Três bandas gaúchas escaladas para o Planeta Atlântida representam nova geração do rock sulista

Está em todos os canais de TV, rádios e revistas. Está nos tocadores de MP3, nas paredes dos quartos, nos perfis do Orkut, nos nicks de MSN. E seus fãs estão reunidos nos estacionamentos dos shoppings, no porto-alegrense domingo na Redenção, nas escolas, nos shows e, principalmente, na internet. A nova geração do rock gaúcho é a cara, o som e a cabeça dos adolescentes. Bandas e fãs, meninos e meninas, dividem modelos de calças, maquiagens, cortes de cabelo e, especialmente, sentimentos, dilemas e preocupações.

Tópaz, Área Restrita e doyoulike? (confira os perfis no destaque ao lado) são alguns dos nomes que fazem parte desta renovação do cenário pop no Estado. Essas bandas, além de outros membros desse cenário, estarão no palco Novo Rock, na edição gaúcha do Planeta Atlântida – nos dias 5 e 6 de fevereiro, na Sede Campestre da Saba.

Essa safra de novas bandas tem inclusive um modelo de popularidade e de sonoridade: a Fresno, banda gaúcha com 10 anos de estrada, conhecida em todo o país e escalada para o Palco Central do Planeta. O exemplo da Fresno segue valendo para os grupos mais novos – todos estão chegando ao rádio depois de estourar na internet, como explica o diretor de programação da Atlântida, Alexandre Fetter:

– O que difere esse pessoal da cena das outras épocas é que eles não precisam mais das rádios e dos festivais pra aparecer para o grande público. A rádio acaba tocando depois porque essa galera já dispõe de outros meios.

Essas bandas transformam em música as angústias do adolescente, que está sempre em crise. É com essa velha fórmula, conhecida do pop mundial, que, segundo Fetter, o som chega ao público: como a voz para o que essa geração precisa expressar.

– Sempre tem uma relação de identidade com o artista jovem, com a faixa etária. Começou isso com os Beatles. É também uma questão de renovação de símbolo, de repertório, de bandas – explica Frank Jorge, cantor, compositor e também professor do Curso de Formação de Produtores e Músicos de Rock da Unisinos.

Fenômeno de popularidade mais recente do pop sulista, a Fresno virou ao mesmo tempo o xodó e o alvo dos jovens e da mídia em todo o país. Essa banda de meninos tatuados é um exemplo do clássico “ame ou odeie”. Lucas Silveira, vocalista do fenômeno teen, diz que a relação entre sua banda e as que começam a trilhar a estrada aberta pela Fresno é menos uma questão de influência musical e mais de convivência entre os diferentes grupos nos mesmos ambientes.

– É por termos ouvido as mesmas coisas. Mas, hoje, eu vejo cada um fazendo um som totalmente diferente – diz Lucas, para quem doyoulike? e Tópaz são dois nomes com potencial para estourar ao longo deste ano.

O fenômeno encabeçado pela Fresno não surgiu ontem. Forjada nas garagens das casas de meninos roqueiros, a cena começou a tomar forma em 2003, como eles mesmos contam.

– Só havia alguns shows no Garagem (Hermética) e, mesmo assim, era muito difícil conseguir. A gente se organizava no colégio e no mIRC (programa de bate-papo online) – conta Lucas Silveira, da Fresno.

O dito “rock gaúcho”, cujos maiores ícones fizeram sucesso nas ainda vivas décadas de 1980 e 1990, tinha como característica o “porto-alegrismo” e o gauchismo sem afetações. Frank Jorge ressalta que os então jovens roqueiros do Rio Grande tinham essa ligação com a cultura local naturalmente impressa em suas canções. E o público aprovava.

Essas referências à cultura local podem ser tanto artística, servindo de inspiração temática para as composições, quanto física, uma vez que alguns grupos optam por se mudar para o centro do país.

Frank – um dos principais personagens do livro Gauleses Irredutíveis, lançado em 2001 por Alisson Avila, Cristiano Bastos e Eduardo Muller, com depoimentos de integrantes de diferentes gerações do rock gaúcho – destaca seu respeito pela gurizada, mas não enxerga o movimento atual como um “novo rock gaúcho”.

– Não é para o bem nem para o mal. É uma geração que nega sua origem como quem quer ser globalizado, ter um aspecto profissional, mas isso é muito ingênuo – diagnostica Frank.

Alexandre Fetter discorda. Acredita, por exemplo, que muitas bandas gaúchas vão morar em São Paulo por uma questão de praticidade, e não de negação de origem – especialmente quando os grupos começam a fazer sucesso e querem ficar mais perto da grande mídia.

Lucas diz que ouviu os símbolos do rock gaúcho e representa, sim, seu Estado.

– Apesar de não vivermos uma cena musical localizada, rola uma “gauchice”, tanto que convidamos o Neto Fagundes pra tocar com a gente no Planeta – defende.

Fly, baixista da Tópaz, pensa diferente. Ele acha que parece existir uma obrigação em se identificar com as clássicas bandas do Rio Grande do Sul, como TNT e Replicantes.

– Todos nós temos a tendência de achar mais legal o que foi feito na nossa época. Acho que é do comportamento humano. Para comprovar, é só perguntar pro seu pai se ele prefere as bandas de agora ou de quando ele tinha 20 anos – pondera Fly.

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