Única no rock nacional, Graforréia Xilarmônica volta a São Paulo

“Desde que faça sentido para a gente se juntar e fazer um show, vale a pena. Somos amigos e ainda temos muito prazer em tocar essas músicas.” Apesar da frase parecer carregada de nostalgia, o baixista e vocalista Frank Jorge fala com naturalidade sobre a Graforréia Xilarmônica, que neste final de semana faz dois shows em São Paulo, um no Sesc Belenzinho e outro no Beco, os primeiros na capital paulista desde 2007. A ausência, porém, faz sentido: desde 2000 a Graforréia não existe oficialmente.

À época, Frank, o guitarrista Carlo Pianta e o baterista Alexandre Birck decidiram se dedicar aos projetos pessoais de cada um, acabando com a banda após quase 15 anos. O Birck estava cheio de compromissos com o De Falla, eu tinha lançado meu primeiro disco solo. Com um pouco de desorganização, sucumbimos, lembra Frank. Mesmo com o fim anunciado, porém, os produtores de shows continuavam a querer a banda, e criou-se uma tradição de um show de final de ano em Porto Alegre. Até eles lançarem um disco ao vivo, em 2006, e aumentarem a demanda.

Formada em 1986, a Graforréia Xilarmônica tinha também em sua formação original o guitarrista Marcelo Birck. Após a demo Com Amor Muito Carinho, de 1988, lançaram dois discos : Coisa de Louco II (1995, pelo selo Banguela) e Chapinhas de Ouro (1998, independente). Misturando influências difusas como Jovem Guarda, ritmos regionais gaúchos e Beatles, criaram uma sonoridade particular. A guitarra cacarejante (como eles mesmo definem) e a bateria alternando ritmos os fazem praticamente não terem pares no rock nacional.

Sempre vimos a música como possibilidade de concretização artística, nunca em termos mercadológicos, comenta Frank. As músicas têm letras que parecem colagens nonsense, recheadas de humor crocante, como define o vocalista. A banda criou em torno de si uma espécie de culto indie que os mantém fazendo shows até hoje, mesmo parados. Além disso, viram Amigo Punk se tornar uma das músicas mais conhecidas do rock gaúcho e Eu e Nunca Diga serem regravadas pelo Pato Fu – a primeira, inclusive, é um dos maiores sucessos dos mineiros.

Mesmo neste estado de nunca fim, a banda possui material inédito, mas não faz ideia de quando entrará em estúdio para registrá-lo. Temos uma pré-demo guardada, mas não está no organograma diário de cada um gravarmos, comenta o vocalista. O disco ao vivo de 2006 trouxe três composições inéditas: 40 Anos, A Técnica do Baixo Elétrico e Sapato Alto.

Pra nós é divertido continuar tocando, são músicas muito estranhas, que não perdem essa característica de troca de andamento, conta Frank. Com 20 anos de estrada, o vocalista ainda se surpreende com a recepção que a banda possui em diversos lugares. No fim, o ponto positivo é quando tu pensa que vai ter 200 pessoas na plateia e tem 800 – e cantando junto.

Frank Jorge lista cinco motivos para ir aos shows da Graforréia Xilarmônica:

1. Somos do tempo do ÊPA: surgimos nos anos 80 e nunca paramos de tocar, mesmo morando em Porto Alegre! A curiosidade mórbida de ver como ainda caminhamos, tocamos os instrumentos e cantamos nossas blasfêmias deve orientar sua escolha de show para este dia: não aceite imitações, nem compre gato ou cachorro por lebre.

2. Só nós fazemos este tipo de som, que até hoje é algo no mínimo inclassificável e irreproduzível por terceiros. Só o Carlo Pianta toca guitarra daquele jeito, só o Alexandre Birck toca bateria de tal modo e só o Frank Jorge toca baixo e canta assim. Regionalismos brasileiros (baião, vanerão), latinos (milonga) e, por que não, regionalismo inglês, os The Beatles, ora bolas!

3. Para a sua sorte, lançamos apenas três discos em 20 e tantos anos de banda. Mesmo assim, temos e tocamos um monte de músicas que nunca saem do mesmo jeito. Tocaremos neste show sucessos do passado como Amigo Punk, Eu, Nunca Diga (estas duas regravadas pelo Pato Fu) Empregada, Colégio Interno, Você foi Embora, sucessos obscuros como Meus Dois Amigos, Patê, Bagaceiro Chinelão, Benga Minueto e projetos de sucesso como O Sapato e a Meia e Fazendeiros Ricos e Pobres Adultos. Atenção: só a Graforréia Xilarmônica toca em seus shows a canção “Feira da Fruta” do grupo Capote, trilha da redublagem do Bátima.

4. Razão EXTRA: diversão garantida = clima de baile.

5. Recentemente (07/12/2010) assistimos juntos ao show do Paul Muriart, digo, Paul McCartney, no estádio Beira Rio, em Porto Alegre, e aprendemos muitas lições. A principal delas: a canção e o rock’n roll ainda existem e perseverarão. Também assistimos juntos ao show do Odair José, em Belém do Pará, e aprendemos outra lição: a pílula é a responsável pelo fato do filho deles não nascer.

Serviço – Graforréia Xilarmônica em São Paulo

Sábado (26/03)
Sesc Belenzinho
Rua Padre Adelino, 1000)
21h30
Ingressos a R$ 24 (R$ 12 meia)

Domingo (27/03)
Beco 203 (Rua Augusta, 609)
20h
Ingressos a R$ 15

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