Rudson Xaulin Apresenta: Parte 5 – Os Horácios

Os Horácios / Lucas Cavalheiro

Um dos nomes mais lembrados da cena musical de Porto Alegre é o nome da banda OS HORÁCIOS. Como eles mesmos dizem: “Eles são a resistência”. Um tipo de som cru, uma banda que faz o que acha que tem que fazer e por muitas vezes, muitas bandas erram exatamente nisso: Não quer dizer que fazer do seu modo, fazer aquilo que seu coração manda ou fazer algo que você acha revolucionário, é sinal de qualidade, mas com eles, é. Tudo, querendo eles admitir ou não, é bem feito. Mesmo com ares de esbórnia, de cantos de rua e meninos que vivem a margem do mainstraem, a banda só solta coisa boa. Qualidade no som, nos clipes e nas fotos (não que a carinha deles seja lá grande coisa, mas as fotos são bem feitas), obviamente, eu não poderia perder a piada! E foi assim, ouvindo sobre eles aqui, vendo eles abrindo um show lá, sabendo do nome deles em um festival cá, que o nome da banda, sempre esteve presente no meio de quem frequenta shows e respira o que rola de rock n’ roll no estado do Rio Grande do Sul. Foram dezenas de apresentações que eu vi por aí ao longo dos anos, e mesmo a banda soltando o, até então talvez o quinto e último disco, pelo menos o nome indica (HASTA LA VISTA), eles ainda tem lenha para queimar.

Músicas em Destaque:

Eu acho que devo apontar as canções com videoclipes, sem sombra de dúvida. Por isso deixo coisas como CHICLETINHO (o som feito para aquele gaúcho frouxo, que tem medo de dizer certas coisas para a amada), a sacada sarcástica e engraçada na versão de VOCÊ É A LETRA X DA PALAVRA LOVE (sim, isso mesmo, Falcão) e ainda MÚSICO FRUSTRADO, que mostra a realidade de muitos músicos da cena underground, de modo irônico e com participações de nomes conhecidos da cena do sul, como DUDA CALVIN, da TEQUILA BABY e do consagrado radialista MR PI.

Curiosidades:

Outro ponto legal de mencionar, é que depois que tudo aconteceu com os meus livros, fui me aventurando mais a fundo no meio das produções de shows. Realizei alguns, grandes eventos e até mesmo meu nome esteve envoilvido em eventos com bandas lacais, apresentações de outras bandas, e eu lá, como “atração”. As bandas leem alguma passagem de “CONTOS DA PEDRA”, meu livro poemas, todos derivados de grandes clássicos do rock n’ roll mundial, e em uma dessas ocasiões, foi com a banda OS HORÁCIOS. Divulgamos o banner do evento, falamos dias por dias, e quando finalmente chegou na data da apresentação, eu mal consegui conversar com a banda, mas mesmo assim, no meio das canções que o vocalista, TIAGO HORÁCIO, sabe que eu gosto, soltava um “vamos lá Xaulin”, até aí, tudo bem. Mas ele é cego, e numa dessas, eu estava no banheiro, e ele soltou um “essa é pra ti Xaulin”, e eu comecei a rir, e o cara que estava no banheiro, achou que eu estava na maior brisa. Outro fato sobre a visão dele, é que ele mesmo faz piada sobre isso o tempo todo, e muitas pessoas assim que o conhecem, estranham, não sabem se dão risada, se podem rir daquilo, e ele quebra o gelo, logo com essa, logo com essa, Tiago? Outro ponto, foi que o bordão de “escritor do rock” pegou bastante no RS, então um dia estávamos em um show grande no Opinião, casa lotada, e lá pelas tantas, avistei o Tiago, lá no meio do povo. No final da apresentação, consegui ir lá, e toquei nas costas dele, ele me abraçou. Ele não sabia que era eu, obviamente, então começamos a conversar sobre o show, “que baita apresentação”, “curto muito essa banda”, e ele me dando maior assunto, mas tentando saber quem era. Aí eu disse: “Tu sabes quem está falando contigo?” e ele emendou um amarelo: “Putz meu velho, não querendo ser grosso, mas eu não tenho a mínima ideia”… Eu comecei a rir e disse: “É um cara que tu chama de escritor do rock”. Prontamente ele soltou a birita e me abraçou com alegria, ficou muito feliz e eu nunca vou esquecer disso.

