Rudson Xaulin Apresenta: Parte 4 – Rosa Tattooada

Rosa Tattooada / Tanusa Dresch

Um dos nomes mais fortes do rock n’ roll do Rio Grande do Sul. A ROSA TATTOOADA sempre figurou em meio a conversas sobre o rock, em lacunas de jornais sobre o tema, ou sempre teve seu nome citado quando alguns seguidores se amontavam pelas ruas para falar do seu gênero musical favorito. A banda se fez presente, e muito necessária, em shows e festivais de grande porte que eu pude ir, com isso a banda figurou de maneira muito fácil pra mim no meu meio musical. Peguei logo gosto pelas canções, carregadas em um “Hard Rock Classudo”, de fácil entendimento e de letras que ponderavam sobre o dia a dia ou como o rock n’ roll gira em torno da sua vida. Acho eu que a ROSA TATTOOADA é de longe a melhor banda de Hard Rock do Brasil, na minha humilde opinião. Por sorte, eu assisti a dezenas de shows da RT em todos os cantos do estado, grandes memórias me brotam quando grandes canções ecoam na minha cabeça. Acho eu que dois momentos me marcaram mais com a banda: Um deles foi o show que aconteceu em Porto Alegre, onde a banda subiu ao palco junto de VERA LOCA e TEQUILA BABY. Naquela tarde, ao ar livre, cerca de 12 mil pessoas (uns dizem até 15 mil), lotaram as imediações do Gasômetro, e foi uma grande festa. A “trinca de ouro” estava no palco, e foi uma tarde/noite memorável. Outro grande destaque foi à abertura que a banda fez para o GUNS N’ ROSES em 2010, também na capital. Um show com muitos problemas e atrasos, tanto que a TEQUILA BABY estava lá, mas nem conseguiu subir ao palco. A ROSA TATTOOADA subiu, tocou três canções, com JACQUES MACIEL erguendo a bandeira do nosso estado, e levando o povo ao delírio. Depois, alguns equipamentos da banda foram cedidos a SEBASTIAN BACH (ex-SKID ROW), pois o caminhão que vinha com os seus equipamentos do RJ, tinha sofrido algum grave problema pelo caminho. Citei o GUNS N’ ROSES, pois sempre que se falava da passagem da trupe dos EUA aqui, antes de 2010, a ROSA TATTOOADA era lembrada, pelas lendárias aberturas dos shows do grupo, sendo que foram escolhidos a dedo pela equipe do GNR, desbancando um balaio de banda de grife da Globo e de maior entonação de público, os gaúchos foram escolhidos por aquilo que mostraram em seu disco, foi o típico tiro de “ouvido e gosto”.

Músicas em Destaque:
Dezenas, mas eu vou dizer que foi TARDES DE OUTONO que me fez cair nas graças da banda de imediato. Hoje em dia, ela até ganhou uma repaginação e um clipe muito bem feito, mas a sua versão original é um prato cheio para se ouvir a qualquer hora e qualquer lugar. Outra de grife, é CARBURADOR, ainda mais para alguém como eu, que guarda na garagem um velho Opala 1979 de 6 cilindros, essa faixa casa perfeitamente com aquele possante, seu ronco, e os embalos da estrada! UM MILHÃO DE FLORES é outra que não pode passar em branco, e claro, a que despontou a banda para milhares, O INFERNO VAI TER QUE ESPERAR, clássico nacional, sem dúvidas. Indico também ROCK N’ ROLL ATÉ MORRER, VOANDO BAIXO, NA ESTRADA e deixo aqui ainda REZAR NÃO VAI TE LIVRAR DO FIM, faixa do último disco de estúdio da banda, grande canção, grande letra e grande clipe. Foi muito bom ver um som tão jovial, mas com a cara da banda de outrora, essa receita de não cair no esquecimento de si mesmo, é que faz da ROSA TATTOOADA um marco na sua própria história. Indispensável é a palavra certa para a banda…

Curiosidades:
Uma coisa bem legal de dizer, é que lá atrás, bem no inicio dos meus livros, o baixista da banda, VALDI DALLA ROSA, apoiava meu trabalho. Tanto que ele foi um dos poucos que conseguiu uma cópia do livro “Um Projeto De Cão Chamado Jill”, ainda independente, e que mais tarde foi lançado em Portugal. Com o passar do tempo à amizade foi aumentando, eu não sabia que iria chegar ao ponto de conseguir unir os livros à música, fiz isso em “Contos Da Pedra” (livro carregado com clássicos do rock n’ roll que deram origem a centenas de poemas meus) e com isso comecei a fazer produção de shows. Um dos eventos foi um grande festival de rock, que levava meu nome e onde colocamos oito bandas no palco, uma delas foi a ROSA TATTOOADA. Foi incrível ver a banda no palco naquela noite, sob essas condições, e ter ainda REZAR NÃO VAI TE LIVRAR DO FIM, dedicado ao “escritor do rock, Rudson Xaulin”, foi surreal e muito gratificante. A amizade com a banda só foi aumentando, tanto que hoje em dia, sempre que vejo algo relacionado ao KISS, sempre aviso o JACQUES MACIEL que vi um filme que ele possa gostar, série, ou coisa do tipo, devido a saber que ele gosta muito do KISS e a banda de algum modo estar presente lá, assim como ele sabe que eu gosto muito do GUNS N’ ROSES. Outra coisa muito bacana de dizer, é que antes de conhecer o MACIEL pessoalmente, eu ouvia muitas coisas dele ser “isso ou aquilo”, cheio de frescura, um sujeito difícil de lidar, mas cara, o rapaz é um lorde. Uma das figuras mais educadas e simpáticas do meio! E foi bem bacana ouvir o MACIEL dizer que já conhecia meu trabalho, pois o pessoal da TEQUILA BABY havia mostrado e falado de mim pra ele. Então rapazes, obrigado pela amizade e por seguirem na estrada levando o rock n’ roll pra frente sempre, bem como divulgando meus livros, claro!

