Júpiter Maçã toca em Sorocaba nesta quarta-feira

O emblemático Júpiter Maçã apresenta-se pela primeira vez em Sorocaba, na 4ª feira (27), a partir das 20h, no Asteroid. Seu show é o que ele mesmo define como “slogan art”, um conceito que integra ao som imagens, cheiros, texturas e até mesmo sonoridades não presentes na música. Considerado um dos grandes nomes da cena independente, sua atuação performática marcante tem conquistado uma legião de fãs e prêmios. Seu primeiro álbum, o psicodélico “A Sétima Efervescência” (1996) foi eleito o maior e mais expressivo disco de rock do Sul do Brasil de todos os tempos e também classificado entre os 100 maiores álbuns de música brasileira da história, numa pesquisa feita pela revista Rolling Stone.

Em 1999, foi premiado pela Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) com o delicado e bossanovista “Plastic Soda”. Entre diversos trabalhos cultuados, em 2008 lança ainda “Uma tarde na fruteira”, obra neo-tropicalista, que celebra quase tudo que possa se entender por “brasillis music”, segundo a crítica alemã: “uma adorável mistura de Mutantes, Tom Jobim, Tom Zé, The Beatles, Beach Boys, Caetano Veloso e outros mestres. Tudo isso com uma sonoridade anárquica acompanhada por flautas”. Para quem não o conhece e ainda não entendeu seu perfil, o material de divulgação apresenta o músico como sendo dono de uma “essência criativa imprevisível, instigante, magnética, elegante, vanguardista e genuinamente sem fronteiras”.

Sim, esse é o artista Júpiter Maçã, mas se engana quem pensa que o autor de músicas irreverentes como “A Marchinha Psicótica de Dr. Soup” seja um “maluco total”. Em entrevista concedida ao Mais Cruzeiro, ele mostrou-se um profissional sério e que sabe muito bem o que está fazendo. A postura de Júpiter Maçã ao telefone, muito simpático e educado, soa muito distante da imagem que aparece nos vídeos que divulga pela internet.

Júpiter Maçã é o nome artístico do gaúcho Flávio Basso, 41 anos. Cantor, guitarrista e compositor brasileiro, Flávio é ex-integrante de duas das maiores bandas de rock gaúcho: TNT e Os Cascavelletes. Atualmente morando em São Paulo, Flávio começou a carreira solo pelo folk sob o pseudônimo de Woody Apple, bastante influenciado por Bob Dylan. Em pouco tempo, eletrificou o som, transformando-se em Júpiter Maçã. Um ano após, gravaria o seu primeiro álbum, em 1996, consolidando a nova proposta. Durante a conversa com a reportagem, ele afirma que ainda há muitas pessoas que não entendem seu som, mas mesmo assim acha ótimo: “Isso significa que houve um contraste, uma relevância, ou uma irrelevância, e é bom isso primeiro porque elas discordam e depois porque se aproximam”.

Em Sorocaba, ele tocará as inéditas “Cerebral Sex” e “Six Colours Frenesi”. Entram ainda no repertório músicas da nova safra, como o single “Modern Kid”, mas não ficam de fora faixas que ajudaram a consolidar sua fama como “Um Lugar do Caralho” e “Querida Superhist x Mr. Frog”. “Vou levar a Sorocaba um show que estou adorando fazer. É uma apresentação totalmente sucinta e que apresenta uma síntese espontânea de todo o meu repertório desde o primeiro álbum. Sempre acontece uma simpatia com o público e os shows têm uma vibração muito boa”, afirma. Acompanham o artista, o ex-VJ da MTV Thunderbird (baixo), Dustan Galas (guitarra), Astronauta Pingüim (órgão e moog) e Felipe Maia (bateria). Confira a entrevista:

P – O que (ou quem), é de fato o Júpiter Maçã? Como surgiu essa proposta artística?

