Nei Lisboa

Enfim, o Brasil. Compositor gaúcho comemora 30 anos de carreira com sua primeira turnê nacional (Juarez Fonseca, jornalista). Em novembro de 1979 os muros do Bom Fim, mitológico bairro de Porto Alegre, amanheceram pichados com a frase “Deu pra ti, anos 70”. O mistério se desfaria poucas semanas depois: era o título do primeiro show individual de Nei Lisboa, dando adeus a uma década pesada – na qual seu irmão Luiz Eurico “desaparecera” nos porões da ditadura. Mas no subtexto a frase acreditava em dias melhores, até porque a Anistia já vigorava desde agosto. Nei tinha 20 anos. Em 1981, com ele atuando e canções dele na trilha, o título do show virou o título do filme que se tornaria um símbolo daquela geração de jovens músicos, atores e cineastas, de certa forma antecipando seu futuro (pois lá estava a semente da hoje consagrada Casa de Cinema de Porto Alegre). Esses momentos “fundadores” pontuam as comemorações pelos 30 anos de carreira e os 50 de vida, iniciados em 2009 e sintetizados por Nei Lisboa no show produzido especialmente para apresentações em nove cidades de sete estados, em sua primeira turnê nacional. Você leu bem: primeira. Mas nem precisa perguntar por que um dos mais populares músicos do Sul, com uma obra da qualidade da sua, reconhecida por críticos bem-informados de todo o país, demorou tanto para levá-la ao público de outras latitudes e longitudes. Nem ele sabe justificar direito as razões da ausência. Tenho uma suspeita: quando se deu conta, 30 anos haviam passado a jato. Querem ver? Perguntei por que não fez turnê parecida dez anos atrás. Resposta: “Hoje tenho um acúmulo de vida artística que aos 20 não era tão intenso. Não tinha a firmeza de hoje. Nesta década, foram três discos, além de um livro de crônicas, um acervo que está merecendo uma exposição lá fora. Mas sim, havia um descompasso entre a importância que me atribuem em casa e o desconhecimento de São Paulo para cima. Tenho ido regularmente a São Paulo, Curitiba, Florianópolis. No Rio, conto nos dedos as vezes em que estive; uma só, nesta década. Em Brasília foi uma vez, de passagem, e assim mesmo eu e violão, numa feira do livro, mais como escritor. Em Belém estive há coisa de 20 anos. Em Belo Horizonte, acho incrível nunca ter me apresentado; várias vezes ensaiei essa ida, e não aconteceu.” Enquanto isso, ele aprimorava o idílio com os fãs no Sul, fazendo shows de diferentes formatos e repertórios, invariavelmente lotados. Fiel, a geração que assistiu ao seu surgimento viu novas gerações sendo agregadas, formando um público ao mesmo tempo heterogêneo e homogêneo. Gente dos 20 aos 60 anos que não perde suas apresentações e o considera quase como uma pessoa da família, deliciando-se com sua música e seu senso de humor, suas observações sempre salpicadas de fina ironia. Durante muito tempo ele freqüentou os bares do Bom Fim como um habituê qualquer. Quando chegou aos 40 anos e começaram a chamá-lo, afetuosamente, de “senhor do Bom Fim”, retirou-se ao natural. Pouco depois nasceria Maria Clara, sua filha. Poderia sem problemas seguir a mesma vida, completa em si, mas restrita a baixas quilometragens. Até que em um dia de 2009 achou que já estava na hora de fazer percursos mais extensos. Inscreveu na Petrobras Cultural o projeto da turnê por nove cidades de sete estados e ganhou o patrocínio. “Por minha conta, dificilmente eu poderia materializar uma produção dessas”, argumenta. Agora, sua expectativa é ter uma primavera de muitas alegrias. A banda está pronta, com os dois músicos que o acompanham há anos, Paulinho Supekóvia na guitarra e violão (foi integrante do grupo instrumental Cheiro de Vida) e Luiz Mauro Filho nos teclados, mais Clóvis “Boca” Freire no baixo e Giovani Berti na percussão. O roteiro do show é uma retrospectiva da carreira, com músicas dos oito discos autorais, entre elas Pra Viajar no Cosmos Não Precisa Gasolina, Verdes Anos, Paisagem Campestre, Verão em Calcutá, Telhados de Paris, Faxineira, Romance, Cena Beatnik, Pra Te Lembrar, Bar de Mulheres, Translucidação. Conforme o clima do show podem entrar canções do álbum Hi-Fi, de 1998, reunião de sucessos do pop internacional da época em que o Nei estudante viveu nos EUA. O público vai poder comprar um CD exclusivo, com a inédita gravação de um show em São Paulo em 2004, mais o registro em estúdio de Vapor da Estação, música sobre o sentimento de estar na estrada composta especialmente para as plateias da turnê. “Não estou fazendo este investimento com a ideia de me lançar para o Brasil, mas sim de pagar uma dívida, cobrir uma lacuna junto a um público específico, mais seleto, que demanda o conhecimento inter-regional, que cultiva o salutar hábito de gostar de coisas fora do mainstream, fora da mídia”, Nei registra. Quer dizer: vai ao encontro de um público que de certa forma já sabe ter, que há muito se comunica com ele e sua música através do site. “Também espero plantar umas sementinhas, quem sabe… Em Curitiba, por exemplo, tive na primeira vez um teatro lotado e, por conta disso, voltei outras vezes. Quem sabe não se repete agora, nas outras cidades? Aos 50 anos, tá na hora.”  (Retirado do MySpace)

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