Lilian conheceu Bidê, Júpiter, Graforréia e Wander pela internet

O universo do rock alternativo começou a se abrir para Lilian Knapp em 2001, com o lançamento do livro Como um Conto de Fadas, em que conta a sua passagem pela Jovem Guarda. Ao resumir os anos passados, a vontade é de deixar para trás a Lilian de Devolva-me. – Senti necessidade de fechar este capítulo. Estava de saco cheio das pessoas me perguntarem as mesmas coisas. Foi como pedir uma licença aos fãs e deixar ali gravado tudo o que aconteceu – define a cantora. Também em 2001, lançou um disco solo incompreendido pela crítica, em que regravou Raul Seixas e a própria Devolva-me, na cola do sucesso que a canção fez com Adriana Calcanhoto. – Comecei a me liberar ali – afirma. O disco foi lançado após duas temporadas longe do Brasil. No início e no final dos anos 90, a cantora morou em Buenos Aires, o que significou uma busca pelo recomeço que parece só ter chegado agora. Lilian vinha de uma década de 80 de êxito, após ter vendido 3 milhões de compactos da canção Eu Sou Rebelde, seu segundo trabalho sem Leno. A volta ao Brasil, a perda traumática do pai e o fim do capítulo Jovem Guarda foram os elementos que abriram as portas para a nova Lilian, que, no ano passado, formou a banda Kynna, ao lado do marido, Cadu Nolla, e do guitarrista Luiz Carlini, um dinossauro do rock brasileiro. Fundador e integrante da Tutti Frutti, Carlini foi fundamental para a nova banda de Lilian descobrir seu som e enveredar por um novo nicho, como explica Cadu Nolla: – Ele achou que esse lance underground independente seria uma coisa nova para ele também. E falou vamos tentar esse meio, é um meio de ouro. A partir daí, a internet tratou de fazer a sua mágica. Pilotando o PC, Lilian fez contato com músicos gaúchos como Marcelo Birck, da Graforréia Xilarmônica, e Astronauta Pingüim. Também por meio das amizades virtuais, conheceu Júpiter Maçã, Wander Wildner e Bidê ou Balde, de quem gravou Miss Lexotan 6mg, Eu Não Consigo ser Alegre o Tempo Inteiro e É Preciso dar Vazão aos Sentimentos. – O rock gaúcho tem um estilo próprio. Miss Lexotan é demais. Me identifiquei com a frase sobre a menina que tem a preocupação de ter um carinha que vá comê-la estando apaixonado. É perfeito! Eu sentia muito isso quando era garota – conta Lilian. Carlinhos Carneiro, 29 anos, vocalista da Bidê ou Balde, se diz fã da música da época: – Eu ouvia Leno e Lilian nas coletâneas da minha mãe em vinil. Mas o gosto por pesquisar esse som veio depois dos 18 anos. Essa galera, às vezes dita como maldita, tem discos, gravações ou obras inteiras muito boas. Saber do interesse de Lilian pela sua música surpreendeu Carlinhos: – Foi engraçado. Foi bem na época em que estava ouvindo o disco do Leno, Vida e Obra de Johnny McCartney. Falando nisso, que fim levou Leno? Lilian responde com ironia misteriosa: – Hein, Leno? Nunca ouvi falar. Tivemos contato nos anos 90, mas não temos amizade.

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