Monstro, o novo disco do velho e bom Defalla

O novo trabalho de Edu K (vocal), Biba Meira (bateria), Carlo Pianta (baixista) e Castor Daudt (guitarra) é um reflexo da conexão da banda com os dias atuais, um apanhado das percepções dos músicos sobre uma sociedade caótica, movida por indivíduos que, cada vez mais, revelam seus lados sombrios. Distribuído pela Deck, Monstro surgiu sem roteiro ou ensaios prévios, os músicos gravaram o material de forma totalmente espontânea em estúdio. É nesse momento que se comprova a mágica entre os quatro integrantes mantida depois de tantos anos.

Musicalmente costurado por influências diversas, o Defalla é um monstro no sentido Frankenstein da história. Impactado por todo o tipo de expressão humana, principalmente, por artistas como James Brown, Iggy Pop e David Bowie, o grupo causava estranhamento no público e mídia, em meados dos anos 80, por justamente não se encaixar em nenhum padrão imposto pelo mercado. Não era pop, rock, funk, era tudo junto e misturado. Fugir dos rótulos e ver a arte como algo abrangente, que não pode ser limitada, são as características principais da banda que trouxe ao cenário musical brasileiro referências inéditas em uma era pré-internet.

O grupo, que já dividiu palco com Red Hot Chilli Peppers e Nirvana , não está voltando, ele nunca acabou. O Defalla são os quatro músicos que, com suas peculiaridades, criam um som único que pode ser reconhecido nesse novo trabalho. Monstro foi desenvolvido ao longo de quatro anos devido ao conflito de agenda dos músicos e conta com Edu K como produtor. Nele a banda mostra seu lado mais pop temperado com elementos grunge e stoner, gêneros pouco explorados em trabalhos anteriores. Além disso, tanto o funk dos anos 70 quanto a black music permanecem em destaque.

O show de lançamento está marcado para o dia 6 de maio, sexta-feira, na Choperia do SESC Pompeia (R. Clélia, 93 – Pompeia), em São Paulo/SP. Em breve serão divulgadas informações sobre venda de ingressos.

O disco

O Defalla manteve a tradição de usar colaborações de pessoas que admiram, e uma delas gerou o nome do disco. O dramaturgo Mario Bortolotto, amigo de longa data de Edu K, mandou algumas opções de letras para a banda escolher. Monstro não somente se encaixou perfeitamente à melodia, mas também ao conceito do álbum e da história da banda. Outra participação, essencial para o novo trabalho, foi a do ex-integrante do Defalla Flávio Santos.

Conhecido como Flu, o músico gravou a maioria dos baixos de Monstro com exceção de duas faixas, Ken Kesey e Timothy Leary, desenvolvidas pelo próprio Carlo Pianta.

Monstro Interlúdio

A introdução do disco instiga o imaginário do ouvinte com referências que remetem ao mundo dos monstros, dos filmes e livros de terror. Trovões, chuva e sons característicos apresentam o personagem Monstro: um bicho peludo, de quatro cabeças (uma de cada integrante) e que vive isolado em uma floresta perto da cidade.

Monstro

A letra da faixa homônima, cuja autoria é do dramaturgo Mário Bortolotto, fala de um indivíduo muito particular, com uma percepção de mundo que está em constante conflito com o resto da sociedade. Musicalmente, é uma música frankenstein influenciada por diversas cenas. Uma delas é a Manchester dos anos 90, regada a referências de bandas como Stone Roses e Happy Mondays. Também é possível identificar aspectos da black music, com baterias groovadas e guitarras funkeadas. A melodia é fruto do material gravado durante três dias no estúdio – Edu trabalhou o material bruto depois: é uma música montada.

Zen Frankenstein

Zen Frankenstein, composta por Edu K e Castor, relata a vida de um indivíduo que vive na cidade, mas que tem aspirações espirituais. Mesmo contando com referências orientais, o templo dele é a rua e os botecos e atinge a iluminação desejada através dos excessos da vida urbana. Inspirada pela cultura oriental, a letra conta com a máxima de que a espiritualidade pode ser encontrada em todos os lugares, seja nas montanhas do Tibet ou em uma metrópole caótica. A comparação entre o Defalla e o Red Hot Chilli Peppers volta à tona no quesito musical. Segundo Edu K, é porque as duas bandas bebem das mesmas influências, tais como Funkadelic, Parliament, Sly and The Family Stone e James Brown – brancos fazendo um som de negros, sonoridade que o Defalla sempre teve. As harmonias, acordes e riffs foramdesenvolvidas por Castor há mais de 20 anos, com o intuito de inclui-las em um trabalho solo do músico. O material esquecido na gaveta foi revivido em 2011 em uma das reuniões do Defalla e finalizado por Edu K que criou a melodia final e a letra.

