Zero Hora entrevista Wander Wildner

Em inglês, o verbo “wander” significa viajar sem destino. Sentido certeiro para o prenome de Wander Wildner, artista acostumado a mudar de lugar e de papel – entre carreira musical e investidas por teatro e cinema, ele já morou em lugares como São Paulo, Rio de Janeiro e a praia catarinense Guarda do Embaú. Agora, ele projeta uma nova jornada: depois de estrear em Buenos Aires, em março, ele deve embarcar no inverno para uma temporada de três meses na Europa, em busca de inspiração para uma nova fase de seus 50 anos, completos em setembro.

O que dá mais importância ao show que Wander apresenta hoje à noite, no Opinião, no projeto Segunda Maluca. O pretexto é a divulgação do DVD Aventuras de um Punkbrega (2009), coletânea de clipes que resume a trajetória solo iniciada oficialmente com o álbum Baladas Sangrentas, lançado em 1997. Na última quinta-feira, falando por telefone desde a casa dos pais, na Praia da Gaivota (SC), Wander explicou seus planos e relembrou causos dos tempos em que cantava nos Replicantes. Confira ao lado trechos da conversa.

Zero Hora – Hoje se fala muito sobre o artista ser independente, tomar as rédeas do próprio trabalho. Mas isso já existe há muito tempo, não?

Wander Wildner – O que existe hoje, com a internet, a gente fazia sem internet. Quando vinham os discos dos Replicantes da RCA, a gente tinha direito a cem cópias. Esses discos a gente não vendia, mas mandava pelo correio para amigos: o fulano que escreve numa revista, o fulano que trabalha num jornal em Recife, o fulano que tá morando em Londres. Por isso tinha as letras em português e em inglês nos discos. A banda chegou muito no Brasil por causa dessa nossa divulgação.

ZH – O ciclo da indústria (fonográfica) parece estar terminando. A independência se torna mais importante?

Wander – Hoje tu tens bandas independentes fazendo shows em vários lugares do mundo. Vou tocar em Buenos Aires em março, vou para a Europa mais adiante. Tem mil coisas acontecendo – coisas pequenas, alternativas, do tamanho que a gente sempre fez. Nunca parei de fazer a coisa dessa forma. Comecei na música depois de ter participado de um grupo de cinema (o Grupo Humberto Mauro) e de um grupo de teatro (Vende-se Sonhos) e de fazer um programa de televisão independente (Pra Começo de Conversa, na TVE). E depois uma banda independente, os Replicantes. Toda a minha formação é de criação coletiva, trabalhar em grupo e fazer todas as coisas daquele trabalho.

ZH – E como é a criação de canções?

Wander – Eu não componho há cinco anos. Sou um produtor que canta, toca, interpreta, atua em filmes, faz iluminação de shows de amigos. Gosto de ter uma ideia e realizá-la, seja em que canal for. Quando fui morar em São Paulo, tive que me dedicar a descobrir lugares, descobrir como funcionava tudo. Não foi começar do zero, já tinha a história dos Replicantes e a minha própria história, teve a MTV lançando o Acústico (o DVD Acústico MTV: Bandas Gaúchas, de 2005), o pessoal tinha recebido os meus discos. Do zero era a vivência na cidade. Trabalhei cada vez mais com produção. Descobri um bar, o dono topou que eu fizesse um show, fiz uma divulgação com os contatos que eu tinha e o show lotou. Aí fiz uma temporada, depois outras. Era a ideia de recomeçar, fazendo a arte dos shows, gravando os shows. Isso envolve muita coisa, então me tornei muito produtor. Por isso não compus nesse período. (continua)

Confira a entrevista completa no link relacionado abaixo

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