Mais pesada, banda Fresno lança disco mirando público mais adulto

A banda gaúcha Fresno fincou bandeira no cenário pop brasileiro: ganhou discos de ouro, foi premiada na MTV e fez fama a ponto de seus integrantes serem reconhecidos na rua. O novo disco, Revanche, não deverá mudar muito esse cenário. Mas, segundo o próprio quarteto, representa uma espécie de ruptura com o passado recente.

Revanche é o quinto CD lançado pela Fresno em 10 anos de trajetória, e o segundo a ter lançamento nacional, depois de Redenção (2008). Fornido com os hits Polo, Alguém que te Faz Sorrir e Uma Música, o álbum anterior conquistou Disco de Ouro, assim como o DVD O Outro Lado da Porta (2009). O sucesso comercial repercutiu no VMB do ano passado, no qual a trupe foi escolhida como Melhor Banda Pop e Artista do Ano – e está indicada às mesmas categorias na premiação da MTV de 2010.

Tudo isso – mais a agenda cheia e a adoração de fãs em diferentes Estados – trouxe alegria e, ao mesmo tempo, inquietação a Lucas Silveira (guitarra e voz), Gustavo Mantovani (guitarra), Rodrigo Tavares (baixo) e Bell Ruschel (bateria). Quem explica é Tavares, que se surpreende com a repercussão das músicas do grupo em lugares distantes como Pernambuco e Minas Gerais.

– Ainda hoje é estranho entrar num avião, ir para Belo Horizonte, chegar lá e ter fãs esperando. Ainda não consigo me botar nesse patamar de artista, em que as pessoas esperam por ti. Ainda é um susto – reflete o baixista, por telefone.

O outro lado é o assédio dos fãs – especialmente em São Paulo, onde o grupo mora desde 2006. O próprio Tavares conta que costuma frequentar o Bourbon Shopping São Paulo, no bairro Perdizes, mas que seguidamente se vê cercado por dezenas de fãs adolescentes e acaba tendo que sair do lugar com um segurança, pela saída de incêndio.

– Não vejo tanta graça nesse status público e notório de tu não poder ir na loja comprar uma cueca – diz Tavares. – Mas é o preço que se paga por fazer uma coisa pela qual se batalhou a vida inteira. E, perto de tudo o que vem de bom, nem conta.

O baixista de 28 anos – parceiro de Lucas em sete das 13 canções do novo disco – reconhece que grande parte desse sucesso se deveu à sonoridade assumidamente pop dos hits de Redenção. Não que o novo Revanche também não carregue no romantismo e não tenha seus melôs – vide o primeiro single, Deixa o Tempo. Mas a intenção era fazer um disco mais voltado ao rock, o que aparece em canções mais agressivas, como Die Lüge e a faixa-título. O que já repercute entre os ouvintes.

– Já vejo uma galera adulta dando o braço a torcer (para o som do grupo) e também crianças já não gostando, achando muito pesado. Era nosso objetivo. Chega de tocar para crianças. Passamos pela experiência de ídolos teen, de gritaria, é muito legal, mas eu ainda prefiro tocar no Opinião do que em uma feira agrícola para 40 mil pessoas, que são voláteis e estão ali porque está na moda – compara Tavares. – Nosso objetivo é cativar a galera que gosta da gente e está ficando velha com a gente.

Fresno: do barulho ao romantismo

Quem aprecia – e não é pouca gente – a fórmula de romantismo e agressividade do som da Fresno não precisa se preocupar com Revanche. No novo disco, a dor-de-cotovelo segue escorrendo das letras e melodias vocais, e os guitarristas Gustavo e Lucas não desligaram os pedais de distorção. A grande diferença do novo álbum é que algumas das canções enfatizam mais um ou outro desses dois aspectos: umas poucas investem mais no peso, muitas outras são realmente melosas demais.

Ao primeiro time, pertencem músicas capazes de ajudar a Fresno na tentativa de transcender o universo adolescente. Como o canção-título, que abre o disco com ímpeto, apoiada no tema da guitarra. Ou a sombria Die Lüge (a mentira, em alemão, homenagem à banda Rammstein), com suas pesadas passagens instrumentais – a faixa é definida pelo baixista Tavares como uma canção sobre aquelas pessoas que gostam de gastar luz na tua casa, que acabam te atrasando. E ainda há Relato de um Homem de Bom Coração, com suas doses crescentes de nervosismo guitarreiro temperado com efeitos eletrônicos.

Mas talvez canções como essas passem despercebidas no conjunto. Na maioria, as faixas restantes apostam em uma linguagem pop um tanto desgastada, beirando o popularesco. As mais evidentes são as baladas Nesse Lugar e Quando Crescer, com arranjos de cordas açucarados, e as semiacústicas Não Leve a Mal e Porto Alegre – e o primeiro single, Deixa o Tempo, talvez propositalmente, empilha clichês radiofônicos.

Ou seja: se a banda hoje lamenta que o disco anterior tenha ficado conhecido justamente por sua porção mais pop, tudo indica que Revanche deverá ter o mesmo destino.

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