Os Replicantes lançam novo disco, fiel à tradição da banda

Dizem que quem tem um disco dos Ramones ou do AC/DC tem todos. Pura intriga da oposição, claro – mas, nessa brincadeira, o mesmo pode ser dito dos Replicantes. A decana banda gaúcha acaba de lançar um novo trabalho fazendo exatamente aquilo que sempre fez: punk rock. O que, a exemplos dos próprios Ramones e do AC/DC, consegue posicioná-la entre coerentes e originais quase 30 anos desde sua fundação.

Eles mesmos, de propósito ou não, ironizam o fato de continuarem a misturar Sex Pistols, Dead Kennedys e Bad Religion nomeando seu novo álbum como Os Replicantes 2010. É como se dissessem: Ei, quem mais poderia fazer isso nessa década que começou com filhinhos de papai blasés e de cabelos lambidos e termina agora com mancebos de classe média vestindo calças justas verde limão?.

Mas a versão oficial é bem mais simples e direta, como esclarece o baixista e fundador do grupo Heron Heinz, 53 anos.

– É só o que sabemos fazer, não tem jeito. E nem tentamos ser diferentes.

Irônico notar que, não tentando soar diferentes ou modernos, os Replicantes pareçam tão únicos. As guitarras estridentes de Cláudio Heinz, a bateria seca de Cléber Andrade e os vocais furiosos e abnegados de Julia Barth (como cantora, sou uma ótima atriz, afirma) só encontram paralelo neles mesmos. E não apenas no que toca à sonoridade, mas também às letras.

Ingênuas e contestadoras como a boa poesia punk deve ser, elas gritam contra o tal do sistema (Terrorismo Sem Bomba, Alguém Explica?) e as instituições (Maria Lacerda, Rock Star), mas também fazem alertas ecológicos (Chore Meu Bem) e discutem a vida virtual (Second Life).

– Não existe tempo para tu deixar de ser rebelde, para parar de se rebelar contra as coisas. A gurizada tem que ser crítica, não pode se abraçar ao que está aí sem questionar – completa Heron.

Ainda que composto e testado quase todo em 2008, nas excursões que também serviram de laboratório para consolidar Julia como a nova vocalista no lugar de Wander Wildner, o disco só foi finalizado nos estúdios da Marquise 51 no final do ano passado. E não foi por excesso de polimento, já que as 13 faixas são tão cruas e sujas como se gravadas na década de 1980.

Com a época de nascimento dos Replicantes, aliás, Heron não costuma lamentar muito:

– Fizemos o que tinha que ser feito sem nunca nos trair, acho que isso foi importante. O que só acho que era melhor antes é que parecia haver mais lugares para tocar.

Para amenizar o problema, o grupo vai ao Beco, um dos atuais e mais atuantes espaços para shows de rock na Capital, lançar oficialmente o disco, no dia 15 de julho. Até lá, viaja pelo interior do Rio Grande do Sul, levando a bandeira da resistência para onde forem chamados, como explicam na carta de intenções De Sul a Norte: Não tem versão nem verso forte, tem é muito punk rock pra tocar de sul a norte.

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