Entrevista com TIAGO HORÁCIO:

RX – O que poderia ser feito, falando em espaço, mídia, shows, para que o rock n’ roll tenha sua relevância de outrora? Ou acha que isso é um problema interno do Brasil e da nossa cultura musical?
T. Horácio: O rock existe em profusão ainda pelo Brasil. Muitas bandas lançam seus trabalhos independentes diariamente em cada canto do país. Mas neste momento, a mídia tradicional (rádio, jornal, televisão), não dá o valor devido a estes trabalhos e o efeito dominó, acaba acontecendo. O público em geral acaba não conhecendo estas bandas, as casas noturnas não dão espaços e assim vai. Devido a todo este contexto, as bandas de rock precisaram reinventar-se nas divulgações e autopromoções, criando seus próprios espaços para tocarem, vide muitos shows na rua. Os bares tendem cada vez menos, dar espaços para novas bandas e as mesmas, irão precisar justamente estruturar-se na compra de equipamentos para promoverem seus próprios eventos em festas de rock, shows ao ar livre, são elementos muito importantes neste momento de entressafra do rock na grande mídia, mas saliento novamente: As bandas seguem trabalhando e muito!

RX – Uma história engraçada com a sua banda, de sufoco, injustiça, algo que aconteceu, mas que não deveria ter acontecido?
T. Horácio: Poderia escrever muitas histórias engraçadas, pois toda banda independente que se preze, passou e passa por inúmeras situações bem peculiares. Dito isto, lembrei de uma historinha acontecida faz muito tempo. Fomos fazer um show em um lugar muito legal, ao ar livre em POA. Alugamos um equipamento bem bacana e entre os itens, uma bateria, pois a nossa estava sofrendo reparos. O dia estava lindo, com um sol e um céu de digno de cartão postal! Mas uma situação quase estragou todo aquele cenário: Eis que o dono da bateria que nos foi alugada, faltando uma hora para começar o baile, disse que não mais nos alugaria, pois o sol forte poderia “empenar” o instrumento dele. Na hora, além de frustrado, fiquei imediatamente irritado com está falta de responsabilidade dele, afinal a praça estava lotada, os técnicos de som contratados, banda lá e ele indiferente aquilo tudo. Após discussões entre a banda e técnicos de som para com ele, vimos que era melhor tomar uma outra decisão e que fosse rápida. Fomos então até o nosso estúdio, pegamos nossa bateria mesmo, com problemas, e trouxemos até o palco do show. Obviamente as coisas atrasaram, o nervosismo tomou conta, mas o show não podia parar em nome de uma atitude de uma pessoa. Depois de tudo isto, o baile começou e foi demais! Público e banda divertiram-se até a última canção, só que justamente, antes de terminar o tal show, em um momento de desabafo, acabei me deixando levar e no microfone, exclamei: “MUITO OBRIGADO PELA PRESENÇA! SÓ QUE HOJE, ESTE SHOW QUASE NÃO ACONTECEU”. Então relatei toda história e após o “blá blá blá”, terminei dizendo: “Então, eu quero que este cara pegue cada peça da bateria dele, abra bem os glúteos e enfie uma a uma!” Sim! Eu sei que não é algo muito elegante não, mas naquele momento, eu precisava desabafar! A galera enlouqueceu, enfim. Não me orgulho muito disso não, pois creio que o respeito precisa sempre estar em primeiro lugar! Mas por todo o contexto e também por eu ser mais novo, acabei em nome da coisa toda, indo além! E daí vocês imaginem tudo o que aconteceu no outro dia, nas redes sociais que começavam a borbulhar por aí!

RX – E fale aqui sobre qualquer coisa que ache que está errado, direcionando isso para produtores, casas de shows, mídias, público ou até mesmo outras bandas:
T. Horácio: Buenas, no que tange ao rock, ele sempre passou por ciclos, ainda mais no RS. Não creio que na história do “o rock morreu” é esta coisa. Minha contribuição para ajudar na retomada “rocker”, é tentar vislumbrar novos caminhos… Acredito que as produções locais, casas noturnas, bandas, precisam dar conforto para o público. Som, estrutura, atendimento! Festas de rock, e não mais puramente o show da banda. Um combo que façam as pessoas terem vontade de ir em uma noite rocker! Penso também, que os produtores locais precisam respeitar os músicos, ajudando em custos com as bandas. Sabemos que não é fácil arcar com todas despesas, afinal se mata um leão por dia. Só que as bandas também tem custos. Penso que se houvesse mais diálogos entre produtores, donos de casas noturnas e bandas, poderíamos criar um grande movimento de união! O dialogo de hoje em dia, é muito mais tese em murais no Facebook, do que prática, enfim.

Clipe de CHICLETINHO

Clipe de VOCÊ É A LETRA X DA PALAVRA LOVE (versão)

Clipe de MÚSICO FRUSTRADO

por Rudson Xaulin

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