R – O pseudônimo Júpiter Maçã me deixava à vontade em relação às minhas ideias musicais e artísticas porque eu pretendia radicalizar e me aproximar da estética underground da segunda metade dos anos 90 que é desde quando tenho me envolvido com música e foi uma grande surpresa no momento que eu pensava estar me tornando supostamente subterrâneo, estava na verdade me transformando num sucesso de pop music, o que me surpreendeu, isso aconteceu logo que adotei o pseudônimo. Atualmente estou vidrado na estética pop da mesma maneira que me envolvi no mecanismo da desconstrução e fragmentação que se encontra na arte underground. Acabo sendo um mix de tudo isso e tendo outro resultado mais adiante.

P – O pseudônimo foi adotado por medo da reação das pessoas diante de um projeto mais ousado?

RNão foi medo não, foi um ímpeto, uma coragem de radicalizar mesmo, inclusive com o nome e a proposta, queria cunhar tudo isso de uma forma diferente.

P – Você faz um trabalho considerado de vanguarda, ao se apoiar na interpretação das canções, numa apresentação bem performática. É isso o que faz de você o Júpiter Maçã?

R – A atitude acaba vindo junto com a sonoridade, associada a uma coisa bem interessante, uma determinada situação e é claro que nesse momento surge o dançarino, o performer Júpiter Maçã, acho que funciona assim, ajo de acordo com o momento, o frisson.

P – Mas afinal de onde surgiu esse nome?

R – Júpiter Maçã surgiu de um sonho eu acho. Mantenho ainda uma grande paixão da infância, período que eu via reprises de um seriado de 1965 chamado “Os Perdidos no Espaço”. E “Júpiter 2” era o nome da espaçonave. Já o Apple veio porque adoro maçã: “one apple a day keeps your doctor away” (uma maçã por dia e mantenha seu médico longe).

P – Na contramão da maioria dos músicos brasileiros, que fazem de tudo para lançar um CD recheado de faixas e se possível ainda com extras, você tem divulgado seu trabalho em singles. Por quê?

R – Porque eu sinto um contato mais puro, sem interferência, é um processo denso, feito com intensidade e também deixa a coisa mais espontânea, como acordar num dia e dizer um oi muito brevemente para alguém…

P – Você deve se apoiar em diversas referências para compor as propostas musicais. Pode citar algumas delas?

R – Já tive meus ícones, minhas preferências. Todo artista é influenciado por outros, mas atualmente é a manifestação de cena que me contagia mais, então não poderia dizer que estou sendo influenciado por algum artista mas sim pela vibração coletiva de cena e identificação com o público.

P – Por falar em público, há quem não entenda seu trabalho?

R – Há, mas é muito bom isso, essas pessoas acabam mais cedo ou mais tarde se envolvendo com meu som, se identificando com algumas das fases que passei, ou que tenho passado, e acabam buscando pelo meu trabalho, é muito legal, é ótimo, isso significa que houve um contraste, uma relevância ou uma irrelevância, e é bom isso primeiro porque elas discordam e depois porque se aproximam, é ótimo, bem legal.

P – Júpiter Maçã conseguiu ser um dos nomes mais conhecidos da cena independente. Você, que conhece bem esse meio, de que forma avalia os músicos do underground? Que grupos, na sua opinião, têm feito um trabalho que merece destaque?

R – Acho que a cena independente está cheia de pessoas com trabalho diferenciado, tem artistas fabulosos, somos em grande número, e com o advento da web os grupos acabam tendo um destaque ainda maior. Entre eles cito Cidadão Instigado, Vanguart, Little Joy, Tatá Aeroplano e banda Cérebro Eletrônico.

P – Como estão os novos projetos?

RPretendo mexer com cinema, vou produzir um filme em parceria com André Peniche, vai ser um trabalho de co-direção, nele iremos misturar linguagens e espero me surpreender e surpreender as pessoas. Estou ainda gravando um novo álbum no Sul e que vai mostrar um pouco dessa minha paixão por pop music, mas enquanto estética, é quase uma abordagem plástica.

SERVIÇO:

Show do Júpiter Maçã no Asteroid (rua Aparecida, 737, Santa Rosália). Quarta-feira, dia 27, a partir das 20h. Os ingressos custam R$ 15,00. Entrada permitida apenas para maiores de 18 anos. Outras informações: (15) 3329-2767 ou pelo site www.asteroid.art.br.

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