Novo álbum de Dado Villa-Lobos tem colaboração de Nenung, da banda Os The Dárma Lovers

Em breve, o mundo de Dado Villa-Lobos vai entrar em colapso. Quem avisa, sem nenhum tom apocaliptico, é o próprio Dado, sentado tranquilamente em frente às caixas de som do seu estúdio, um casarão reformado, com uma sala de oito metros de pé direito, no Horto. Ali, desde o meio do ano passado, ele tem gravado o seu segundo disco solo, sucessor de “MTV apresenta: Jardim de cactus”, de 2005.

“O disco vai se chamar “O passo do colapso”, com o subtítulo “E músicas aleatórias”. Achei que essa era uma boa expressão para definir o momento em que a gente está vivendo, com o fim de um modelo antigo de produção, gravação e divulgação da música, e também de mudanças em várias outras áreas da produção cultural, além das nossas vidas em geral”, diz o ex-guitarrista da Legião Urbana sobre o conceito do álbum, que deve ser lançado ainda neste semestre, de forma independente, pelo seu selo, Rock It!.

Com participações de Chimbinha (guitarrista da Banda Calypso), Arto Lindsay, Marcelo Bonfá, os Paralamas do Sucesso, Fausto Fawcett, China e o emergente power trio carioca Cabeza de Panda, o disco retrata tais questionamentos, algo que rondou a cabeça de Dado nos últimos anos, fazendo com que ele tivesse dúvidas sobre os rumos da sua própria música.

DILEMA

“Não que eu pensasse em parar de tocar. Isso nunca passou pela minha cabeça”, esclarece ele, que assinou várias trilhas sonoras nos últimos tempos; a mais recente, a do filme “Malu de bicicleta”, de Flávio Tambellini. “Minhas dúvidas eram outras, quase existenciais. Gravar para quê? Gravar para quem? Lançar por onde?”

Quem desfez o nó nas costas de Dado foi o produtor do disco, Kassin.

“O Kassin chegou para mim e disse a coisa mais simples e correta do mundo: ‘Você tem que gravar primeiro o que tem na cabeça. Depois, decide o que fazer com isso’”.

Dito e feito. Na metade de 2010, ele começou a estruturar o disco, chamando novos e antigos parceiros para ajudá-lo. No setor de letras, disseram presente nomes como Fausto Fawcett, Marcelo Guimarães (do grupo gaúcho Robô Gigante), Nenung (da banda Darma Lovers, também gaúcha) e o cantor e compositor pernambucano Jr. Black. De fora, Dado trouxe, importada, “Son”, extraída de “12 bar blues”, disco solo de Scott Weiland, vocalista do grupo americano Stone Temple Pilots.

“É uma letra bem legal, que de certa forma me faz pensar na minha relação com meu filho, Nicolau (hoje com 23 anos)”, diz ele, enquanto deixa a sua bela versão da música ecoar pelo estúdio.

Fazendo jus ao seu subtítulo, “O passo do colapso” soa, numa primeira audição, mais variado e eclético do que o subestimado “Jardim de cactus”, com sua espessa parede de guitarras.

“A expressão “E músicas aleatórias” é a minha interpretação do botão “shuffle”, do iPod”, conta Dado. “O disco tem a ver com isso”.

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