ProzaK

ProzaK,apelo pop,carne de panela e genialidade, por Andrio Maquenzi

Ali pelo bairro Santo Antônio, em Porto Alegre, cresceram dois irmãos com diferença de uns 5 anos de idade, ouvindo música pop na sala de estar dos seus pais. Era meados dos anos 80/90, e lá estavam os dinossauros Pink Floyd, Raul Seixas girando na vitrola, entre outros. Desde cedo, o contato com o rock foi benfazejo graças aos coroas – o pai deles, aliás, tinha uma suspeita semelhança com o Roger Waters, mas enfim… fecha parênteses.

Até aí, nada de muito especial. A grande sacada veio já nos anos 2000, quando o guri mais jovem uniu a fórmula pop do rockão clássico aos caminhos tortos da safra Nirvana, Everclear e outras pérolas do alternativo, aliados a sua visão “loser” do mundo e atitudes um tanto excêntricas, como se esconder da luz e viver na penumbra, falar sobre temas obscuros e/ou cruciais na existência humana, como a morte e as desilusões com o sexo oposto (ah, esses anos 90 e a geração prozac!). Claro que nem tudo era chororô, havia também o humor sarcástico e a capacidade de rir da própria cara.

O garoto Bruno Daitx dava luz à ProzaK (com a grafia devidamente modificada), primeiro como um trio, acompanhado de André Gules e Adilson Tessari. Logo após, o irmão Brisa Daitx iria se juntar nas guitarras e dar a sua contribuição “som de Manchester” à coisa toda. Virou família, e ralaram. Bastante. Fizeram um bocado de barulho pela região metropolitana do RS, num tempo em que a expressão “cenário musical independente” ainda provocava risadas por aqui.

Nessa caminhada, os caras gravaram três bons discos entre 2001 e 2004, total indie, ou seja, cuidaram de tudo. O que se percebe nesses trabalhos é uma banda extremamente sincera, munida de um rico apelo pop e salpicada de erros, o que é digno de genialidade. Assim se percebia nos shows: O baixo de André Gules é preciso e consistente. Adilson Tessari, quando não está em casa ouvindo Brujeria no talo, espanca as peles e pratos com uma puta voracidade.

À frente, o wah-wah da guitarra de Brisa martela em cheio a moleira. E a paixão com que Bruno executa os vocais é impressionante, como se rasgasse o peito com faca de manteiga. O que muitas vezes o cega e faz atropelar a afinação. Que se dane! É como um açougueiro te oferecendo uma carne de paleta com osso: meio dura, mas na pressão fica supimpa! Está tudo ali, é só extrair.

Os irmãos Daitx ainda passaram pela morte do pai, e um hiato posterior. Felizmente, não durou muito: no meio de 2009, a banda decide se reunir e continuar a escrever sua história, com um pouco mais de experiência, mas a mesma observação realista sobre os conflitos existenciais do humanóide. A carne de panela volta com muito mais sabor. Apreciemos.
Velho Daitx, valeu por mostrar para esses guris o caminho.

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