Os Pampa Haoles: curtir música pode ser uma experiência para além da audição

Os Pampa Haoloes / Marcelo Allende

Existe quem não lembre, e até quem não saiba, mas a experiência de ouvir um álbum costumava ir além de ser apenas auditiva. Havia a sensação de pegar o material em mãos (tato), de sentir o cheiro do encarte (olfato) e a satisfação de fitar atentamente a arte da capa (visão). Pois Os Pampa Haoles querem colocar em voga novamente essa prática sinestésica com seu primeiro disco. Por isso, estão encampando um financiamento coletivo para viabilizar o registro de estreia em CD. Quem quiser colaborar, pode acessar https://bit.ly/3abobUK

Para que escutar música seja novamente uma vivência artística que toque os sentidos é preciso, justamente, materializar os sons em formato físico. Também é necessário pensar a parte gráfica, tanto a diagramação quanto a criação de um invólucro ilustrado. Foi com isso em mente que o trio de surf music porto-alegrense — formado por Rodrigo Nizolli (guitarra), Gabriel Bard (guitarra) e Luigi Rokero (bateria) — convidou o também músico e artista visual Felipe Neb para criar uma ilustração.

“Nada mais justo do que trazer à realidade esse trabalho que, praticamente, vi ser ensaiado desde as primeiras notas até ter a chance de fazer o desenho da capa. Para a arte, além do meu próprio estilo característico, busquei influências em cartoons e filmes B trash com psicodelia feitos em décadas passadas. A meu ver, são as referências que mais têm relação com o estilo de som da rapaziada nesse registro. Materializar esse trampo, com certeza, vai fazer o pessoal redescobrir o prazer artístico da musica em um pacote completo”, avalia Neb.

O baterista Luigi Rokero acrescenta o porquê de disponibilizar em formato físico o primeiro disco de estúdio d’Os Pampa Haoles, mesmo em dias nos quais o lançamento on-line é bem mais prático e facilitado.

“Eu julgo importante as bandas terem o registro físico, pois esse é, realmente, o trabalho. Apoio a música digital, é como se consegue atingir mais pessoas, dá para ter composições rodadas em outros países via internet. Porém, daqui alguns anos, uns 20 ou 30, vai ser bacana ter o disco de verdade arquivado. O objeto palpável acaba sendo mais pessoal. No futuro, poderemos mostrar para os netos essas produções que gravamos, ou mesmo as dos amigos que fizeram o mesmo. Apresentar como eram ‘nas antigas’ as mídias musicais. Daqui um tempo até o Spotify vai ser obsoleto, existirão outras fontes para se consumir música. O físico vai ficando. É como a fotografia digital, que se perde mais que a impressa. Se tu danificas um HD com imagens, já era. Mas se imprimiu e guardou numa caixa em cima do guarda-roupa, vais ter elas para sempre. É muito mais fácil acessar música digitalmente, mas a recordação que um formato físico proporciona é sem igual”, reflete o baterista Luigi Rokero.

Existe ainda todo um envolvimento afetivo, conforme o músico:

“Viemos de uma época em que havia três maneiras de adquirir um álbum: CD, vinil e K7. Era muito legal quando tu pegavas o CD, por exemplo, e tinha o cheirinho do encarte. O lance de ler as informações do disco, em que estúdio foi gravado, quem escreveu a letra, quem compôs a música. Esses dados são muito interessantes para quem curte som. Além disso, dentro do encarte, costumavam vir fotos inéditas dos artistas. Tinha toda uma magia de pegar um disco na mão, tirar ele da capa e descobrir o que tinha dentro.”

Em tempos nos quais a cultura afunda, vá contra a maré e apoie os artistas independentes.

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