Líder do Fresno fala sobre CD e critica formato de premiações musicais

Em seu segundo disco com a Arsenal/Universal, a banda gaúcha Fresno se viu novamente nas rédeas de seu processo criativo. O grupo fez parte das bandas independentes que estouraram no meio da década e já somava milhares de fãs pela internet e gravando discos com selos menores. Em Revanche, o quarteto desfruta de um pouco mais de conforto tendo sua cota garantida de seguidores e tenta resgatar a espontainedade de seu rock com menos foco nas baladas radiofônicas.

Em entrevista, o vocalista Lucas falou sobre a nova empreitada e não esconde quais são suas canções preferidas no álbum: as pesadas. Em abril, o líder do Fresno afirmou durante o processo de gravação que essas faixas registravam um outro momento do grupo, uma época mais brava.

As músicas que estão neste disco já têm um ano de idade, são de outro momento. A gente fez antes do VMB e estávamos mais brabos, foi todo escrito em São Paulo. Era um momento horrível da banda, quando todo mundo acha que você está milionário e você estaria ganhando mais dinheiro fazendo baile. E rola muita cobrança, disse na ocasião.

Com o disco pronto e uma legião de fãs fiéis, os integrantes já se sentem mais confiantes para apostar em outros pontos de sua música. A gente precisou estar muito bem ensaiado. Acompanhamos muito o processo total e o que os outros estavam fazendo para não haver discrepâncias, afirmou.

Sem a pressão de mostrar serviço, sentimento quase unânime entre bandas que estreiam em grandes gravadoras, Lucas diz que eles puderam se empenhar em processos de mixagem, produção e gravar a quantidade de vezes que fosse necessário. São processos muito trabalhosos, principalmente nas vozes que fizemos. Com essa liberdade a gente gravou tranquilo e trabalhou nas harmonias e timbres, explicou.

Revanche é produzido por Rick Bonadio, que também assinou Redenção (2008) e álbuns do NX Zero e CPM 22. Lucas afirmou que o relacionamento com o produtor melhorou, apontando para a confiança criada entre eles e essa proposta do rock mais espontâneo do álbum.

Ele não conhecia a gente e não sabia do potencial que podíamos oferecer muito mais. Hoje em dia me sinto compositor dele e pra dividir coisas com todo o cast da Arsenal, disse o vocalista, que chegou a lançar um álbum solo com o selo, sob seu projeto paralelo, o Beeshop.

Esta liberdade maior no processo criativo, também apontado pelos integrantes do NX Zero em seu último disco, Sete Chaves (2009), criou esse ambiente livre para as composições.

No começo era espontâneo porque você não trabalha com conceitos e toda essa preocupação. Agora também é espontâneo, mas a gente sabe a importância que cada disco tem e os detalhes que cada música pede, disse.

Bandas do momento

Em 2009, o grupo se esbaldou nas premiações musicais. O quarteto levou as principais categorias do Prêmio Multishow (Artista do Ano) e do VMB (Artista do Ano e Melhor Banda Pop), promovido pela MTV. Lucas falou da importância dessa consagração, mas criticou o formato que escolhe os melhores grupos. Os dois prêmios, os principais populares no ano, trabalham com voto aberto do público.

Prêmios são selos para a gravadora e para provar para nós mesmos que estamos no caminho certo e somos reconhecidos pelo público, afirmou.

Por outro lado, o vocalista explicou que o formato aberto para votação acaba privilegiando apenas as bandas do momento escoradas pelos seus fãs. Em épocas de votação há diversas mobilizações por rede sociais que acabam decidindo os vencedores nas premiações.

Chegamos em um ponto em que vai ganhar a sempre a banda que os fãs estiverem mais loucos e perderem a tarde inteira votando na frente do computador. Acho que os fãs do Fresno que vão envelhecendo não têm mais essa preocupação, justificou.

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