Entrevista com VALDI DALLA ROSA:
RX – O que poderia ser feito, falando em espaço, mídia, shows, para que o rock n’ roll tenha sua relevância de outrora? Ou acha que isso é um problema interno do Brasil e da nossa cultura musical?
Valdi: Existem hoje alguns pontos que são determinantes pra música no Brasil estar onde está. Um deles é a chamada “Indústria Cultural” que inverteu o papel da arte, que é o de abrir caminhos de mudança e trazer informação e cultura e que transformou a música em uma mercadoria. A Indústria Cultural no Brasil acabou com os interesses de um projeto para a educação e evolução do país em nome do interesse do capital. É isso que acontece quando ligamos o rádio ou a TV e vemos só um ou dois segmentos de música todos os dias! É a troca descarada da cultura pelo dinheiro! Essa manipulação acontece há muitos anos e já traz seu prejuízo em forma de música de má qualidade com composições vazias e sem conteúdo relevante, uma produção de baixa qualidade musical. No Brasil temos tantas expressões artísticas ricas como à dança, pintura, literatura, música e que são deixadas de lado. Músicos que possuem obras superiores tecnicamente, ou em qualquer outra questão, ficam sem espaço na grande mídia. Então, acho que o espaço que foi tirado não foi só o do rock, mas de todas as vertentes de música e arte de qualidade seja ela qual for! Um dos novos grandes espaços pra manifestação está sendo a internet, uma via expressa onde a informação corre ha 1000km/h e é uma das esperanças para que essa mudança ocorra na minha opinião. Hoje as bandas vendem o seu material direto para o fã por esse meio. Não dá mais para imaginar a venda de discos como um negócio lucrativo. A valorização do show ao vivo é o retrato disso. Por esse lado, é bom para o músico que sempre ganhou mais, trabalhando duro mesmo.

RX – Uma história engraçada com a sua banda, de sufoco, injustiça, algo que aconteceu, mas que não deveria ter acontecido?
Valdi: Acho que um episódio que me marcou , foi a abertura para o GUNS N’ ROSES em 2010. Colocamos uma expectativa muito positiva nesse show, e pra mim como “novo” integrante da ROSA TATTOOADA e ainda poder junto com a banda, abrir para uma dos maiores ícones do Hard Rock do mundo, a expectativa era gigante! Infelizmente alguns problemas técnicos e atrasos na montagem resultou no quase cancelamento da nossa participação nessa noite. Acabamos tocando por 20 minutos aproximadamente! Quando na realidade queríamos ter feito nosso set list combinado e ter dado pros fãs da banda o que eles mereciam. Mas, deixamos nosso recado e fizemos nosso melhor diante de tudo.

RX – E fale aqui sobre qualquer coisa que ache que está errado, direcionando isso para produtores, casas de shows, mídias, público ou até mesmo outras bandas:
Valdi: Acho que um dos pontos está no fato dos músicos não se ajudarem. A competição atrapalha bastante o mercado. Vemos profissionais puxando o tapete um dos outros por achar que vai perder espaço e isso não é verdade, se o trabalho for bacana o público vai comprar, não importa se tem dinheiro investido ou qualquer coisa, quem escolhe isso é o público, não vai adiantar forçar a barra e penso que sempre há espaço pra todos se a qualidade do trabalho for boa! Temos que nos ligar que nessa corrente gigante de negócios que envolvem a arte e a música, nós somos os principais sujeitos. Sem nós não existe o “produto” para venda. Nós que fazemos desta arte a nossa vida. Temos que aprender a nos valorizar mais! Também temos a supervalorização para o que vem de fora. Inacreditável que no Brasil, cachês enormes são pagos para atrações internacionais, o que para os músicos brasileiros não acontece o mesmo. Outra coisa é o negócio do jabá na rádio, na TV, qualquer coisa pode surgir do nada, se rolar uma compra de espaço. Por isso montes de porcarias estão à solta por aí e acho que isso deveria acabar. Quem perde é o artista e o público. O público na real tem que ser mais seletivo e enxergar esse produto ruim que estão empurrando pra eles. Outro ponto muito discutido é a questão dos direitos autorais. Na grande maioria das vezes quem licencia o conteúdo são as gravadoras e distribuidoras digitais, e não os músicos diretamente. Então, elas é que possuem a responsabilidade de remunerar o artista, seguindo o contrato entre eles. No nosso país ainda é um tema nebuloso e que deveria mudar, pois nosso trabalho é o nosso patrimônio. Devemos pensar que o capitalismo além de matar muitas pessoas, está matando e enterrando sem pena a boa música. Deixo aqui também meu muito obrigado ao amigo e guerreiro no “front” da arte e cultura no Brasil, Rudson Xaulin pelo espaço e parceria!

Clipe de REZAR NÃO VAI TE LIVRAR DO FIM
https://www.youtube.com/watch?v=AFMaaRqB-WM

Clipe de TARDES DE OUTONO
https://www.youtube.com/watch?v=9t9XIkEVYtQ

Clipe de O INFERNO VAI TER QUE ESPERAR
https://www.youtube.com/watch?v=IFJhjO-xVSo

DVD COMPLETO (RosAcústica)
https://www.youtube.com/watch?v=yEFXpPPQcW0

FULL ALBUM – CARBURADOR
https://www.youtube.com/watch?v=04aK9Rz3uGM

Fonte: Rudson Xaulin

por Angels Publishing

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