Império da Lã reúne roqueiros de diferentes grupos gaúchos em uma banda de baile

Gracejo de mau gosto, ou insolente; graçola, chocarrice. Estas são algumas das definições que o dicionário Aurélio dá para a palavra chalaça, esse substantivo que define com precisão a alma do rock gaúcho e que, desde o ano passado, encontrou a essência de seus significados resumida em um único grupo. Sob a égide do rei Carlinhos Carneiro, da Bidê ou Balde, uma penca de roqueiros locais se reveza na formação da Império da Lã, uma banda de baile sem músicos fixos, sem ensaios, sem gênero definido, mas com muitos fãs. Se alguém achou que a idéia de reunir integrantes de diferentes bandas da nova cena roqueira de Porto Alegre para tocar cover em festa era só mais um delírio do controverso vocalista da Bidê ou Balde, acertou. As apresentações da banda, que tem feito sucesso pelo Interior e no circuito alternativo da Capital, são um completo delírio – e quem quiser pode comprovar isso no show de hoje à noite, no Porão do Beco, a partir das 23h. Para começar, você nunca sabe quem vai encontrar no palco de um show da Império da Lã. Nem mesmo a presença do rei é garantida – em uma apresentação recente na PUCRS, a festa acabou sendo instrumental, sem a voz de Carlinhos. Mas a aparição da Império é uma oportunidade única para se ver em uma mesma big band integrantes da Ultramen, da Pata de Elefante, dos Cartolas, da Pública, dos Subtropicais, da Stratopumas, da Groove James… A lista é grande. A formação básica são 11 caras: dois na bateria – sim, duas baterias simultaneamente, quase sempre pilotadas por Pedro Petracco (Cartolas) e Gustavo Prego (Pata de Elefante) – , dois na percussão, três sopros, três guitarras e um baixo. Mas a quantidade de músicos varia. No festival Gig Rock Circus, no ano passado, 17 subiram ao palco. Isso quando não acontece de o público se sentir à vontade para subir também. O nome da big band surgiu de uma piada interna da Bidê ou Balde, cujos integrantes costumavam chamar de Império da Lã os empreendimentos da família de Carlinhos no ramo têxtil e de criação de ovelhas. O repertório vai de Frank Sinatra a Steve Wonder, passando por Primal Scream e Roberto Carlos. Em um show no Mosh, também em 2007, o público delirou com um inesperado Sandy & Júnior. Mas o ecletismo nem sempre é garantia de acerto. – Às vezes, não funciona e acabamos esculhambando a festa – diverte-se Carlinhos. – Massa é que o público acaba entendendo que o espírito é uma borracheira mesmo. A gente faz uma festa e vê que tem uns débeis mentais curtindo junto. Rola uma cumplicidade – reflete o imperador. E a cumplicidade dos fãs começa antes dos shows: boa parte do repertório é decidida na comunidade do grupo no Orkut. A partir daí, os que podem se reúnem para ensaiar. – No Império da Lã, a gente pode tocar coisas que nunca tocaríamos com as nossas bandas – afirma o guitarrista Guri Assis Brasil, da Pública. A apresentação de hoje à noite será especial, toda baseada em covers do disco Magical Mystery Tour, dos Beatles, inaugurando a série O Império da Lã apresenta: Classic Albuns, em que mensalmente o grupo tocará um disco inteiro. Até o fechamento desta reportagem, estava confirmada a presença de 15 integrantes. Mas nada está garantido. Chalaça pura…

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