Vale a pena ser independente?

Vale a pena ser independente? Ou, apesar das mudanças da indústria fonográfica, um contrato com uma grande gravadora ainda é o objetivo das bandas de rock? por GUSTAVO BRIGATTI ([email protected]) Radiohead e Nine Inch Nails dando música de graça, Madonna e U2 rompendo com suas gravadoras, Prince lançando disco encartado em jornal. A decadência das vendas de CDs pode ter estabelecido uma nova ordem no mercado musical, com medalhões dando as costas para as multinacionais do disco e partindo para o autogerenciamento. Mas eles podem. Entretanto, a realidade da maioria dos músicos independentes é bem diferente – consiste em gravar as canções no quarto ou quebrar o cofrinho para pagar algumas horas de estúdio, colocá-las para download gratuito, abrir comunidades em sites de relacionamentos e queimar uma dúzia de CDs para tentar vender em shows nos quais se ganha, quando muito, uma porcentagem do couvert. Tudo visando, veja só, assinar um contrato. – O independente é o que mais depende – afirma Beto Bruno, vocalista da Cachorro Grande, banda que está no quarto disco, o segundo lançado por um gravadora de médio porte, a carioca Deckdisc. – Esse negócio de independência é papo-furado. Quando não tínhamos contrato, dependíamos do público dos shows para ganhar dinheiro e gravar os CDs, das lojas de discos para fazer os cartazes, dos coladores de cartazes, de favor de amigo pra tocar no rádio ou fazer um clipe a preço de custo. Dependíamos de todo mundo. Independência, assim sendo, estaria mais para uma falta de opção do que para uma postura. Ainda mais para quem deseja crescer num mercado em franco encolhimento – dados da Associação Brasileira dos Produtores de Disco indicam queda de 31% no número de CDs vendidos de 2006 para 2007. E, como só cresce quem é conhecido, o trabalho bem feito de uma gravadora faz toda a diferença. – Fomos reconhecidos até na região da campanha – exalta Pedro Metz, vocalista e guitarrista da Pública, que, mesmo usando canais virtuais como MySpace, Orkut, Trama Virtual, YouTube e mailing para cativar o público, só conseguiu a exposição que queria depois de tocar no rádio e aparecer na TV via selos Mundo77 e Olelê Music. – Antes era aquela preocupação de conseguir fazer o show para pagar a prensagem dos discos, por exemplo. Agora me concentro só na música. Tenho mais três discos no contrato, posso dormir e trabalhar tranqüilo – pontua Beto Bruno. Também vai por aí Gustavo Telles, baterista e produtor da Pata de Elefante, banda que tem recebido resenhas elogiosas por onde se apresenta e está em seu segundo disco, ambos pela goiana Monstro: – Dá pra ser totalmente independente, sim. Mas dá trabalho e o resultado pode não render o que se espera. Assim como dá pra botar a mão no bolso e pagar por profissionais que sabem produzir, fazer divulgação, marketing, os contatos para shows e assessoria de imprensa. A Tom Bloch conta ter investido cerca de R$ 15 mil na gravação de seu disco de estréia, em 2003. Levada ao mercado pela Distribuidora Independente, da Trama, a bolacha da dupla Iuri Freiberger e Pedro Verissimo foi bem de vendagens e crítica. Este ano, eles assinaram com a Som Livre Apresenta – braço da major para apostas. – Sempre procuramos um selo que nos desse a distribuição que queríamos, porque era só disso que precisávamos. A internet até ajuda, mas, para bandas pequenas, é muito pouco – avalia Iuri, não por acaso curador do Gig Rock, festival de bandas independentes que termina amanhã, dia mundial do rock, em Porto Alegre.

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