Wander Wildner lança La Cancion Inesperada

por GABRIEL BRUST Wander Wildner acaba de lançar o mais gaúcho dos discos de rock gaúcho já produzidos por um gaúcho. Mas experimente perguntar ao ex-vocalista dos Replicantes de onde ele vem. A resposta já está ensaiada: – Eu digo que sou de Recife. Que é para não começar com essa história. A questão da identidade regional – eterna sombra a perseguir quem faz arte no Rio Grande do Sul – é assunto do qual não se pode fugir após escutar La Cancion Inesperada, o sétimo disco de Wander Wildner. Isso porque o álbum chega em um novo contexto em que não é mais preciso caminhar até a Osvaldo Aranha para encontrar Wander Wildner. Basta sintonizar a MTV para encontrar o já folclórico sorriso torto do cantor dando entrevistas e opinando da religião à bomba atômica. Desde que participou da coletânea Acústico MTV Bandas Gaúchas, em 2005, um novo espectro se abriu na carreira do cantor, que no Estado já gozava de fama quase mítica no cenário underground desde o lançamento do excelente Baladas Sangrentas, seu disco de estréia. La Cancion Inesperada traduz bem este novo momento. Embora, na essência, seja um típico disco de Wander Wildner – com a irreverência e o lado trash de sempre – o álbum traz em sua produção a assinatura de Berna Ceppas e Kassin, a dupla por trás da Orquestra Imperial. E isso faz toda diferença na sonoridade final do álbum. A inclusão de novos instrumentos e timbres, em contraponto à tradicional crueza do rock de Wander, segundo ele, vai ao encontro do que ele já fazia ao vivo, não mais um show de rock, mas um show de canções. Há três anos vivendo na capital paulista, o cantor de 48 anos não nega que está em pleno processo de mudança: – Tudo vai evoluindo. Hoje eu toco com muito mais gente, por estar num lugar onde há muitos projetos. Hoje eu sou muito mais paulista do que gaúcho. A brincadeira sobre ser de Recife traduz uma reprovação do cantor ao tradicional sectarismo da música feita no sul: – O Rio Grande do Sul se acha o máximo, mas não conhece a si próprio. Os gaudérios nos anos 70 não deixavam misturar nada. Na música, os Almôndegas faziam e muita gente continuou, como o Nenhum de Nós, mas a mistura não aconteceu como uma coisa social, como foi em Recife. Lá quem tem banda de hardcore sabe dançar o Maracatu. Em La Cancion Inesperada, Wander abandona de vez a estética punk brega, mas não se prende a novas intenções subversivas. O disco traz composições de Antonio Villeroy, da Barata Oriental, de Jimi Joe, uma antológica regravação de Amigo Punk (da Graforréia Xilarmônica) e uma bela ode ao underground, a canção O Reverendo do Rock Gaúcho. – O disco é bastante gaúcho sim. Mas, para mim, é universal – define Wander.

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