sessentista, devidamente acompanhado de um baixo Hofner igual ao do Sir McCartney. Recheado de canções pop de três minutos, o disco está nas lojas com o selo da Monstro Discos. Jorge é também coordenador e um dos idealizadores do curso Formação de Músicos e Produtores de Rock na Unisinos, no Rio Grande do Sul. O projeto que chegou a ser recebido com cinismo há dois anos está a poucos meses de formar sua primeira turma e, segundo ele, encontrou um mercado fértil. O pessoal sabe muito pouco sobre duas, três décadas atrás, provoca. Em entrevista, Frank Jorge fala mais sobre as gravações de Volume 3, o rock nacional e faz um balanço do curso de rock que ajudou a criar: Como foi trabalhar com o Rafael Ramos na produção desse disco? O que ele trouxe para o seu trabalho?Frank Jorge: Foi uma experiência muito boa. O trabalho do Rafael trouxe não apenas um importante foco nos timbres de instrumentos, mas uma participação atenta na estruturas das canções. O processo todo de mixagem e masterização foi intenso: a cada nova versão realizada, ele compartilhava o arquivo comigo por e-mail e chegávamos juntos às conclusões mais adequadas para as canções. O Iuri Freiberger, como co-produtor e produtor dos meus outros dois discos, soube entrosar meu universo pop-brega sessentista/setentista no contexto atual. Como foram as gravações? Estar e gravar no Rio de Janeiro fez alguma diferença?As gravações transcorreram num clima de aproveitamento extremo dos horários disponíveis; tivemos umas cinco sessões para gravar o disco e gravamos!!! O nosso tempo pede esta objetividade: a canção quase fala por si só, dizendo o que deve estar presente ou não. Foi muito legal gravar no Rio pela oportunidade de gravar num dos melhores estúdios do país, o Tambor, e trocar idéias com pessoas que transitaram por lá durante este período. Nesse trabalho você usou o órgão Hammond. Você é defensor do uso de equipamentos antigos em gravações ou esse caso foi especial?Foi um caso especial; o estúdio é profissional e assim possibilita o uso de alguns equipamentos e instrumentos de exceção. Além do Hammond, usei em todas as faixas um baixo Hofner igual ao do Sir McCartney. O Volume 3 foi chamado por parte da imprensa de fim de uma trilogia. Como este trabalho se relaciona com os dois primeiros?Tento compor e gravar minhas canções deixando transparecer minhas referências; por estas e outras, usei nos dois discos anteriores timbres e levadas que tentam reler e homenagear a Jovem Guarda, mas também um universo brega, roqueiro, romântico de Amado Batista, Odair José, Reginaldo Rossi, Eduardo Dusek, caras que na minha opinião ainda são estigmatizados. Você se coloca em oposição a diversos grupos atuais de rock do Brasil que parecem estar em outro país (palavras suas) e define o seu som como rock brasileiro. Você vê mais alguém dividindo com você as influências brasileiras?Na verdade não sou tão rabugento assim! Cresci curtindo e aprendendo a respeitar A Cor do Som, Novos Baianos, Baby e Pepeu nas carreiras solo, 14 Bis e mais tarde aprofundei esta pesquisa e predileção pela Jovem Guarda e em todos estes artistas percebemos seu amor ao rock, mas com cara brasileira, sotaques regionais bacanas. Claro que não vejo isto como uma obrigação. Tem muita coisa bacana, profissional e criativa, Cidadão Instigado, Stereoscope, Reino Fungi, Camelo solo. Por que você decidiu se ligar à Monstro Discos para lançar o CD numa época em que cada vez mais artistas lançam seus trabalhos na internet e o disquinho físico perde espaço?Acho que o conceito de ÁLBUM é eterno e um disco físico – por mais idiota que pareça a afirmação – materializa esta idéia. Tenho uma ótima relação com a internet e acho uma questão de estratégia colocar mais cedo ou mais tarde as canções para download gratuito. Agora em março o curso de Formação de Músicos e Produtores de Rock na Unisinos completa dois anos. Que balanço você faz desse início de curso?O balanço principal é que este mercado do rock e da música pop é muito fértil para estudo e pesquisa. O pessoal sabe muito pouco sobre duas, três décadas atrás; as recentes biografias do Roberto Carlos, Tim Maia, Carmem Miranda, Carlos Imperial e os excelentes livros do Ruy Castro sobre a Bossa Nova amenizaram a falta de material sobre a intensidade do que vem acontecendo no universo da música POPular brasileira. O pessoal que tem buscado o curso tem aprovado nossa grade curricular. No meio deste ano, formaremos nossa primeira turma. Em entrevista recente, você falou que pensa em gravar um novo disco de inéditas com a Graforréia Xilarmônica. Você pode falar mais sobre isso?Pintou neste início de fevereiro um convite de uma gravadora aqui do Rio Grande do Sul para gravar um CD de inéditas, mas ainda não posso revelar maiores detalhes. Confira a entrevista completa clicando aqui.

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