Dez Mil Vezes

É uma balada clássica, no estilo It’s Fucking Boring to Death e Sobre Amanhã, fruto da união pop de Edu K e Castor, grande conhecedor do gênero. A letra, uma parceria entre Humberto Gessinger e Edu K, aborda como as pessoas, ainda mais agora com as redes sociais, nunca se mostram verdadeiras ao se relacionarem. O músico integrante dos Engenheiros do Havaí também colaborou com sua voz inconfundível na faixa que conta com influências do soul de Tim Maia e do primeiro álbum solo de Ron Wood, I &769;ve Got My Own Album. Assim como Zen Frankestein, Castor compôs os riffs, acordes e harmonias há mais de 20 anos para seu trabalho solo. Edu K apenas precisou finalizar Dez Mil Vezes, que remete aos Beatles e a banda australiana The Church.

Veneno

A música aborda a faceta monstruosa do amor. A letra foi feita por Solange De-Ré, escritora e ex-namorada de Edu K, e fala sobre seus relacionamentos passados, um padrão que persiste e se encaixa perfeitamente na história que os dois tiveram. Uma paixão violenta, encapada por um ciclo vicioso de dor e sofrimento, ingredientes vitalícios para a sobrevivência e destruição, simultaneamente, do amor dos dois. O personagem da letra se transforma em uma boneca voodoo para sobreviver à dor de um relacionamento doentio. Veneno foi criada ao vivo nos ensaios e conta com vocais psicodélicos e influências dos álbuns Exile in The Main Street dos Rolling Stones, e Fruto Proibido de Rita Lee & Tutti Frutti.

The Redundant Master (interlúdio)

O mestre oriental, interpretado por Edu K, ensina aos seus discípulos que rir faz você estar no aqui e agora, com frases redundantes que faz com que todos caiam na gargalhada. A mensagem da música é: não existe ontem, não existe amanhã, esteja no momento e você se iluminará automaticamente.

Fruit Punch Tears (in The Treasure Hunt)

O característico funk do Defalla pode ser identificado na sétima faixa do álbum, mixada por Edo Portugal, que nada mais é que uma mescla dos setecentistas negros, como James Brown, com o funk pós punk do Gang of Four. A letra fala sobre a busca pela felicidade e como o personagem da história consegue curar suas dores com risadas.

Delírios de um Anormal

A oitava faixa do disco é um tributo a um dos principais personagens de terror do cinema nacional, o Zé do Caixão, interpretado por José Mojica Marins. A letra, composta por Edu K e Fábio Pinto, fala de um mundo fantasmagórico, habitado por almas penadas que influenciam e assombram a vida dos vivos. O personagem da letra é o único que percebe essa interação e conexão com o mundo sobrenatural. A participação da cantora Pitty cai como uma luva (de renda preta) nesta faixa de clima stoner e grunge, estilos pouco abordados pelo Defalla até então.

Aldous Huxley

Aldous Huxley dá início à trilogia dedicada aos papas do ácido. O livro Portas da Percepção, do escritor inglês Aldous Huxley, é uma forte referência para Edu K e toda a geração psicodélica sessentista.

A letra aborda o poder que a drogas possuem de mostrar outras facetas da realidade e de proporcionar diferentes conexões entre as pessoas. E que, segundo Huxley, a iluminação completa do indivíduo só é atingida com a sua morte ou dissolução de seu ego. A letra foi escrita por Edu K e Nenung, músico de Porto Alegre da banda Barata Oriental, dos anos 80, e hoje membro de Os Darma Lovers e Projeto Dragão. Musicalmente tem como influencia um pouco de Mutantes, de rock progressivo setecentista e o disco da banda Beach Boys, Pet Sounds.

Ken Kesey

A letra é um tributo ao escritor e misto de guru, Ken Kesey e seus Merry Pranksters. Precursor da cena psicodélica e pré-hippie, conhecida como Summer Of Love ( 67-68), Kesey comprou um ônibus escolar, nomeado FURTHER e atravessou os Estados Unidos costa à costa com os Pranksters, sua gang de arruaceiros intelectuais. Musicalmente, Ken Kesey não tinha como não colher influências do funk dos anos 70, como o som afro-psicodélico de George Clinton e Bootsy Collins e sua Mothership Connection.

Timothy Leary

A faixa que fecha a trilogia conta com a participação de Beto Bruno, vocalista da banda Cachorro Grande. A banda o convidou devido à sinergia com as influencias que permeiam a faixa, tais como a psicodelia dos anos 60 e Manchester dos anos 90. Também é sobre uma viagem de ácido e como as drogas possibilitam o acesso a outras portas da mente, proporcionando descobertas internas monstruosas e assustadoras. Timothy Leary foi uma das últimas músicas criadas para o disco, desenvolvida depois das gravações oficiais.

