Impressionistas lançam o primeiro single

Desde que surgiu, lá pelo final de 2007, a banda Impressionistas já chamou a atenção. Com 3 faixas demo no MySpace, a qualidade das composições revelava um grupo acima da média. A sonoridade denotava características oriundas da psicodelia inglesa dos anos sessenta, mescladas de maneira peculiar com um espírito delirante do folk britânico. Mas talvez o mais interessante era o modo como tal releitura não resultava em pastiche. Logo de cara, os Impressionistas já impunham um espírito digno dos maiores no rock: os verdadeiros conhecedores da tradição do gênero avançam com uma voz própria e original. As letras são dotadas de propriedades marcadamente poéticas. A estética visual do quarteto também é acurada. Como principais influências, eles citam os pintores do Impressionismo e o prazeres etéreos dos vapores sorvidos de seus cachimbos. Remates perfeitos para sua performance instrumental digna. O universo referencial da banda é tão rico que evoca, a um só momento, Renoir e Monet, Baudelaire, Mallarmé & Rimbaud, Strawberry Fields Forever & Mutantes, os discos mais ingleses dos Rolling Stones & algo do Jethro Tull em sua fase barroca. Mas o resultado final é tão original que não há como apontar algo semelhante, a não ser afirmar que — em se tratando do rock independente feito no Brasil — eles pertencem a uma tradição lisérgica que teve caminhos trilhados por grupos como a Cachorro Grande em seu primeiro álbum, Mopho quando no seu auge, Continental Combo em seus momentos mais inspirados e o Júpiter Maçã nos momentos de alta efervescência. A espera foi longa. Os fãs que iam sendo conquistado com as primeiras faixas e shows clamavam por mais. A banda não se dava por satisfeita com aquelas três gravações demo. Retiraram as faixas da internet e não fizeram da pressão um motivo para entregar qualquer coisa mal acabada ao público. Esmerando-se na produção, o resultado converteu uma boa parte do delírio lisérgico das demos em um punch incrível. E o novo single disponibilizado no MySpace já se firma como um dos grandes momentos do rock nesse ano. Ainda que as novas versões de Dia Cinza e Regando as Plantas (com o poder diurético da cerveja) não tenham chegado — deixando todos os que já conheciam as músicas com saudades —, as faixas que foram ao ar revelam um ganho substâncial em energia.Esse título deve ter uma versão física em CD. Enquanto isso, confira abaixo a lista das faixas e a capa do single. E, claro, não deixe de acessar o MySpace da banda para ouvir as músicas Apalhacei (Eduardo Barretto), Não Vou Apalhaçar (Eduardo Barretto), Meu Jovial Amigo (Eduardo Barretto). Os Impressionistas são Ricardo Bento, voz, Eduardo Barretto, baixo e voz, Gustavo Chaise: guitarra e voz, Lucas Dellazzana, bateria. Para constar, os integrantes da Impressionistas já fazem história no rock gaúcho a um bom tempo. Enquanto o baixista Eduardo Barretto toca também na banda Os Efervescentes, o guitarrista Gustavo “Miglu” Chaise faz frente na Severo em Marcha.Lester Benga escreve para o site Os Armênios (www.osarmenios.com.br).

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