Love Is For Losers

A faixa Love Is For Losers mostra o lado mais pesado do Defalla, um rock’n’roll característico dos primeiros anos da banda. Algo que se assemelha a Berlin Trilogy de David Bowie com a colaboração de Brian Eno. A primeira parte da letra, que também conta com influência do Bowie, foi composta pela técnica de cut up, criada pelos dadaístas do século 20 e popularizada pelo escritor e crítico social William Borroughs, que consiste em uma união aleatória de palavras nonsense.

Já a segunda parte aborda a visão idealizada do que é o amor romântico, tão distante do amor universal que se prega no Oriente. A banda encara este tipo de amor autocêntrico e egoísta como uma espécie de cela para aprisionar os indivíduos dentro de relações vazias, uma forma de controle social.

Mate-me

Mate-me foi composta em conjunto por Edu K e Solange De-Ré e fala sobre o relacionamento dos dois. Uma união pautada por torturas psicológicas e físicas que ainda atendem aos padrões de um relacionamento, mesmo fazendo mal para ambos. A faixa é mais uma crítica às relações atuais e aborda a questão de limites dentro de um relacionamento.

Musicalmente, remete ao pós-punk do Defalla.

Minha Vida É Uma Aventura Existencial Filmada Por Godard

A faixa que finaliza Monstro é uma homenagem ao Jean-Luc Godard. Edu K realizou uma vinheta cinematográfica para finalizar o disco – A música é um filme, um evento cinematográfico sem imagem na película, mas na cabeça da pessoa, diz Edu. O músico juntou uma mensagem de whatsapp de uma amiga, a agitadora cultural e comediante Hell Ravani, contando a história de um dia em que achou que tivesse morrido, com sons e efeitos que simbolizam o sangue correndo em suas veias e trazendo Hell de volta à vida.

FICHA TÉCNICA

Monstro
01 – Monstro (interlúdio)
02 – Monstro
03 – Zen Frankenstein
04 – Dez Mil Vezes
05 – Veneno
06 – The Redundant Master (interlúdio)
07 – Fruit Punch Tears (in The Treasure Hunt)
08 – Delírios de um Anormal
09 – Aldous Huxley
10 – Ken Kesey
11 – Timothy Leary
12 – Love is For Losers
13 – Mate-me
14 – Minha Vida é Uma Aventura Existencial Filmada por Godard

Produzido por Edu K
Mixado por Edu K e Edo Portugal
Masterizado por Felipe Rossi – Estúdio BR Digital
Distribuição: Deckdisc

Defalla é:
Edu K (vocal)
Castor Daudt (guitarra)
Carlo Pianta (baixo)
Biba Meira (bateria)

Links streaming:
– Apple Music: https://geo.itunes.apple.com/br/album/monstro/id1098797740?at=11lt9b&mt=1&app=music
– Itunes: https://geo.itunes.apple.com/br/album/monstro/id1098797740?at=11lt9b&app=itunes
– Spotify: https://open.spotify.com/album/1zv5SgkrtSb0O0PMEIxiwr
– Deezer: http://www.deezer.com/album/12758810
– Naspter: http://app.napster.com/artist/de-falla/album/monstro
– Google Play: https://play.google.com/store/music/album/DeFalla_Monstro?id=Bcolajqddsgdyfw6ywrvqw52d7i&hl=pt-BR
– Amazon: https://www.amazon.com/gp/product/B01DOMRL48?ie=UTF8&keywords=defalla%20monstro&qid=1460724032&ref_=sr_1_3&sr=8-3
– Rádio Uol (Deezer): http://deezer.musica.uol.com.br/album/12758810/defalla/monstro
– Groove (X-Box Music): https://music.microsoft.com/album/defalla/monstro/bz.2F90A309-0100-11DB-89CA-0019B92A3933?target=web
– Tidal: http://listen.tidal.com/album/58937288
– YouTube: https://www.youtube.com/playlist?list=PLTaRWr5sdDvkBo2RI69wZfJstkXB_8PfU

CD físico: nas principais lojas de todo o Brasil a partir do inicio de maio – valor sugerido: R$25,00.

Links:
Facebook: https://www.facebook.com/DeFalla
Twitter: https://twitter.com/bandadefalla
Instagram: https://www.instagram.com/defallaoficial/

Discografia:

Álbuns de estúdio
Papaparty (1987)
It’s Fuckin’ Borin’ to Death (1988)
Screw You! (1989)
We Give a Shit! (Kickin’ Ass for Fun) (1990)
Kingzobullshitbackinfulleffect92 (1992)
D.Fhala Top Hits (1995)
Miami Rock 2000 (2000)
Superstar (2002)
Monstro (2016)

EPs
Demo Tape (1986)
Megablasts Hell (1991)
Fire (1998)
With This Disk We Shall Become the Rulers of the Universe (1999)

Sobre Rock Gaúcho 13768 Artigos
O portal Rock Gaúcho está há 15 anos levando o que há de melhor do rock feito no sul do Brasil para todo o mundo através da Web! Siga-nos em nossas redes sociais e fique por dentro de tudo que acontece por aqui!